Mulheres na Cultura Popular: Resistência, Invisibilidade e Reconhecimento do Trabalho Feminino
Palavras-chave:
Desigualdade, gênero, Economia, Criativa, MulheresResumo
A pesquisa parte do estudo desenvolvido pelas/os bolsistas do Projeto de Pesquisa Cultura Popular de Autoria Feminina: um estudo de caso. O estudo realizou o mapeamento de mulheres que atuam em diferentes frentes da economia criativa local, incluindo benzedeiras, cantoras, artesãs e produtoras culturais, buscando analisar suas expressões culturais, experiências, práticas e formas de resistência frente às desigualdades estruturais que limitam o reconhecimento de seu trabalho enquanto figura feminina na cultura popular. A metodologia envolveu uma busca ativa e diversificada pelas participantes, como por exemplo, as benzedeiras foram localizadas por meio de contatos diretos aos endereços físicos, outras por redes sociais (Facebook, Instagram e Whatsapp). Cada entrevista seguiu um roteiro adaptado ao perfil e à experiência de cada entrevistada, com perguntas voltadas a conhecer sua trajetória de vida, relação com a cultura popular, atuação na produção artística local e os desafios que foram presentes enquanto mulher nesses espaços. As gravações das entrevistas foram transcritas com o auxílio de inteligência artificial, e essas transcrições serviram de base para a produção do e-book (livro digital) Cultura Popular de Autoria Feminina: a representatividade das mulheres nas artes da cidade de São Borja/RS, publicação que sistematiza histórias, experiências, desafios e reflexões, funcionando como instrumento de visibilidade política e cultural. Esse processo revelou a diversidade das expressões culturais femininas e a resistência das mulheres, evidenciando que sua atuação vai além da produção artística, alcançando também a ocupação de espaços de reconhecimento social e cultural historicamente invisibilizados. Ao mesmo tempo, o levantamento expôs observações significativas, durante a busca por mulheres, foi possível identificar que algumas permanecem invisibilizadas justamente pela dificuldade de localizá-las, já que algumas que foram encontradas só puderam ser localizadas por meio de encontros presenciais e mediação direta, muitas vezes com base em informações fornecidas por terceiros, como indicações feitas em redes sociais durante a procura. Essa situação evidencia barreiras estruturais e exige uma análise crítica da conjuntura social, inclusive no que se refere ao contexto territorial, por exemplo, que pode contribuir para a invisibilidade dessas mulheres. Essa realidade evidencia barreiras estruturais complexas, e sugere que a presença feminina na cultura popular é provavelmente mais ampla do que a representada na pesquisa, permanecendo invisibilizada e pouco valorizada, o que reforça a necessidade de políticas públicas que assegurem efetivamente o acesso, reconhecimento e visibilidade a essas mulheres. Tais condições reforçam a importância de dar destaque às mulheres com pouca representação na economia criativa, garantindo oportunidades de reconhecimento e valorização de suas práticas. A análise crítica das práticas culturais femininas que foi coletada durante a pesquisa, é fundamental para expor como o machismo estrutural, o patriarcado e as dinâmicas do capitalismo se manifestam na cultura e na economia criativa, permitindo identificar as relações de poder, desigualdade social e de gênero. O registro detalhado das experiências no livro constitui uma intervenção política, ao afirmar a relevância da cultura popular feminina e questionar a invisibilidade estrutural de seu trabalho, funcionando como um instrumento de reflexão e análise que contribui tanto para a produção acadêmica quanto para a visibilidade social dessas práticas. Nesse sentido, o estudo demonstra que iniciativas acadêmicas desempenham papel estratégico na problematização das desigualdades de gênero na produção artística local, destacando a necessidade de políticas públicas que garantam apoio efetivo, promovam inclusão e visibilidade, e contribuam para transformar as condições estruturais que historicamente dificultam a participação das mulheres na economia criativa, fortalecendo sua emancipação.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Mulheres na Cultura Popular: Resistência, Invisibilidade e Reconhecimento do Trabalho Feminino. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120374. Acesso em: 14 abr. 2026.