A ALIMENTAÇÃO COMO DISPOSITIVO PROMOTOR DE INTEGRALIDADE EM SAÚDE NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
Palavras-chave:
saúde, mental, nutrição, CAPSResumo
Considerando o contexto das escolhas alimentares na atualidade, há um aumento de doenças crônicas na mesma medida em que a oferta de alimentos ultraprocessados aumenta exponencialmente, considerando que o estilo de vida atual fomenta o consumo de uma alimentação inadequada e o sedentarismo. Os padrões alimentares estão relacionados diretamente aos processos de individuação e são influenciados por fatores socioculturais e econômicos. Para a promoção de mudanças nas práticas alimentares, há que considerar a forma como a alimentação é vista e aderida em sua subjetividade, formas e histórias de vida. O ato de alimentar-se contempla em um sistema maior que abrange as relações humanas, não podendo ser reduzido apenas ao caráter nutricional; o alimento perpassa diferentes áreas, momentos da vida e de saberes; a construção do ato de alimentar implica em vários fatores cognitivos relacionados às escolhas, crenças, representações simbólicas e aprendizagem. Com o advento da Reforma Psiquiátrica, segundo a atual política de Saúde Mental (SM) no Brasil, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são "dispositivos estratégicos para a organização da rede de atenção em Saúde Mental. Dessa forma, o presente relato descreve a elaboração e realização de uma intervenção grupal em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), tendo a alimentação como dispositivo promotor da integralidade em saúde na atenção psicossocial. A proposta é produto educacional desenvolvido no âmbito do componente curricular (CC) Cuidado Nutricional na Abordagem do Indivíduo-Família-Comunidade, do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva. A nutricionista residente conduziu a estruturação da proposta, que envolveu a atuação colaborativa de outros dois residentes, o fisioterapeuta e a psicóloga. O público-alvo são os profissionais que atuam no CAPS II, local que atende pessoas maiores de 18 anos, em intenso sofrimento psíquico, decorrente de transtornos mentais graves e persistentes e um dos campos de atuação dos residentes de primeiro ano. A proposta foi estruturada a partir do Instrutivo: Metodologia de Trabalho em Grupos Para Ações de Alimentação e Nutrição na Atenção Básica, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, sendo um material flexível e que pode ser adequado à realidade de cada serviço. Foram previstos um total de 7 encontros, a serem realizados quinzenalmente, com uma hora de duração. Entre as oficinas serão realizadas ações no ambiente. Após cada encontro será montado um painel, com informações do grupo, receitas e curiosidades que ficará exposto a todos. Até o momento, foram realizados dois encontros (agosto/2024), com apresentação do cronograma, objetivos, métodos e demais ferramentas a serem utilizadas no grupo. Para propiciar um ambiente acolhedor e ético foi pactuado com os participantes princípios e condutas que deverão ser adotadas no grupo, através de um contrato de convivência, devidamente assinado por todos. Antecedendo o primeiro encontro, uma cesta foi confeccionada e exposta no ambiente para observação, dividida em duas partes. Em um dos lados, foram colocados alimentos in natura (frutas, verduras e legumes) e no outro, alimentos ultraprocessados (leite condensado, achocolatado, alimento congelado). Para o segundo encontro, um espelho foi posicionado no fundo de uma sacola ecológica, também para que os trabalhadores olhassem e observassem o reflexo no espelho. Ambas as ações trouxeram relatos e indagações referentes aos padrões alimentares e a preocupação com a imagem corporal. Foram discutidos os graus de processamentos dos alimentos, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, a presença e como estes alimentos podem influenciar a qualidade da alimentação e o estado de saúde. No segundo encontro, a imagem refletida no espelho apontou a importância do autoconhecimento, da aceitação corporal, sem que padrões impostos pela mídia influenciem o bem-estar consigo. A partir dos encontros do grupoterapia realizados até o momento, para além do autocuidado, é importante reafirmarmos a importância do intercuidado. Em uma perspectiva de que, quem cuida, também precisa ser cuidado, a alimentação apresenta-se como um bom dispositivo promotor da integralidade em saúde.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A ALIMENTAÇÃO COMO DISPOSITIVO PROMOTOR DE INTEGRALIDADE EM SAÚDE NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118825. Acesso em: 17 abr. 2026.