Crônicas da Cidade, 15 Anos: Contribuindo Ao Patrimônio Cultural Imaterial de São Borja/rs

Autores

  • Joao Victor Menezes Borges
  • Laísa Vieira Antunes
  • Laisa Eduarda Antunes Mendonça
  • Mariane Austria Pereira
  • Jonatan Mancias Soares
  • Ana Isabel da Silva Andrade
  • Darlan Fagundes Witchaki
  • Beatriz Chetco
  • Alexya Cibelli Teixeira Guimarães
  • João Pedro Utzig da Silva
  • Pâmela Anschau de Almeida
  • Adriana Ruschel Duval
  • Miro Luiz dos Santos Bacin

Palavras-chave:

Crônicas, Cidade, Histórias, Vida, Patrimônio, Cultural, Imaterial

Resumo

O presente resumo reflete sobre os 15 anos trilhados até agora por um projeto de pesquisa empírico que contribui para a cultura e a memória de São Borja. Registrado como Jornalismo Humanizador em Crônicas do Cotidiano (nº 2023.PE.SB.2396/GURI), é conhecido como o Crônicas da Cidade título da coluna que, desde 2010, o jornal impresso Folha de São Borja disponibiliza em suas edições, sem ônus, à equipe, em página inteira. Coordenado por professores do Jornalismo, tem como propósito a prospecção e o compartilhamento de histórias de vida, através de crônicas-reportagens feitas pelo grupo formado pelos docentes, por discentes que atuam como bolsistas voluntários e por colaboradores jornalistas egressos da Unipampa. A dinâmica do projeto se constitui na abordagem guiada pelo jornalismo humanizado (Ijuim, 2017), que busca a real dialogia na horizontalidade das relações (Medina, 2003). Também enfatiza o valor da escuta (Brum, 2006) na realização das pautas que resultam em publicações sobre pessoas, lugares e episódios relacionados a São Borja. As narrativas verbal e imagética enaltecem passagens reveladoras de lições. Nas mais de 800 histórias já contadas há um extenso número de temas. Pelo Crônicas passam personagens que reportam vivências empreendedoras, que mostram resiliência diante de adversidades; figuras ilustres e desconhecidas; nomes do passado e do presente ligados não apenas à história oficial, como também ao imaginário popular e a uma espécie de história paralela da contemporaneidade. Uma das ênfases é contribuir para o combate à invisibilidade social (Costa, 2008), uma vez que tanto o morador de rua quanto o empresário são convidados a relatar suas jornadas. O projeto considera, tal qual o Museu da Pessoa (www.museudapessoa.org), que tornar pública uma história conduz à sua incorporação enquanto bem cultural imaterial representativo de um povo e de uma época. Todo indivíduo, quando conta algo, soma-o a uma espécie de mosaico de memórias coletivas. Assim, o projeto fortalece o senso de pertencimento e a conexão entre as pessoas. Consequentemente, também nós, discentes, transcendemos os conceitos mais tradicionais do jornalismo e alcançamos um entendimento amplo e altruísta sobre nosso papel não apenas como mediadores da informação, mas também como mediadores culturais (Velho, 2001). Isso nos permite ver o quanto nos tornamos pontes entre mundos diversos. Essa é uma das reverberações junto à nossa formação acadêmica e humana. Igualmente há um contato periódico entre a equipe e escolas e museus, para palestras e exposições. Em um cenário em que o usual é o destaque aos expoentes associados à identidade do local, como os célebres nomes da política, o Crônicas inverte a ordem e vai atrás dos personagens que não costumam aparecer. Como reflexo, um número expressivo de depoimentos acaba por registrar fatos e feitos inéditos, que ajudam a comunidade a lançar novos olhares sobre personagens e períodos. Constata-se que o projeto concilia o pitoresco e o incomum e o tradicional e o conhecido, e ao mesmo tempo os apresenta a partir do olhar atual, humanizado. Além da via impressa, a comunidade acessa o acervo feito sobre e para São Borja pelo Instagram (cronicasdacidadesb) e o Facebook (colunacronicasdacidade). Portanto, o projeto consolida um repertório de bens culturais de natureza imaterial, conforme a concepção do IPHAN (www.portal.iphan.org.br), já que as produções acabam por trazer à tona, em meio às histórias privadas, a manifestação de práticas ligadas a saberes, ofícios e modos de fazer; a formas de expressão individual e coletiva e a lugares e suas características. O projeto, pois, mantém-se firme, após década e meia, com a ideia de prosseguir constituindo o patrimônio cultural imaterial da cidade, através de histórias singulares, perpetuando e visibilizando relatos de pessoas comuns a figuras emblemáticas e, assim, oferecendo a São Borja um repertório de narrativas tão vasto quanto diverso, e que a cada edição fortalece, no reconhecimento dos cidadãos, a percepção do vínculo entre a Unipampa e a comunidade. Referências: BRUM, Eliane. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006; COSTA, Fernando Braga da. Moisés e Nilce: retratos biográficos de dois garis. Um estudo de psicologia social a partir de observação participante e entrevistas. Tese de Doutorado. São Paulo: USP, 2008; IJUIM, Jorge Kanehide. Por que humanizar o jornalismo (?). São Leopoldo: Verso e Reverso/Unisinos, set-dez 2017; IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Disponível em www.portal.iphan.gov.br. Acesso em: 27 ago. 2025; MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente. São Paulo: Summus, 2003; MUSEU DA PESSOA. Disponível em www.museudapessoa.org.br. Acesso em: 27 ago. 2025; VELHO, Gilberto e KUSCHNIR, Karina (orgs.) Mediação, Cultura e Política. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

Crônicas da Cidade, 15 Anos: Contribuindo Ao Patrimônio Cultural Imaterial de São Borja/rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120356. Acesso em: 14 abr. 2026.