EFEITOS DO EXTRATO DE JAMELÃO (SYZYGIUM CUMINI) SOBRE A PEROXIDAÇÃO LIPÍDICA NUM MODELO DE PARKINSON

Autores

  • Joao Rocha
  • Joao Rocha
  • Jean Carlos Costa Nogueira
  • Ruth Helena Coffi Castro
  • Raquel de Moura
  • Cristiane Casagrande Denardin
  • Luís Paulo dos Santos Ribas

Palavras-chave:

6-Hidroxidopamina, Ratos, Wistar, Neuroproteção

Resumo

A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo e é relacionada ao processo de envelhecimento. A degeneração dos neurônios dopaminérgicos é ocasionada por diversas alterações bioquímicas relacionadas ao estresse oxidativo. Foi descrito na literatura que o processo de peroxidação lipídica contribui para a fisiopatologia da DP, estando presente nos tecidos atingidos pela doença. A DP não possui uma cura conhecida e novas alternativas de tratamentos que modulem seus efeitos patológicos são necessários. Neste contexto, o jamelão (Syzygium cumini) é fruto fico em antocianinas e ácidos fenólicos que desempenham expressiva atividade antioxidante no organismo. De acordo com estudos, o jamelão possui efeito neuroprotetor e pode ser um potencial alvo para o tratamento de doenças que atingem o sistema nervoso. Portanto, o objetivo desse estudo é avaliar os efeitos do extrato de jamelão sobre os níveis de peroxidação lipídica em um modelo da doença de Parkinson em ratos Wistar. O protocolo foi aprovado pelo Conselho de Ética no Uso de Animais (CEUA) Unipampa Uruguaiana, sob número de registro 018/2023. O extrato de jamelão foi obtido através de uma extração etanólica. Para tanto, 50 ratos Wistar machos foram divididos em 5 grupos: 1 Controle - sem indução e gavagem com salina; 2 - 6-OHDA induzido e gavagem com salina; 6-OHDA + EXT 500 mg/kg induzido e gavagem com extrato; 6-OHDA + EXT 750 mg/kg induzido e gavagem com extrato e 6-OHDA + LEVODOPA induzido e gavagem com levodopa 6mg/kg. A indução da DP foi através de cirurgia estereotáxica onde foi aplicada injeção intraestriatal unilateral de 6-OHDA (20 μg/3μl) em solução salina contendo 0,02% de ácido ascórbico e os tratamentos com extrato de jamelão e levodopa realizados durante 30 dias. Após o período de tratamento os animais foram eutanasiados e realizada a coleta dos tecidos estriado, hipocampo, córtex pré-frontal, cerebelo e músculo gastrocnêmico. Os tecidos foram homogeneizados para realização da técnica de reação de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS) que através da quantificação do Malondialdeído (MDA) determina uma medida de peroxidação lipídica. Em nossos resultados, foi demonstrado que em todos os tecidos testados houve um processo de peroxidação lipídica significativamente aumentado no grupo induzido com 6-OHDA em relação ao grupo controle, porém esses parâmetros foram modulados pelos tratamentos propostos. Mais especificamente, no tecido estriado observamos que o tratamento com extrato de jamelão na dose de 500mg/kg reduziu significativamente os níveis de MDA em comparação com o grupo 6-OHDA, resultado que também foi observado no grupo tratado com Levodopa. No hipocampo, o extrato em ambas as doses foi capaz de diminuir significativamente os níveis de MDA em comparação com o grupo 6-OHDA, sendo que o grupo tratado com levodopa não apresentou diminuição significativa nesse parâmetro. No córtex pré-frontal, os tratamentos propostos reduziram significativamente o processo de peroxidação lipídica, assim como no estriado o tratamento com extrato demonstrou efeitos semelhantes ao do levodopa, evidenciando a capacidade antioxidante do extrato de jamelão no sistema nervoso central. Ainda, no cerebelo de modo similar ao encontrado no hipocampo, o levodopa não pareceu oferecer qualquer diminuição em relação à peroxidação lipídica quando comparado ao grupo 6-OHDA, enquanto que os grupos tratados com extrato obtiveram a esperada redução no processo de peroxidação lipídica. No tecido periférico analisado, o músculo gastrocnêmico, observou-se que ambas as doses do extrato ofereceram uma redução significativa nos níveis de MDA em relação ao grupo 6-OHDA, fator também evidenciado no grupo tratado com levodopa. Tem se, por meio dos resultados obtidos, que o extrato de jamelão foi capaz de combater o processo de peroxidação lipídica nos tecidos estriado, hipocampo, córtex pré-frontal, cerebelo e gastrocnêmio, evidenciando seu potencial neuroprotetor e antioxidante que é comparável a ação do fármaco levodopa, padrão ouro para o tratamento da DP. Vale ressaltar ainda, que nos tecidos hipocampo e cerebelo o extrato se mostrou mais eficiente no combate a peroxidação lipídica que o levodopa.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

EFEITOS DO EXTRATO DE JAMELÃO (SYZYGIUM CUMINI) SOBRE A PEROXIDAÇÃO LIPÍDICA NUM MODELO DE PARKINSON. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118918. Acesso em: 17 abr. 2026.