Raizes de Confiança

Autores

  • Matheus Castro Fernandes
  • Julia Pazetto Holzschuh
  • Lucas Martelli Ribeiro
  • Pedro Henrique Rodrigues Vidal
  • Adriana Pires Neves

Palavras-chave:

Bem-estar, animal/, Doma/, Potrancas/, Confiança

Resumo

A conexão entre domador e animais é reconhecida como ferramenta essencial para o bem-estar animal, influenciando aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais. Os métodos de ensino e aprendizagem estão em constante evolução, buscando excelência na arte de ensinar equinos desde o início da formação, sem criar traumas. No contexto da Doma Índia, a interação vai além do amansar, funcionando como recurso de respeito e entendimento mútuo entre humano e cavalo. Essa filosofia não visa apenas tornar o animal dócil, mas construir uma relação baseada em confiança, paciência e observação. No projeto Raízes de Confiança, inspirado na Doma Índia, o domador procura compreender instintos e formas de comunicação, conduzindo cada etapa sem violência ou pressa. O objetivo não é dobrar a vontade do animal, mas harmonizar seu espírito com o do homem, promovendo parceria. Este trabalho teve como objetivo apresentar as ações desenvolvidas com potrancas da raça crioula na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus Dom Pedrito. A metodologia empregou técnicas da Doma Índia, desde o primeiro contato ainda junto à mãe até a entrega da confiança ao amansador. Considera-se que a mente do cavalo se desenvolve de potrinho até o estágio de potro adulto, e práticas contínuas favorecem a inteligência e a receptividade. Nesse sentido, foram estudados artigos sobre doma tradicional, racional e Índia, priorizando técnicas que não gerassem traumas e estimulassem o desenvolvimento mental das potrancas e futuras atletas. O projeto ocorreu no decorrer de 132 dias, com todas as atividades supervisionadas pela professora responsável pela disciplina de Equinocultura, garantindo a segurança e a condução correta. Na primeira etapa, próxima ao desmame e época de resenha da raça Crioula (aproximadamente nove meses de idade), buscou-se uma aproximação inicial. Sem redondéis disponíveis, as potrancas foram laçadas e embuçaladas, dando início ao cabresteamento. Após o desmame, foram levadas ao campus da Unipampa de Dom Pedrito, e acomodadas na área de Equinos, onde receberam manejo diário. Nesse período, mostraram diferentes temperamentos e desconfiança, reagindo com mordidas e coices. A partir daí, a Doma Índia foi intensificada, priorizando o ganho de confiança e segurança para ambos. As atividades ocorreram duas vezes por semana, sempre às terças e sextas-feiras, envolvendo práticas de amanse, uso da linguagem corporal, assobios, comandos com guia e exposição gradual a objetos como cordas, bolsas e palas. O processo avaliativo se baseou na memória e nas respostas das potrancas, registrando em caderno de campo datas, etapas e reações individuais, o que permitiu acompanhar a evolução. Os registros demonstraram que a Doma Índia, aplicada desde cedo, promove maior confiança e bem-estar, pois todo o ensino ocorreu sem agressão, com respeito e vínculo afetivo sólido entre cavalo e domador. As potrancas, apesar das individualidades, apresentaram rápida evolução, retendo melhor os ensinamentos quando respeitadas em sua natureza e necessidades. Embora compartilhe pontos com a doma tradicional, como obediência e disciplina, a Doma Índia se diferencia por valorizar a construção da relação humano-animal. Com observação, comunicação sutil e estímulos graduais, os animais respondem de forma cooperativa, compreendem comandos e estabelecem confiança mútua. Essa abordagem gera cavaleiros e animais mais seguros e conectados, priorizando não apenas a técnica, mas também a relação harmoniosa e respeitosa.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

Raizes de Confiança. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120359. Acesso em: 14 abr. 2026.