AS GRANDES GUERRAS MUNDIAIS E SEUS REFLEXOS NA CULTURA BRASILEIRA (19141945)

Autores

  • Elisabeth Ozório Rodrigues
  • Kepler Bastos

Palavras-chave:

Primeira, Guerra, Mundial, Segunda, Cultura, brasileira

Resumo

Em 1914, no dia 28 de julho, teve início a Primeira Guerra Mundial, também conhecida como Grande Guerra, cujo estopim foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro. O conflito foi resultado de uma série de fatores, como o imperialismo das potências industriais, que competiam por territórios na Ásia e na África em busca de matérias-primas e expansão de seus impérios. Além da formação de alianças militares, como a Tríplice Aliança (Império Austro-Húngaro, Alemanha e Itália) e a Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia), cada aliança, caracterizava-se, por uma perspectiva oposta, sobre quem deveria exercer comando. A guerra se estendeu por quatro anos, até 11 de novembro de 1918, deixando a Europa devastada, com mais de 10 milhões de mortes e cerca de 20 milhões de feridos, além da queda de impérios como o Alemão, Austro-Húngaro, Otomano e Russo, e o surgimento de novos Estados, como Polônia e Checoslováquia. Os impactos econômicos foram significativos, influenciaram de maneira positiva e negativa, pois a destruição reduziu as exportações e forçou países como o Brasil e Estados Unidos a desenvolverem seus mercados internos e a indústria doméstica, porém outras nações foram prejudicadas, na Europa ocorreu uma crise de inflação e desvalorização monetária, além da destruição de infraestruturas governamentais e ainda muitos recursos investidos nos conflitos. Politicamente, a instabilidade do pós-guerra incentivou sentimentos de revanche, o crescimento do nacionalismo exacerbado e a ascensão de regimes totalitários, como o nazismo e o fascismo, especialmente diante da crise econômica alemã após o Tratado de Versalhes de 1919, que impôs intensas indenizações. Com importantes mudanças culturais como na literatura, em que escritores, ilustravam em suas obras, seus traumas, como no livro de Ernest Hemingway "Adeus às Armas" 1929, na arte, destaque as pinturas de Otto Dix e George Grosz, com artes retratando cenas lúgubres e deploráveis. O período foi marcado por movimentos artísticos de vanguarda, como o dadaísmo, que rejeitava a lógica tradicional, o surrealismo surgido em 1920, como resposta às tragédias da guerra, e o expressionismo que buscava expressar emoções intensas, enfatizando aflição e desespero. Na sociedade, havendo desilusão em relação aos valores tradicionais, que foram desrespeitados, e ocorreu perda de influência no cotidiano, da população, acelerando a modernidade, em diversos âmbitos, até mesmo modificações na música. No Brasil, essas influências consolidaram a Semana de Arte Moderna de 1922, marco fundamental da cultura nacional. Contudo, as tensões não se dissiparam: a crise de 1929 aprofundou a miséria global e expôs a fragilidade da economia, enquanto a ineficácia da Liga das Nações em manter a paz contribuiu para a ascensão de Hitler e o expansionismo alemão. Em 1º de setembro de 1939, a invasão da Polônia pela Alemanha nazista deu início à Segunda Guerra Mundial, o maior conflito da história, envolvendo o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (EUA, URSS, Reino Unido e França). Entre 70 e 85 milhões de vidas foram perdidas no ocorrido, em um cenário de destruição em massa, destacado pelo holocausto, pelos campos de concentração e pela criação das bombas atômicas. O Brasil, inicialmente neutro para manter vantagens econômicas, acabou envolvendo-se após o ataque de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros, ato que ocasionou Getúlio Vargas a declarar guerra ao Eixo em 1942. Envolvendo a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e a Força Aérea Brasileira (FAB), enviando tropas para combater na Itália, e a intervenção internacional contribuiu para o enfraquecimento do Estado Novo. O fim da guerra consolidou a vitória dos Aliados, marcou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), instituída com o objetivo de promover a paz, após tentativas anteriores de entidades semelhantes que não obtiveram êxito. Isso promoveu avanços tecnológicos e industriais, além de viabilizar a reconstrução europeia com o Plano Marshall. Para a nossa nação, o período entre 1914 e 1945 foi de profundas transformações: fortalecimento da indústria nacional, maior projeção no cenário internacional e consolidação de movimentos culturais que reforçaram a identidade nacional. Conclui-se, que a guerra tem a capacidade de resultar em significativas alterações culturais, consolidar diversos movimentos e a identidade de uma nação no cenário internacional. Seus impactos, majoritariamente percebidos na época, atuaram como incentivo ao desenvolvimento tecnológico e à implantação de armamentos bélicos avançados. O legado das duas guerras não se restringe ao campo político ou econômico, mas foi, sobretudo cultural, resultando em um Brasil mais moderno, criativo e capaz de se reinventar diante das adversidades globais.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

AS GRANDES GUERRAS MUNDIAIS E SEUS REFLEXOS NA CULTURA BRASILEIRA (1914–1945). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120363. Acesso em: 14 abr. 2026.