ACOLHIMENTO NA PRÁTICA DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE NO CENÁRIO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Palavras-chave:
Acolhimento, Agente, Comunitário, Saúde, Atenção, Primária, Educação, PermanenteResumo
A Atenção Primária à Saúde (APS) corresponde ao primeiro nível do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável pela organização e ordenamento das redes de saúde. Assim, deve garantir o acesso aos usuários através da qualificação das demandas e do fortalecimento dos vínculos, de modo que assegure a continuidade do cuidado, além de favorecer a participação do usuário na autonomia da tomada de decisão acerca do seu processo de saúde-doença. A grande variabilidade de condições de saúde nas dimensões subjetivas, orgânicas e sociais, resultam em demandas e necessidades de saúde complexas e mutáveis. Logo, a APS para desempenhar seu papel de resolutiva, necessita possuir tanto uma ampla capacidade de escuta, quanto uma ampliada quantidade de oferta. Deste modo, o acolhimento é reconhecido como uma prática construtiva das relações de cuidado entre usuários e trabalhadores de saúde e uma postura ética. É através da escuta qualificada que se realiza a compreensão das necessidades de saúde dos usuários de forma legítima e sem julgamentos. À vista disso, constitui-se como uma estratégia de ampliação do acesso, pois se estabelece como parte integrante de todo o processo de trabalho na APS. Assim como, a prática do acolhimento pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) na Estratégia Saúde da Família (ESF), também se considera como estratégia de ampliação do acesso, pois eles são o principal elo entre os usuários do território e a equipe de saúde. Portanto, o objetivo do trabalho é relatar a experiência de uma capacitação sobre a prática do acolhimento na APS, aos Agentes Comunitários de Saúde das Estratégias Saúde da Família. Em relação aos aspectos metodológicos, trata-se de um estudo descritivo de natureza qualitativa na modalidade relato de experiência, de uma capacitação com a temática da prática do acolhimento na APS destinada aos ACS que fazem parte das 19 ESFs de um município da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A capacitação foi ministrada por uma profissional graduada em enfermagem atuante no Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Pampa. A capacitação foi realizada no mês agosto de 2024, presencialmente no Núcleo Municipal de Educação em Saúde Coletiva (NUMESC), contabilizando 4 horas de atividade. A explanação do conteúdo foi realizada com o auxílio de um projetor multimídia. Inicialmente, foi disponibilizado uma ficha de avaliação pré- capacitação, por meio de um questionário, com 6 perguntas, as quais 3 eram perguntas abertas sobre sexo, idade e tempo de vínculo com a unidade de saúde e 3 perguntas objetivas com alternativas de "Sim" ou "Não", referentes as adequação das condutas de realização do acolhimento nas unidades de saúde, a aptidão dos participantes para realização do acolhimento e se eles já haviam tido alguma capacitação sobre a temáttica durante seu tempo de serviço na APS. A ficha de avaliação se constitui como forma de caracterização dos participantes e identificar o conhecimento prévio deles sobre a temática. Após, iniciou-se a explanação dos conteúdos da capacitação, as quais abarcaram desde a estruturação da APS, a conceitualização de acolhimento, às diferenças entre triagem e acolhimento, a implementação do acolhimento, bem como seus modelos e fluxos, até a avaliação dos riscos e vulnerabilidades por parte da equipe de saúde. Durante a capacitação, foi constantemente enfatizado o trabalho do ACS quanto ao fortalecimento do vínculo com a comunidade e a equipe de saúde. Ao final da atividade foi destinado um momento para sanar as dúvidas e discussão sobre as práticas de acolhimento dentro dos territórios do município. A atividade contou com a participação de 102 ACS, dos quais 79 eram do sexo feminino e 23 do sexo masculino, com faixa etária de 24 à 64 anos. Quanto ao tempo de vínculo com a unidade de saúde, 77 dos trabalhadores estão a mais de três anos dentro do serviço. Quando questionados sobre as condutas de realização do acolhimento estarem sendo desenvolvidas de forma correta na unidade de saúde, 92 trabalhadores responderam que Sim. Em relação à aptidão para realização do acolhimento, 96 trabalhadores se consideram competentes para acolher os usuários da APS. Por fim, quando questionados sobre se já haviam recebido alguma capacitação sobre o acolhimento durante o seu tempo de serviço na APS, 62 trabalhadores responderam que "Sim" e 40 responderam que não tiveram acesso a capacitação sobre a temática. Com isso, a atividade foi capaz de evidenciar que os ACS correspondem a um grande montante da força de trabalho da APS. Eles possuem papel fundamental no vínculo do usuário com a equipe, desenvolvendo ações de orientação comunitária e tradutores dos saberes técnicos e populares, e assim desempenhando sua competência no âmbito cultural. Assim, destaca-se a importância destes profissionais na prática do acolhimento nas unidades de saúde e reforça a importância da educação permanente dentro dos espaços de educação coletiva.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ACOLHIMENTO NA PRÁTICA DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE NO CENÁRIO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118826. Acesso em: 17 abr. 2026.