Geografar o campo... A Cartografia Socioeducacional no Programa Escola da Terra
Palavras-chave:
Cartografia, Socioeducacional, Escolas, Campo, Escola, TerraResumo
O Programa Escola da Terra é um programa do MEC, desenvolvido junto com Universidades Públicas e escolas do campo das Redes Municipais e Estaduais, cujo objetivo é: Promover a melhoria das condições de acesso, permanência e aprendizagem dos estudantes do campo e quilombolas em suas comunidades, por meio do apoio à formação de professores que atuam nas turmas dos anos iniciais do ensino fundamental, compostas por estudantes de variadas idades, e em escolas de comunidades quilombolas, fortalecendo a escola como espaço de vivência social e cultural. Em 2023/2024 a Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA, ofertou no âmbito do Programa Escola da Terra um Curso de Aperfeiçoamento Educação do Campo em Movimento, destinado a 160 professoras/es de 40 escolas do campo dos municípios de Dom Pedrito, Piratini e SantAna do Livramento - RS. O Curso foi desenvolvido no regime de Alternância, com 3 grandes módulos, que na nossa proposta pedagógica chamamos de Espirais. Cada Espiral com duração de 60 horas organizadas em Alternância, com encontros com formadores (Tempo Aula) e atividades desenvolvidas nas escolas e comunidades das/os cursistas (Tempo Escola/Comunidade). Ao longo do curso foram propostas atividades durante o Tempo Escola/Comunidade, sendo elas: Cartografia Socioeducacional, Arpilleras e Quadros de Sementes. Nesse espaço, vamos falar da Cartografia que tem como referência a Cartografia Social. Esta é um ramo da Cartografia que elabora mapas sociais, que expressam a realidade de populações específicas (Ascelrad; Coli, 2008). Os mapas são criados com a participação dessas comunidades e usados como instrumento de defesa de seus direitos, no planejamento e na transformação social. O processo de representação e construção de conhecimentos territoriais é feito em coletividade, pois ao passo que organiza os elementos nele inseridos, também incita à ação nos sujeitos envolvidos. Assim, a diversidade de interesses faz surgir representações múltiplas e para distintas finalidades do espaço e outras formas de produzir o saber cartográfico para além dos ambientes tradicionais. Pode ser adaptada e complementada por cada educador e educadora de acordo com suas concepções teóricas, um caminho, uma espiral a ser desenhada, podendo subsidiar e estimular a abertura do nosso universo perceptual na perspectiva sistêmica e holística da vida. Durante o Tempo Escola/Comunidade as cursistas criaram suas cartografias com seus estudantes a partir da escola. A ideia é que a cartografia socioeducacional fosse como um grande livro didático, no qual elementos da realidade compõe um traçado de signos e símbolos que vão dando significado ao território, ao lugar onde vivem. O lugar como relação de pertencimento problematizado é compreendido como o elo afetivo que une o indivíduo ao lugar ou ambiente físico (Tuan, 1980). O lugar como um conjunto complexo, enraizado no passado e incrementando com o passar do tempo, com o acúmulo de experiências e sentimentos. O Território como gerador de raízes e identidade. Um grupo não pode ser compreendido sem a análise sobre seu território no sentido que a identidade territorial é parte intrínseca da identidade sociocultural. Tratando-se de uma produção coletiva na qual todos os participantes são importantes, alguns preceitos são fundamentais tais como a intencionalidade pedagógica definida, estar aberto ao inesperado, a valorização dos saberes dos escolares objetivos e subjetivos, o investimento na dialogicidade, criatividade e ludicidade, sempre valorizando a escala local contextualizada nas demais dimensões nacional e global. Assim, durante o curso em que cerca de 160 cursistas de 40 escolas das redes públicas dos municípios anteriormente citados, criaram seus mapas utilizando o estudo do meio como metodologia para a imersão nos territórios escolares. Os mapas foram confeccionados em diversos materiais com desenhos, colagens e até mesmo usando as Arpilleras (histórias contadas em tecido) para sua produção. Os resultados mostraram uma diversidade de percepções sobre o espaço, casas, árvores e principalmente estradas por onde o transporte escolar percorre pegando em suas localidades as/os estudantes para acessar a escola. Isso é uma característica das escolas do campo. Durante longos períodos percorrendo os trajetos até a escola, um repertório de elementos vai se incorporando na cartografia, mostrando a sociodiversidade, a biodiversidade, os ecossistemas, os cultivos, as moradias, que vão sendo significadas e retratadas. É um processo contínuo de percepção e apropriação dos espaços escolares.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Geografar o campo... A Cartografia Socioeducacional no Programa Escola da Terra. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118853. Acesso em: 17 abr. 2026.