O lado b do k-pop: O que o governo não contou
Palavras-chave:
coreia, sul, k-pop, industrialização, culturalResumo
Nos últimos anos, o K-pop, como uma febre, se consolidou como um dos maiores fenômenos artísticos e culturais no mundo, movimentando a casa dos bilhões economicamente, projetando a Coreia do Sul no cenário global. Com isso, se tornou um mecanismo do governo para alavancar seu soft power, convertendo seu sucesso em influência política e financeira. A ascensão de grupos como Blackpink, ainda, comprova a força da indústria não só musicalmente, como em outras diversas áreas, como turismo, moda e cosméticos, transformando involuntariamente tais artistas em uma espécie de vitrine humana. Todavia, por trás de uma estética glamourizada que busca um padrão de perfeição e performances milimetricamente coreografadas, existe um cenário obscuro de contradições profundas, que envolvem desde a exploração irrestrita do corpo feminino, como a sexualização dos mesmos por uma busca mercadológica (inclusive de menores), transformando as artistas do meio em produtos de consumo em um maquinário estatal retroalimentado pelo retorno financeiro. Desta forma, a pesquisa parte da problematização dessa dualidade de conceitos, onde como um setor cultural, aparentemente positivo, se torna campo para reprodução de práticas de objetificação e fetichismo do corpo feminino em nome de lucro e status internacional. Neste sentido, o estudo é feito de forma qualitativa, fazendo um levantamento documental e bibliográfico, além da análise de dados em publicações internacionais, levantamento de reportagens de veículos jornalísticos confiáveis e referências acadêmicas, como Chartier, que analisa a dominação simbólica de gênero, Joseph Nye, que elucida o conceito de soft power, e os estudos da pesquisadora Katherine Moon, o que permitiu, com essa combinação de fontes, estabelecer panoramas, ao montar uma linha do tempo, desde o período após Guerra da Coreia (quando o trabalho sexual foi instigado para mulheres com vulnerabilidade econômica) até os dias atuais, onde o corpo das chamadas idols é explorado como um produto global de marketing da cultura sul-coreana. Assim, conseguimos resultados que remontam a indústria do K-pop, não como uma construção cultural espontânea, mas um projeto articulado que associa interesses privados e estatais. Vemos, então, como o governo sul-coreano, desde meados dos anos 90, investe fortemente na área, fomentando a chamada Hallyu (ou onda coreana em tradução simples), utilizando o gênero musical de forma estratégica para crescimento econômico, assim como de projeção diplomática. Todavia, esse sucesso mercadológico do K-pop, traz consigo uma série de problemáticas que podem passar batidas em um primeiro momento. Entre elas, a sexualização precoce de artistas (como no caso de Suzy Bae, que estreou na indústria quando ainda era menor de idade, mas mesmo assim, em um videoclipe e apresentações com uma canção que possuía uma dança sugestiva ao seu corpo e letra com entonações sexuais), a dominação simbólica (ao vermos como a exploração do corpo feminino é reflexo também de uma demanda de público, tornando as artistas um objeto de consumo), nisso a rigidez nos padrões estéticos e comportamentais (o que acarreta em uma correlação entre a pressão de uma busca por um padrão de perfeição e problemas de saúde e psicológicos), assim como os diversos escândalos recorrentes na indústria. Com a análise dos registros feita, se permite ver o K-pop como um fenômeno cultural ambíguo, sendo que ao mesmo passo em que gera notoriedade internacional para a indústria, artistas e país, sustenta práticas de exploração, reforçando estereótipos de gênero, principalmente ao se olhar a figura da mulher. O corpo feminino, transformado em mercadoria, revela o enraizamento de padrões de dominação históricos, desde o pós-guerra, que mesmo com o passar do tempo e globalização, se mantém camuflados sob a casca da cultura pop. Corroborando com o apontamento da hipótese inicial do K-pop sendo, embora uma eficaz ferramenta de soft power, uma indústria que perpetua contradições estruturais, onde a arte se confunde com mercadoria, reduzindo a mulher em um objeto de desejo, tendo o fetichismo e objetificação de seu corpo coisas naturalizadas, por meio de estratégias econômicas naturalizadas pela exportação de uma imagem perfeita e globalmente consumível. Reconhecer essas problemáticas, se torna um ponto essencial para compreender não só o vasto alcance do K-pop, como também refletir sobre os impactos sociais, culturais e psicológicos que o modelo produz, atualmente não só na Coreia do Sul, como internacionalmente (onde haver um público que o consome).Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O lado b do k-pop: O que o governo não contou. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120384. Acesso em: 14 abr. 2026.