Umbó- Projeto de Um Jogo de Tabuleiro Sobre Civilizações Africanas

Autores

  • Byanca Araujo
  • Maria Clara Santos de Lima
  • Eduardo Luis Goldschmidt
  • Emanueli dos Santos Pitaluga
  • Helena Pinto Caetano
  • Denise Aristimunha de Lima
  • Nola Patrícia Gamalho

Palavras-chave:

Comunicação, dinâmica, ensino

Resumo

Como afirma Claudia Regina Alexandre (2021), os estudos afrodiaspóricos e das religiões afro-brasileiras têm papel fundamental ao recuperar historicamente a contribuição de povos escravizados da África na construção da sociedade brasileira , ressaltando que essas pesquisas são pilares para entender quem somos enquanto nação. Contudo, observa-se que os conhecimentos referentes aos reinos e civilizações da África Antiga ainda permanecem pouco explorados nos espaços educativos, o que gera lacunas na valorização e no reconhecimento dessas heranças. Nesse contexto, desenvolveu-se, em conjunto com a turma de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Pampa, o jogo educativo Umbó, concebido como uma ferramenta lúdica e interativa voltada ao aprendizado sobre diferentes civilizações africanas, tais como o Império de Gana, Império de Mali, Império Songai, Estados Banto, Civilização Egípcia, Civilização Meroítica, Ruínas de Zimbábue e as Rotas Transaarianas. A proposta tem como objetivo central contribuir para a valorização das culturas africanas e suas múltiplas expressões, estimulando reflexões acerca da diversidade cultural, cosmovisão, educação, alimentação e economia dessas sociedades, além de fomentar práticas pedagógicas inovadoras que integrem conhecimento histórico e cultural com experiências criativas de ensino-aprendizagem. O processo metodológico foi desenvolvido dentro do componente curricular de Direção de Arte I, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), a partir do projeto de extensão Conhecimentos e Práticas Antirracistas nas Tessituras entre Universidade e Educação Básica. A elaboração do jogo iniciou-se com um briefing coletivo junto à coordenadora do projeto, em que foram definidos os objetivos pedagógicos e os requisitos fundamentais do material, entre os quais destacaram-se a adequação para alunos da educação básica, o formato de tabuleiro e o caráter lúdico, visando especialmente à valorização da história e cultura africana. Para viabilizar a produção, a turma foi dividida em grupos, cada qual responsável por pesquisar dois reinos, totalizando oito civilizações abordadas. A partir dessas pesquisas, foram elaboradas 96 cartas temáticas, distribuídas em quatro categorias principais: cosmovisão, educação, alimentação e economia, as quais compõem a dinâmica central do jogo. As etapas práticas envolveram a criação da identidade visual, definição de tipografias, elaboração de símbolos e ilustrações, diagramação das peças gráficas e produção de protótipos para testes. Ao longo do processo, foram desenvolvidas também as regras, os textos explicativos do tabuleiro e a identidade visual da embalagem, todos orientados pela busca de coesão estética e funcionalidade. A fase de testes contou com verificações de impressão, avaliação dos materiais e simulações de aplicação em sala de aula, de modo a assegurar a eficácia pedagógica da proposta. Como resultado, obteve-se um jogo completo, didático e interativo, que alia pesquisa acadêmica, design gráfico e trabalho colaborativo, revelando-se uma alternativa pedagógica inovadora para o ensino de conteúdos relacionados às ancestralidades africanas. A primeira avaliação ocorreu junto à professora coordenadora do projeto de extensão, que validou o produto final, destacando sua adequação às expectativas iniciais. Atualmente, o jogo encontra-se disponível no site do Neabi para acesso público e impressão, além de ser divulgado em visitas às escolas por meio de ações do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas Lanceiros Negros, que tem promovido sua inserção no ambiente escolar, em especial a partir do 8º ano do ensino fundamental. Considera-se que a iniciativa alcançou êxito na medida em que promoveu não apenas a produção de um recurso didático inovador, mas também o fortalecimento da valorização das culturas africanas no espaço educacional, possibilitando um aprendizado crítico, reflexivo e engajador sobre identidade, memória e pertencimento.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

Umbó- Projeto de Um Jogo de Tabuleiro Sobre Civilizações Africanas. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120378. Acesso em: 14 abr. 2026.