Memória e Identidade: a Trajetória do Neabi Oliveira Silveira

Autores

  • Ana Gabriely dos Santos Dias
  • Andréa de Carvalho Pereira
  • Arthur Teixeira Ernesto

Palavras-chave:

História, Identidade, Memória, Cultura

Resumo

Este relato de experiência visa em trazer as memórias e atuação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas - NEABI Oliveira Silveira - da Universidade Federal do Pampa - Campus Bagé/RS, além disso, buscamos fazer um resgate histórico da logo do núcleo, visto que faz parte da identidade do grupo. Antes de começarmos, é importante destacar a criação desse grupo. O núcleo foi criado no ano de 2016, a partir da Resolução 161/2016 do Consuni da Unipampa, considerando a formação de Fórum dos NEABIS dos dez campi da Unipampa e a interlocução com o órgão responsável pelas Ações Afirmativas da Universidade. Para constituir o nome do núcleo foi sugerido: Oliveira Silveira, um gaúcho natural de Rosário do Sul (RS), formado em Letras - Português e Francês pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGRS, poeta de vários poemas como: Encontrei as minhas origens; Treze de maio; Poema sobre Palmares e tantos outros poemas potentes, foi pesquisador e ativista brasileiro. A partir da sua militância, Oliveira Silveira fez parte do Grupo Palmares, e no meio das suas pautas de luta, ele foi o responsável pela idealização do Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro dia do aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores ativistas quilombola da nossa história. O objetivo da criação do núcleo no Campus Bagé se deu pela construção de um espaço de acolhimento para as pessoas pretas, indígenas e quilombolas, e para instituir debates sobre as questões étnico-raciais no âmbito acadêmico, afetivo, social e político, visto que inicialmente não existiam grupos institucionais que discutiam sobre as relações étnico-raciais. Mesmo com uma caminhada significativa, o grupo só constituiu sua primeira e a segunda identidade visual a partir de 2019-2020, quando pôde contar com o conhecimento e construção da bolsista Marina Rodrigues Lopes, sendo então a partir desta construção inicial, intensificadas não somente as ações tanto no espaço acadêmico como também na comunidade externa, expandindo além dos muros da compus a divulgação da sua existência. Com o fortalecimento do grupo, e aprofundamento do conhecimento da temática, surgiu a necessidade de uma atualização e modernização do logotipo, dessa forma com o auxílio de uma artista local Kesya Porto, colaboração do professor Maurício Carvalho integrante do Neabi e contribuição da Assessoria de Comunicação Institucional da UNIPAMPA - ACS, através de um estudo regional com uma forma de inserir de forma expressiva a cultura indegena além da negra, se estabeleceu a atualização desejada. Sempre com a autorização da filha do Oliveira Silveira, utilizamos na logo, a imagem do mesmo, com elementos que também remetessem à identidade indígena. Cabe salientar que o grupo sempre trabalhou de forma coordenada e unida para que se consolidasse a importância da inspiração indiscutível desse ícone das lutas ligadas diretamente à cultura negra e militância por oportunidades no nível da dignidade, educação e sociedade. O desenvolvimento das identidades visuais não foi apenas um exercício estético, mas também político e cultural. Cada traço, cor e símbolo incorporado as logos representam a pluralidade dos povos que compõem o Brasil. O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas Oliveira Silveira também construiu-se como um espaço cultural e político dentro da universidade, assim como um ambiente em que se entrelaçam os saberes acadêmicos e expressões culturais negras e indígenas. Nesse sentido, o núcleo vai além da pesquisa e do debate, tornando-se um local de valorização da memória coletiva. Esse caráter cultural fortalece o sentimento de pertencimento e amplia o diálogo entre universidade e a comunidade externa, reafirmando a importância da diversidade como fundamento para a transformação social. Além disso, o grupo organiza atividades como rodas de conversa, palestras, oficinas de formação e cine-debates, buscando não apenas discutir a temática étnico-racial, mas também sensibilizar a comunidade acadêmica para o combate ao racismo e às desigualdades sociais. Essa atuação tem possibilitado o fortalecimento do sentimento de pertencimento de estudantes negros, indígenas e quilombolas, ao mesmo tempo que promove um diálogo intercultural essencial para a transformação da universidade em um espaço mais inclusivo e democrático.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-11-03

Como Citar

Memória e Identidade: a Trajetória do Neabi Oliveira Silveira. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120373. Acesso em: 14 abr. 2026.