O QUE OS ESCOLARES SABEM SOBRE O GRAU DE PROCESSAMENTO DOS ALIMENTOS?

Autores

  • Elen Oliveira Blanco
  • Lucas Rosseto Costa
  • Marina dos Santos

Palavras-chave:

Educação, nutricional, Classificação, alimentar, Hábitos, alimentares

Resumo

A classificação dos alimentos é um aspecto essencial a ser abordado nas escolas, especialmente nas séries iniciais, onde ocorrem mudanças biológicas, psicológicas e sociais que influenciam nas escolhas alimentares. Compreender essas classificações desde cedo facilita a adoção de uma alimentação saudável e equilibrada. O Guia Alimentar para a População Brasileira - GAPB (BRASIL, 2014) desde 2014 classifica os alimentos em quatro grupos principais: in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados. Essa classificação, denominada NOVA, é importante para identificar opções que favorecem uma dieta mais equilibrada, contribuindo para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), além da promoção do bem estar e melhor qualidade de vida. Considerando que a educação alimentar nas escolas desempenha um papel crucial na formação de hábitos saudáveis desde a infância, o objetivo deste estudo foi avaliar o conhecimento dos alunos do ensino fundamental de uma escola pública do interior do Rio Grande do Sul sobre o grau de processamento dos alimentos, bem como aplicar uma intervenção para capacitar os alunos a respeito da classificação NOVA dos alimentos. O presente estudo foi desenvolvido junto ao componente curricular de estágio obrigatório em Nutrição Social em uma escola estadual de ensino fundamental do município de Itaqui. A coleta de dados foi realizada de forma anônima, ou seja, sem quaisquer identificação dos alunos, a partir de uma atividade em que os alunos deveriam colorir os alimentos de acordo com a sua classificação NOVA definida pelo GAPB (BRASIL, 2014). As imagens dos alimentos utilizados na atividade incluíram banana, brócolis, arroz, leite, ovos, milho, pão, queijo, refrigerante, miojo e sorvete. A atividade foi realizada em sala de aula, com participação de 8 alunos de ambos os sexos com idades entre 8 e 9 anos. Ainda, foi realizada uma avaliação da satisfação sobre a atividade desenvolvida a partir de uma escala hedônica para colorir. Os dados coletados correspondem às informações de 6 alunos do sexo feminino (75%) e 2 alunos do sexo masculino (25%). Os resultados mostraram uma taxa de erros significativa. Os alimentos mais classificados de forma incorreta foram o arroz e o pão (87,5%), seguidos pelos ovos e sorvete (62,5%). Em relação a outros alimentos, 62,5% dos alunos acertaram a classificação da banana. Destaca-se que os alunos majoritariamente identificaram corretamente as bebidas açucaradas (87,5%). O milho foi classificado corretamente por 75% dos alunos, enquanto a maçã e o queijo tiveram apenas 50% de acertos. O macarrão instantâneo foi corretamente classificado por 87,5% dos participantes, e 75% acertaram na classificação do brócolis. Após a análise desses resultados, foi realizada uma dinâmica para facilitar a compreensão dos alunos quanto à identificação do grau de processamento. Inicialmente foram apresentados quatro alimentos diferentes com suas respectivas classificações: banana (in natura), café (minimamente processado), leite (minimamente processado) e refrigerante (ultraprocessado). Realizou-se uma explicação para cada alimento, de forma simples, destacando suas características e as mudanças que ocorrem durante o processamento dos alimentos. Os resultados indicam que as crianças apresentam um grau de dificuldade maior para identificação de alimentos minimamente processados e processados, que pode ser explicado devido a falta de familiaridade com essas categorias alimentares e a predominância de alimentos ultraprocessados na sua alimentação diária. Além disso, a atividade proposta obteve cerca de 90% de satisfação, indicando que os escolares gostam desse tipo de abordagem, o que facilita a aceitação a estes novos conteúdos. Portanto, realizar atividades de educação alimentar e nutricional sobre a classificação NOVA dos alimentos ainda se faz fundamental para promoção da alimentação saudável eficaz nas escolas, especialmente nas séries iniciais. O entendimento das diferentes categorias de processamento contribui para que as crianças desenvolvam hábitos alimentares saudáveis desde a infância, impactando positivamente na saúde e qualidade de vida na fase adulta. No entanto, ainda é necessário aprimorar as estratégias de ensino, haja vista sua importância para estimular uma maior conscientização sobre a alimentação saudável. Deste modo, investir em educação alimentar e nutricional nas escolas capacita os alunos a entenderem melhor sobre a categoria dos alimentos, auxiliando-os a fazer escolhas alimentares melhores e, consequentemente, a reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

O QUE OS ESCOLARES SABEM SOBRE O GRAU DE PROCESSAMENTO DOS ALIMENTOS?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118785. Acesso em: 17 abr. 2026.