VIVÊNCIAS ACADÊMICAS NA GESTÃO DO CASO: FORMAÇÃO DE ENFERMEIRAS EM REDE DE ATENÇÃO EM SAÚDE
Palavras-chave:
Gestão, Caso, Enfermagem, ExtensãoResumo
Os sistemas do corpo humano exercem diversas funções para a manutenção da vida, e as disfunções orgânicas podem levar a complicações graves. Especialmente, o sistema renal, responsável pela eliminação de metabólitos e filtração glomerular, e a obstrução da uretra pode culminar na lesão renal aguda, de origem pós renal. Pacientes com essa alterações podem evoluir para um estado clínico que exige cuidados de alta complexidade em unidade de terapia intensiva. Com a recuperação e alta hospitalar, é necessário a continuidade do cuidado com o paciente já em domicílio, para a manutenção da condição de saúde que levou a internação, prevenindo agravos a fim de evitar reinternações. Com isso, a intersetorialidade torna-se protagonista, pois permite que ocorra a troca de informações entre os diferentes setores da saúde, garantindo um cuidado e assistência de qualidade. Entretanto, o fluxo é interrompido, pois existem falhas nos sistemas, que geram fragilidades, como a de não conseguir atender a todas as demandas da população. A vista disso, é crucial reconhecer o papel das atividades extensionistas universitárias, que integram estudantes em diversas áreas. Essas atividades atuam como uma ponte entre a universidade, os serviços de saúde e a comunidade. O objetivo deste relato é demonstrar a importância da continuidade do cuidado e o impacto positivo das atividades extensionistas na gestão de casos clínicos em rede de atenção à saúde. As atividades de gestão do caso em rede de atenção em saúde foram desenvolvidas a partir das vivências do componente curricular: Gestão da Clínica na Organização Hospitalar, ofertado para o 7° semestre do curso de Enfermagem, da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana. As atividades de extensão estão vinculadas ao Projeto de Extensão intitulado: Gestão do caso em rede de atenção em saúde: ações extensionistas para a formação do Enfermeiro, registrado no sistema de projetos acadêmicos, sob o número 2024.EX.UR.314. O objetivo foi desenvolver ações de extensão através da gestão de caso, com a seleção de um paciente portador de uma condição clínica complexa, internado na Unidade de Terapia Intensiva Adulto (UTIA) de um Hospital Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, nos meses de abril a junho de 2024, totalizando 60 horas de extensão. Para desenvolver o acompanhamento no período pós alta e seu itinerário nos serviços de saúde, seguiu-se a metodologia da gestão da clínica em situações complexas, que oferta o cuidado baseado em evidências científicas. Foram realizadas 05 visitas domiciliares destinadas à avaliação do estado geral do paciente, assim como a implementação da educação em saúde, visando a melhoria de seu autocuidado. Primeiro, as atividades deram início após a escolha do paciente para a gestão do caso, que apresentava o diagnóstico de Insuficiência Renal Aguda, pós Parada Cardiorrespiratória. Após a alta hospitalar, o paciente encontrava-se fazendo uso de sonda suprapúbica, com dermatite de contato no dorso e necessitando de orientações acerca do uso de diversos medicamentos. Deste modo, houve a necessidade por parte das discentes de realizar a retomada de conteúdos sobre conhecimentos específicos, fundamentando-se em referências bibliográficas atualizadas, além de manter o contato com a docente para auxílio quando necessário, assim, ofertando embasamento teórico ao paciente, ao mesmo tempo em que faziam educação em saúde com as visitas domiciliares e contato semanal via WhatsApp, com linguagens coloquiais para que houvesse a devida compreensão. Ainda, para entender o estilo de vida do usuário, foi realizado uma investigação de seu itinerário nos serviços de Saúde, como o Núcleo de Integração Regulatório (NIR), Centro de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (CAPS AD) e a Estratégia de Saúde da Família (ESF), o que possibilitou para as acadêmicas compreenderem a articulação dos usuários dentro dessas esferas, ao mesmo tempo em que percebeu-se suas fragilidades em não conseguir fazer com que os pacientes mantivessem a constância nas visitas. Também, houve o acompanhamento juntamente ao usuário nos serviços de nutrologia, dermatologia, urologia e realização de exames, todos encaminhados pelo SUS, possibilitando a assimilação de como são realizados os direcionamentos e orientações de outros profissionais. Posto isso, destaca-se a importância da gestão do caso para a evolução clínica do paciente, e o suporte aos cuidadores, tendo em vista que possibilitou sua aderência aos cuidados pós desospitalização. Ademais, mostrou-se uma ferramenta transformadora não só para o usuário, mas também para as acadêmicas envolvidas, pois permitiu entender as fragilidades e potencialidades dos serviços. Destarte, faz-se necessário que outras universidades adotem práticas semelhantes, para que ocorra melhor reconhecimento e visibilidade sobre a gestão do caso durante a formação universitária, formando profissionais menos despreparados, com excelência e o com o mais importante, empatia.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
VIVÊNCIAS ACADÊMICAS NA GESTÃO DO CASO: FORMAÇÃO DE ENFERMEIRAS EM REDE DE ATENÇÃO EM SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118793. Acesso em: 18 abr. 2026.