CONSOLIDAÇÃO E PERSISTÊNCIA DA APRENDIZAGEM INDUZIDA POR UMA ÚNICA SESSÃO DE EXERCÍCIO-FÍSICO NO AMBIENTE EDUCACIONAL
Palavras-chave:
Memória, Educação, TranslaçãoResumo
A educação formal tem a aprendizagem e a memória como seus pilares fundamentais. Embora não sejam exatamente sinônimos, sem memória, não é possível aprender. No entanto, aprender vai além de formar uma memória; envolve ser capaz de utilizar a informação memorizada em diferentes contextos. Assim, buscar estratégias para facilitar o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes é crucial. Os estudos translacionais são fundamentais nesse processo, ao aplicar estratégias eficazes desenvolvidas em laboratórios universitários no cotidiano educacional. Estudos com roedores, incluindo aqueles realizados dentro da nossa Universidade, têm mostrado que uma sessão de exercício físico (EF) moderado realizada após a aprendizagem, provoca mudanças nos sistemas de neurotransmissão dopaminérgico e noradrenérgico e influencia a memória. O objetivo deste trabalho é avaliar se a prática de uma única sessão de exercício físico após um aprendizado escolar é capaz de qualificar os processos de aprendizagem dos estudantes da Educação Básica. Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética da UNIPAMPA (CAAE 61470922.6.0000.5323) e realizado em duas escolas de Uruguaiana/RS, com turmas do 8º ano. Participaram do estudo 73 estudantes, divididos em Grupo Controle (CT; n=35) e Grupo Exercício Físico (EF; n=38). No primeiro dia do experimento, a equipe de trabalho foi apresentada, e uma breve explicação das atividades foi realizada. Esse primeiro contato teve como objetivo evitar o efeito da novidade durante as coletas, uma vez que essa também é um fator que modula a aprendizagem. Após esse primeiro contato, os estudantes assistiram a uma aula de ciências e, logo depois, realizaram ou não uma sessão de 30 minutos de EF em formato de circuito aeróbico, com controle da intensidade (moderada). Foram realizadas coletas de saliva em diferentes tempos (basal, após exercício, 3h, 24h e 7 dias após a aula). A alfa-amilase foi utilizada como uma medida indireta da ativação noradrenérgica. O aprendizado (memória) dos estudantes sobre o conteúdo da aula foi avaliado em três momentos diferentes (3h, 24h e 7 dias após a aula) por meio de testes de conhecimento, compostos por 10 questões de diferentes graus de dificuldade (fácil, intermediário e difícil). Também foi avaliada a autopercepção de conhecimento dos estudantes nos mesmos intervalos, e todos responderam ao Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE-E) para avaliar a ansiedade no momento dos testes. As análises estatísticas foram realizadas utilizando ANOVA de duas vias, seguida por post-hoc de Tukey ou Bonferroni. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas quando p<0,05. Os resultados revelaram uma melhora significativa no conhecimento dos estudantes que realizaram uma sessão de EF (p=0,0147 vs. CT), considerando o teste aplicado 24h após a aula. No entanto, esses benefícios não persistiram no teste de 7 dias. Na comparação intragrupo, o grupo EF apresentou um ganho significativo na retenção do conhecimento no teste realizado 24h (p=0,0102) em comparação ao teste de 3h, mostrando melhora na modulação da memória de longa duração. Quanto ao teste de percepção de aprendizagem, houve uma variação ao longo do tempo. O grupo EF inicialmente se sentiu menos confiante (3h após a intervenção), mas sua autoconfiança melhorou após 7 dias (p=0,0175). Diferenças intragrupo no IDATE foram encontradas no grupo EF nos tempos 24h e 7 dias (p=0,0102). Não foram observadas diferenças significativas nos níveis de alfa-amilase entre os grupos ou dentro dos grupos ao longo dos diferentes testes. O estudo mostrou que o EF melhora a retenção da aprendizagem após 24 horas, o que está ligado à ativação de mecanismos neurobiológicos que melhoram a consolidação da memória de longa duração. Além disso, a autopercepção de conhecimento dos estudantes melhorou ao longo do tempo, eles se sentiram mais confiantes em relação à sua aprendizagem, o que pode estar relacionado ao melhor desempenho no teste de 24 horas. Os resultados do IDATE também indicam que eles se sentiram menos ansiosos. Embora o EF não tenha mostrado um impacto significativo na função noradrenérgica, é importante lembrar que essa é uma medida indireta e pode não refletir com precisão as mudanças centrais nos níveis de noradrenalina. Assim, os resultados do estudo destacam a possibilidade de inclusão da prática de uma sessão de EF como uma estratégia inovadora para qualificação da aprendizagem escolar.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
CONSOLIDAÇÃO E PERSISTÊNCIA DA APRENDIZAGEM INDUZIDA POR UMA ÚNICA SESSÃO DE EXERCÍCIO-FÍSICO NO AMBIENTE EDUCACIONAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118899. Acesso em: 17 abr. 2026.