Economistas Negros
Palavras-chave:
Políticas, públicas, Desenvolvimento, Econômico, EpistemologiaResumo
A presente pesquisa tem como objetivo dar visibilidade a economistas negros, reconhecendo a importância de suas trajetórias, contribuições acadêmicas e atuação profissional para o desenvolvimento das Ciências Econômicas e para a promoção de inclusão social e racial. A valorização desses profissionais é fundamental, uma vez que historicamente enfrentam barreiras estruturais que dificultam o acesso a posições de destaque na academia, no setor público e em instituições financeiras, o que compromete a diversidade de perspectivas na análise econômica. Reconhecer e sistematizar suas experiências permite compreender como a produção científica e a atuação prática de economistas negros contribuem para políticas públicas mais inclusivas, para o fortalecimento de instituições e para a redução de desigualdades estruturais. Esta pesquisa foi realizada para a elaboração de uma arte digital sobre economistas negros, apoiada pelo Fomento à Criação Artística PROARTE 2025, da PROEC, UNIPAMPA. Entre os economistas analisados, Laiz Carvalho, economista brasileira formada pela Universidade de São Paulo, é a primeira mulher negra a ocupar o cargo de economista-chefe no Brasil, inicialmente na Brasilprev e, posteriormente, no BNP Paribas. Sua atuação se destaca não pelas análises macroeconômicas e projeções estratégicas que influenciam o mercado financeiro e pelo compromisso com a inclusão racial e de gênero, concretizado por meio da plataforma Black Swan, voltada à mentoria e formação de mulheres negras. Tal iniciativa evidencia como a liderança técnica e o engajamento social podem caminhar juntos para promover a democratização de oportunidades no setor econômico. No contexto africano, Carlos Lopes, economista e historiador natural da Guiné-Bissau, tem uma trajetória marcada por forte impacto institucional e acadêmico. Formado em Economia pela Universidade de Paris e doutor em História pela Universidade Panthéon-Sorbonne, Lopes foi secretário-executivo da Comissão Econômica para a África da ONU (UNECA) entre 2012 e 2016, atuando na formulação de políticas de desenvolvimento sustentável, industrialização e integração regional. Seu trabalho contribuiu para fortalecer a governança e a autonomia econômica do continente africano, demonstrando como economistas negros podem exercer influência decisiva em cenários globais e continentais. Na América Latina, Epsy Campbell Barr, economista costarriquenha formada pela Universidad Latina de Costa Rica, articula conhecimento econômico e atuação política, sendo a primeira mulher negra a ocupar o cargo de vice-presidente da Costa Rica (20182022). Sua trajetória evidencia a relevância de perspectivas afro-latinas na construção de políticas públicas inclusivas e no enfrentamento das desigualdades raciais e de gênero. Campbell Barr demonstra como a Economia pode se relacionar com a prática política para gerar transformações sociais concretas, reforçando o papel dos economistas negros como agentes de mudança em contextos historicamente marcados pela exclusão. No Brasil, Mário Theodoro, formado em Economia pela Universidade de Brasília e doutor pela Universidade de Picardie, na França, é referência em estudos sobre desigualdade social, mercado de trabalho e políticas públicas voltadas à população negra. Sua atuação no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), como diretor de Estudos e Políticas de Estado, e como secretário executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) demonstra a importância de economistas negros na formulação de políticas públicas que enfrentem o racismo estrutural e promovam inclusão e equidade econômica. Por fim, Ngozi Okonjo-Iweala, economista nigeriana formada em Harvard e doutorada pelo MIT, combina experiência acadêmica e política internacional. Com passagens pelo Banco Mundial e duas gestões como ministra das Finanças da Nigéria, Okonjo-Iweala tornou-se, em 2021, a primeira mulher negra e africana a ocupar o cargo de diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), influenciando políticas globais de comércio e desenvolvimento sustentável. Sua trajetória demonstra a relevância da liderança técnica e estratégica de economistas negros em contextos internacionais, consolidando referências e inspirando novas gerações. O exame dessas carreiras evidencia que economistas negros desempenham papel decisivo na ampliação da diversidade epistemológica na Economia, no fortalecimento institucional e na formulação de políticas públicas inclusivas. Estudos que visibilizam essas carreiras são essenciais, pois reforçam a necessidade de reconhecer a excelência acadêmica e profissional de economistas negros, contribuindo para a democratização do conhecimento, a redução das desigualdades históricas e a construção de sociedades mais justas.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Economistas Negros. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120362. Acesso em: 14 abr. 2026.