Arte e Ciência: a Produção de Um Vídeo Como Ferramenta de Sensibilização Ambiental
Palavras-chave:
Comunicação, Arte, Ciência, Sensibilização, Ambiental, Transformação, SocialResumo
Em uma era caracterizada pela explosão de dados e pela complexidade técnica inerente aos desafios agroambientais, a sociedade enfrenta um paradoxo evidente: nunca se produziu tanta informação científica e tecnológica, mas a efetiva sensibilização e o engajamento público parecem mais distantes, sufocados pela desumanização que um excesso de dados puramente quantitativos pode gerar. Este trabalho propõe e analisa a integração estratégica da arteem suas múltiplas expressõescomo antídoto vital para este cenário, atuando como uma ponte sensível e acessível entre o conhecimento técnico-científico gerado por plataformas de monitoramento, como o SIMAGAIA (Sistema Integrado de Monitoramento Agroambiental) da Unipampa, e a experiência humana subjetiva. O objetivo central é demonstrar como a arte, quando articulada de forma sinérgica com a ciência, pode resgatar a dimensão humana da crise socioambiental, traduzindo dados complexos de monitoramentocomo séries temporais de vazão dos arroios Olaria e Cambaí, modelagens hidrológicas SWAT+, mapas de uso do solo e indicadores de qualidade da águaem narrativas audiovisuais profundamente mobilizadoras, que engajam a emoção, a empatia e a reflexão crítica, elementos tradicionalmente negligenciados na comunicação técnica convencional. A metodologia, desenvolvida no âmbito do módulo "Arte, Ciência e Tecnologia" do projeto SIMAGAIA, materializou-se na cocriação de uma obra audiovisual inovadora, que integra de forma orgânica três linguagens artísticas: (1) as imagens técnicas e os dados visuais gerados pelo sistema de monitoramento ambiental (grafos de vazão, mapas temáticos de vulnerabilidade à erosão, imagens de satélite da transformação da paisagem); (2) a interpretação plástica e sensível dessa realidade, através de desenhos, pinturas e intervenções visuais manuais de uma artista plástica convidada, que traduziu em cores, texturas e formas abstratas a dinâmica da água, a resistência do solo e a pressão antrópica; e (3) uma camada sonora original composta por um músico, que utilizou desde gravações in situ dos sons dos arroios e das atividades agrícolas até a sonificação de dados ambientais (convertendo, por exemplo, a série temporal de vazão do Olaria em uma melodia baseada em suas flutuações), criando uma trilha que oscila entre o harmônico e o disruptivo, espelhando o equilíbrio e os distúrbios do ecossistema. Este vídeo, mais do que um documentário, é uma experiência sensorial imersiva. Ele não informa sobre a vazão; ele faz o espectador sentir o fluxo e a escassez da água. Ele não mostra um mapa de uso do solo; ele evoca a textura da terra e o impacto visual da transformação. A obra foi exibida e debatida em espaços não convencionaiscomo feiras de agricultura familiar, centros comunitários urbanos e escolas da rede públicafuncionando como um catalisador para um diálogo mais profundo e menos polarizado sobre temas complexos, como o uso de agrotóxicos, o conflito pelo uso da água e a perda de biodiversidade. Os resultados observados indicam que a abordagem artística facilitou um conexão emocional imediata com o território, atraindo públicos tradicionalmente desconectados do debate científico puro. Agricultores se reconheceram nas paisagens sonoras, urbanistas refletiram sobre a origem da água que abastece a cidade, e jovens se engajaram em discussões sobre políticas públicas ambientais. Relatos dos participantes destacaram uma "compreensão corporal" dos problemas, que transcendera a assimilação intelectual de informações. Conclui-se que a arte, longe de ser um elemento decorativo ou secundário, é uma camada metodológica essencial e um vetor de transformação na comunicação científica contemporânea. A sinergia entre a precisão dos dados do SWAT+ e a liberdade expressiva das artes plásticas e musicais demonstrou ser uma ferramenta poderosa para reumanizar a ciência, fortalecendo radicalmente o elo entre o conhecimento gerado na universidade e a mudança de percepção e comportamento necessária na sociedade. Esta estratégia posiciona-se, portanto, como um pilar indispensável para projetos que, como o SIMAGAIA, almejam não apenas informar, mas também transformar valores e práticas em prol da sustentabilidade.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Arte e Ciência: a Produção de Um Vídeo Como Ferramenta de Sensibilização Ambiental. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120387. Acesso em: 14 abr. 2026.