SÍNDROME VESTIBULAR PERIFÉRICA POR OTITE CRÔNICA EM CÃO: RELATO DE CASO

Autores

  • Natieli de Melo de Oliveira
  • José Francisco Mosqueiro Iop
  • Hellen Marques Portella
  • Paola Castro Romeiro
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

SÍNDROME, VESTIBULAR, DISTÚRBIO, NEUROLÓGICO, OTITE, CRÔNICA

Resumo

A síndrome vestibular periférica é um distúrbio neurológico que afeta o sistema vestibular, localizado no ouvido interno, responsável pela manutenção do equilíbrio e pela orientação espacial do corpo. Esse sistema é composto pelo labirinto, que inclui os canais semicirculares, o sáculo e o utrículo, estruturas que detectam movimentos de rotação e translação da cabeça. A inflamação ou lesão dessas estruturas pode resultar em sinais clínicos variados, como ataxia (dificuldade de coordenação), inclinação de cabeça (Head Tilt), movimento compulsivo em círculos, nistagmo (movimentos oculares involuntários) e estrabismo. A síndrome vestibular periférica pode ter diversas causas, incluindo anomalias congênitas, neoplasias, traumas, pólipos e doenças inflamatórias. Em cães e gatos, uma das principais causas de síndrome vestibular periférica é a otite média ou interna, que pode ocorrer devido a infecções bacterianas, fúngicas ou por parasitas, como ácaros, além de corpos estranhos ou pólipos que obstruem o canal auditivo. Neste caso, foi atendido um cão da raça Lhasa Apso, macho, de 15 anos de idade e 6,02 kg, que apresentava histórico de um episódio agudo de desequilíbrio, seguido por queda da altura do chão, desorientação e êmese. O paciente foi levado a outro serviço veterinário onde ficou internado por quatro dias, devido à presença de nistagmo. A tutora informou que o cão já estava sob tratamento para artrose cervical, realizando sessões regulares de fisioterapia, e também apresentava sinais de surdez. Dois dias após a internação, o paciente desenvolveu inclinação de cabeça (Head Tilt), sem melhora significativa. A equipe veterinária sugeriu a realização de uma tomografia computadorizada para excluir a possibilidade de neoplasia intracraniana ou outras lesões ocupando espaço no crânio. No exame físico inicial, o animal não apresentou dor à palpação da região cervical, mas demonstrou desconforto significativo à manipulação da região próxima ao ouvido esquerdo. Na inspeção do conduto auditivo, observou-se a presença de uma quantidade excessiva de cerúmen enegrecido, um indicativo de inflamação crônica. Radiografias do crânio, realizadas em projeções latero-lateral direita e esquerda e dorso-ventral, mostraram esclerose da bula timpânica esquerda e discreta redução do conduto auditivo esquerdo, sugerindo um processo inflamatório compatível com otite média crônica. Diante desses achados, o tratamento instituído foi a lavagem cuidadosa do conduto auditivo com ceruminolítico, administrada duas vezes ao dia por cinco dias, seguido pela aplicação de Neptra, um medicamento tópico indicado para infecções auditivas, no ouvido afetado. Como terapia de suporte, o cloridrato de Betaistina 8 mg foi administrado por via oral, a cada doze horas, visando melhorar a circulação na orelha interna e reduzir os sintomas vestibulares. A analgesia foi mantida com Gabapentina 30 mg, administrada a cada 8 horas por sete dias, para controle da dor neuropática e desconforto. Após cinco dias de uso do cloridrato de Betaistina, o paciente apresentou melhora significativa no equilíbrio, embora ainda mantivesse uma leve inclinação de cabeça para o lado esquerdo. No décimo dia de tratamento, o animal não apresentava mais Head Tilt e caminhava normalmente, sem sinais de desequilíbrio, permitindo a suspensão gradual da Gabapentina e da Betaistina. Ao décimo quarto dia, foi aplicada uma nova dose de Neptra no ouvido esquerdo para assegurar a resolução completa da infecção. Na revisão final, quatorze dias após o início do tratamento, o paciente demonstrou recuperação total de suas funções motoras e não apresentava mais sinais clínicos de síndrome vestibular. Foi recomendado a limpeza do conduto auditivo com ceruminolítico semanalmente. Diante disso, o trabalho relata a importância de uma anamnese precisa e um diagnóstico correto para obter sucesso com o tratamento.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

SÍNDROME VESTIBULAR PERIFÉRICA POR OTITE CRÔNICA EM CÃO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118763. Acesso em: 17 abr. 2026.