DIFICULDADES ENCONTRADAS NA EXECUÇÃO DO CURSINHO POPULAR DA FRONTEIRA OESTE DO RS: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Lucas Mwamakamba
  • Gabriel Coelho Carvalho
  • Ana Paula Pesarico

Palavras-chave:

Extensão, educação, popular, voluntariado

Resumo

Segundo defende o ilustre antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, o Brasil é um país repleto de desigualdades socioeconômicas, reflexo do descaso da classe dominante com a população mais carente. Como repercussão disso, as oportunidades de frequentar um cursinho pré-vestibular muitas vezes ficam restritas a quem tem uma melhor situação financeira e tem possibilidades de pagar por um curso privado. Entretanto, a experiência de criação de cursinhos populares ao redor do país vem crescendo ao passar do anos, a exemplo do cursinho popular da Universidade de São Paulo, da experiência ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, e não foi diferente na fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde se notabilizou o empenho de discentes e docentes do curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) para a elaboração dessas atividades. Apesar disso, muitos impasses estão ligados à plena execução do cursinho popular, aspectos os quais esse trabalho visa elucidar. O presente resumo é um estudo descritivo do tipo relato de experiência, organizado por discentes do curso de medicina da UNIPAMPA. Esse trabalho decorre da experiência prática desenvolvida no Cursinho Popular de Uruguaiana durante os meses de abril a julho de 2024, na Escola Estadual de Ensino Médio Marechal Cândido Rondon, entre terça-feira e quinta-feira, à noite. As aulas lecionadas eram previamente elaboradas conforme cronograma disponibilizado pelos coordenadores do projeto, de acordo com a disponibilidade da escola. As aulas foram tipo expositivas, das disciplinas exigidas pelo edital de 2024, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), para o Exame Nacional do Ensino Médio a ser realizado ao final deste ano. Durante o desenvolvimento do Cursinho Popular de Uruguaiana, ficou perceptível alguns entraves, no que tange a plena execução do projeto de ensino, indo desde aspectos ligados à infraestrutura local, até aspectos socioeconômicos dos voluntários e alunos. Primeiramente, vale destacar os horários disponibilizados pela escola, fazendo com que as aulas fossem realizadas das 18h45min até 22h, sendo esse período dividido em 4 aulas; embora esse cronograma fosse necessário, ele acabou, por algumas vezes, sobrecarregando os envolvidos, visto que muitos já tinham uma jornada diária muito desgastante, comprometendo o processo de ensino-aprendizagem. Ademais, questões ligadas a infraestrutura local também foram relevantes, uma vez que em diversos casos, não haviam salas com projetores disponíveis, pincéis para quadro negro, apagadores de quadro, dentre outros equipamentos essenciais para a apresentação de uma aula dinâmica e eficaz pelos professores voluntários. Ademais, outro impasse encontrado foi a falta de incentivo aos estudantes, visto que eles tinham que ficar até tarde da noite no colégio para verem as aulas do cursinho, sem nenhum tipo de auxílio de transporte, desestimulando muitos a continuarem indo às aulas regularmente. Isso fica muito evidente quando olha-se os registro de frequências dos alunos nas aulas, sendo que no dia 28 de maio, um dia após as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) serem abertas, estavam presentes 22 alunos, enquanto que no dia 28 de agosto, primeiro dia letivo do semestre, estavam presentes apenas 2 alunos em classe, segundo conta em registro dos monitores. Dessa forma, ao longo do semestre foi perceptível que por conta dos problemas, principalmente o desincentivo aos estudantes frequentarem o cursinho popular, diversos deles frequentam as aulas irregularmente ou, até mesmo, já desistiram. Assim, evidencia-se que, apesar das potencialidades do voluntariado e espírito público dos servidores da escola, o pleno acesso à educação de qualidade encontra inúmeros obstáculos para sua concretização. Logo, exige-se maior disponibilidade de recursos públicos para o enfrentamento das desigualdades sociais e econômicas no país para que os anseios de Darcy Ribeiro sejam alcançados.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

DIFICULDADES ENCONTRADAS NA EXECUÇÃO DO CURSINHO POPULAR DA FRONTEIRA OESTE DO RS: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118885. Acesso em: 17 abr. 2026.