ATUAÇÃO DO PET VETERINÁRIA NOS ABRIGOS DE CÃES RESGATADOS DAS INUNDAÇÕES NO RS
Palavras-chave:
voluntariado, inundações, abrigos, cãesResumo
O PET Veterinária, da Universidade Federal do Pampa, através do projeto de extensão 4 Patas, exerce atividades junto à comunidade promovendo a conscientização sobre guarda responsável, bem estar animal e saúde única, sendo uma das grandes motivações do projeto, desde a sua criação em 2014, a promoção e o incentivo de campanhas de adoção, dando uma nova chance a animais errantes, de abrigos e ONGs e também àqueles que se encontram em lares temporários. Dentro do escopo do projeto, os membros do PET Veterinária partiram para a região metropolitana de Porto Alegre para atuar em conjunto aos voluntários nos abrigos de cães, estruturados de forma emergencial para albergar os animais oriundos das inundações que devastaram diversos municípios do Rio Grande do Sul, no começo do mês de maio, em decorrência dos eventos climáticos que assolaram o estado neste período. Com isso, o objetivo do presente trabalho é relatar a experiência do PET Veterinária nestes abrigos de cães, ressaltando os reflexos destas atividades na formação discente. O grupo, composto por quatro discentes e uma professora do curso de medicina veterinária, chegou primeiramente a um abrigo de cães na cidade de Canoas, onde logo ao apresentar-se ao voluntariado, foi encaminhado ao setor de tratamentos dos pacientes sob cuidados médicos veterinários. Este abrigo teve seu início improvisado em um pavilhão destelhado, localizado às margens da BR-116 no município de de Canoas, próximo ao viaduto que dá acesso ao bairro Mathias Velho, um dos bairros mais populosos do município de Canoas, e também um dos mais atingidos pelas inundações, devido ao rompimento abrupto de um dique do Rio dos Sinos. O abrigo surgiu do esforço de voluntários associados ao resgate de animais das áreas inundadas. Inicialmente o abrigo funcionava de maneira bastante eficiente. No entanto, as chuvas retornaram, e o local começou a perder sua funcionalidade. O espaço estava superlotado, e os veterinários em conjunto aos voluntários não conseguiam prestar assistência a todos os cães que enfrentavam a insalubridade ao ficarem encharcados pela chuva e com as condições precárias de higiene nas baias improvisadas. Diante da necessidade de alocar um maior número de cães e buscando uma estrutura mais adequada para albergá-los, o abrigo conseguiu migrar para um enorme pavilhão localizado próximo ao local inicial, também na cidade de Canoas. Desta forma, uma das atividades que o grupo pode auxiliar junto ao abrigo, foi a transferência dos cães entre os abrigos. O número de animais acolhidos durante todo o período de funcionamento deste abrigo chegou a aproximadamente 5 mil cães. Neste abrigo o grupo passou três dias exercendo atividades diversas como o auxílio no tratamento de animais enfermos, acompanhando os médicos veterinários em atividades como aferição de parâmetros vitais, administração de medicações, avaliação de prescrições, manejo de feridas entre outras atividades focadas na saúde e no bem estar dos animais no setor de internação. O grupo também ficou responsável pelo setor de isolamento dos animais positivos para doenças infectocontagiosas, como parvovirose e cinomose, tendo neste momento, o suporte e a tutoria de médicos veterinários do abrigo em todas as atividades realizadas. Também participou da força tarefa para vermifugação dos animais, dentre outras atividades como o passeio e a limpeza das baias dos caninos albergados. Ainda na cidade de Canoas, o grupo pode conhecer outro grande abrigo de cães, o primeiro montado na cidade para abrigar animais oriundos das enchentes, em um terreno próximo à Universidade Luterana - ULBRA, onde também encontrava-se o Hospital Veterinário de Campanha montado por uma iniciativa da administração municipal da cidade de São Paulo, cuja capacidade era de setecentos atendimentos semanais, em torno de oito procedimentos cirúrgicos por dia, com funcionamento de 24 horas por dia, unindo-se à força tarefa no atendimento dos animais debilitados pelos eventos climáticos, auxiliando assim na minimização da superlotação dos hospitais veterinários da região. Durante os dias de atuação dentro dos abrigos, o grupo auxiliou na divulgação dos animais resgatados nas redes sociais, tanto para lar temporário quanto para ajudar os tutores na localização de seus animais perdidos durante os resgates. Além do aprendizado técnico adquirido durante a estadia do grupo nos abrigos, ressaltou-se a capacidade do grupo em inserir-se em uma comunidade, de diversos profissionais de várias áreas de atuação, orientados no empenho de proporcionar aos animais bem estar e qualidade de vida em um momento extremamente crítico pelo qual o estado do RS estava passando. Conclui-se que atividades de extensão universitária aliadas a atenção para as necessidades da sociedade na qual estamos inseridos resultam na formação discente para além do conhecimento técnico, construindo um profissional mais preparado, cidadão e humanisticamente inserido na realidade social a qual pertence.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ATUAÇÃO DO PET VETERINÁRIA NOS ABRIGOS DE CÃES RESGATADOS DAS INUNDAÇÕES NO RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118762. Acesso em: 17 abr. 2026.