EXTRAÇÃO DE COMPOSTOS BIOATIVOS EM BANHO ULTRASSÔNICO DA CASCA DA ACÁCIA-NEGRA

Autores

  • Andressa Baloqui da Silva
  • Maria Eduarda Soares Delgado
  • Beatriz Cristina Santorsula de Chico
  • Caroline Costa Moraes

Palavras-chave:

sonda, ultrassônica, fenóis, totais, antioxidantes

Resumo

No Brasil, a acácia-negra é a terceira espécie florestal mais plantada, superada apenas por Eucalyptus e Pinus. Sua importância econômica e social é destacada especialmente no Rio Grande do Sul, onde contribui significativamente para o reflorestamento e auxilia na renda de pequenas propriedades. A acácia-negra (A. meamsii De Wild.) é uma árvore heliófila que pode atingir até 15 m de altura, com copa arredondada, tronco reto e casca lisa. Suas folhas são bipinadas e suas flores têm coloração amarelo pálido. Além disso, a casca é usada para extrair taninos, importantes no curtimento de peles, e floculantes, que são mais sustentáveis e menos tóxicos que os produtos químicos utilizados no tratamento de água. Sua madeira também é utilizada na produção de celulose e carvão. A justificativa para este estudo está fundamentada na crescente demanda por alternativas naturais e sustentáveis para a obtenção de substâncias bioativas, que podem ser aplicadas em medicamentos, suplementos alimentares e cosméticos de resíduos que não seriam utilizados. O objetivo deste trabalho foi extrair os compostos bioativos da casca da acácia-negra utilizando uma sonda ultrassônica com diferentes tempos e temperaturas. Também foram determinados os teores fenólicos e a atividade antioxidante dos extratos. Em seguida, os resultados foram comparados por meio de análise de variância e teste de Tukey, utilizando o software PAST 4.17. O procedimento experimental iniciou-se com a preparação do extrato, onde foi adicionado 0,5 g da amostra seca e em pó à 50 ml de solvente em um erlenmeyer. O solvente extrator selecionado foi a água. Para averiguar os efeitos das variáveis independentes, foram testados diferentes tratamentos com variações de temperatura (40 e 80°C) e tempo (15 e 30 min). Em seguida, levou-se a mistura em uma sonda ultrassônica, com tempo e temperatura ajustados conforme planejamento experimental. Posteriormente, a solução foi filtrada e utilizada para realização das análises. A análise de fenóis totais foi determinada de acordo com o método de Folin-Ciocalteu, com algumas alterações (SINGLETON et al., 1999) e a análise de atividade antioxidante foi realizada pelo método proposto por Boroski et al., (2011), com algumas modificações. Após a realização das análises, tratou-se os dados, percebeu-se que o tratamento que demonstrou melhor desempenho para fenóis totais foi a extração a 40°C por 30 min. Realizou-se a análise de variância (ANOVA), que indicou uma diferença significativa entre os grupos (F = 551,9, p < 0,0001). O teste Tukey demonstrou que o tratamento a 40° por 30 min apresentou concentrações maiores que os demais tratamentos. Esses resultados sugerem que a extração a temperaturas mais baixas, por períodos mais longos, pode ser mais eficaz para a obtenção de fenóis totais da acácia-negra. Também realizou-se a análise de variância (ANOVA) para a análise de atividade antioxidante, que indicou uma pequena diferença entre os grupos (F = 14,71, p = 0,0002532). O teste Tukey não demonstrou diferença entre os tratamentos a 40°C por 15 min, 80°C por 15 min, e 80°C por 30 min (p = 0,0008551) sendo estes eficazes na extração, independentemente do tempo de extração utilizado no processo. Porém, convém lembrar que a extração a 40°C, o gasto energético é inferior. Realizando uma averiguação dos resultados, pode-se perceber que a eficiência do processo é expressivamente influenciada pela temperatura e pelo tempo de extração. Entre os tratamentos avaliados, o melhor desempenho observado foi a 40°C por 30 min para a fenóis totais à 680,7 mgEAG/g ± 1,31 e 40 °C por 15 min para a atividade antioxidante a 84,9% ± 1,35. Após a argumentação apresentada neste trabalho, ressalta-se que a extração de fenóis totais e atividade antioxidante foi eficiente e, que temperaturas mais elevadas otimizam a liberação desses compostos bioativos. Portanto, a utilização de sonda ultrassônica à 40°C com variação do tempo pode ser considerada uma abordagem eficiente para maximizar a extração de compostos fenólicos da casca da acácia- negra.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

EXTRAÇÃO DE COMPOSTOS BIOATIVOS EM BANHO ULTRASSÔNICO DA CASCA DA ACÁCIA-NEGRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118896. Acesso em: 17 abr. 2026.