CINECLUBES, EXTENSÃO E CULTURA: DEMOCRATIZANDO O ACESSO AO CINEMA NO RIO GRANDE DO SUL

Autores

  • Ana Cristina da Silva Miranda Miranda
  • Nathália Peralta Reis
  • Andresa Cristina Xavier de Souza
  • Helyna Dewes
  • Adriana Gonçalves Ferreira
  • Clara Zeni Camargo Dornelles

Palavras-chave:

Cultura, Cineclubes, Rio, Grande, Sul

Resumo

Nesta comunicação, refletimos sobre o papel dos cineclubes na democratização do acesso ao cinema, a partir de nossa experiência na constituição de um cineclube como ação de extensão, em uma região de vulnerabilidade socioeconômica, no interior do Rio Grande do Sul - na cidade fronteiriça de Bagé. Os cineclubes não apenas exibem filmes, mas também fomentam debates sobre questões políticas, sociais e culturais, preservando a diversidade cultural e fortalecendo laços sociais (Rajala, Lindblom e Stocchetti, 2020). São essenciais para oferecer exibições de filmes que fogem do circuito comercial tradicional, dando aos espectadores acesso a filmes que muitas vezes não são exibidos em grandes salas de cinema. Essas iniciativas facilitam o acesso aos filmes e promovem discussões críticas sobre as questões políticas, sociais e culturais abordadas pelos filmes, possibilitando uma aproximação ao fazer cinematográfico. Em nossa experiência, compreendemos o cineclube como um espaço de resistência cultural, pois a força motora do nosso projeto está na integração entre grupos não hegemônicos na comunidade. O Sociedad Cineclub de Fronteira, constituído a partir de uma parceria da Sociedade Uruguaia de Socorros Mútuos de Bagé com a Unipampa, em 2022, é uma ação de extensão motivada por um chamamento da Sociedade Uruguaia que ganhou vida nas aulas do curso de Letras: Línguas Adicionais (Inglês, Espanhol) e Respectivas Literaturas, quando os graduandos se engajaram na proposta, desde a elaboração do nome e objetivos do cineclube até a divulgação e realização das sessões, que integram diferentes grupos da comunidade. Ao combinar exibições de filmes com debates e discussões, os cineclubes incentivam os espectadores a refletir sobre as realidades sociais e políticas retratadas nos filmes, promovendo um processo de aprendizado dialógico, horizontalizado e interativo. O Sociedad Cineclub de Fronteira é um exemplo de como essas iniciativas podem ajudar as comunidades locais a se envolverem, valorizando o patrimônio cultural e refletindo criticamente sobre a realidade do lugar e suas conexões com outros espaços e realidades. O Sociedad Cineclub realizou a sessão inaugural em 2022, com a exibição do filme O Eremita, produção local de Bibiana Carvalho, um curta que trata da dificuldade que temos de nos conectar a outras pessoas. Participaram da sessão de debate atores, que também eram os produtores e diretores do curta, junto a estudantes da Unipampa e pessoas da comunidade em geral. Ao retomar suas atividades em 2024, foram realizadas, até então, três sessões. A primeira, com Casa Vazia, de Giovani Borba, longa que se aproximou do público por retratar uma narrativa que se passa no interior do Rio Grande do Sul. Na sessão posterior, o filme exibido foi Quando Ousamos Existir, que aborda o início do Movimento e da Luta da Comunidade LGBTQIA + no Brasil na década 70-80. Essa sessão, organizada em parceria com a Parada de Diversidade e com o Grupo Diversidade Sexual e de Gênero, trouxe importantes pautas sobre questões LGBTQIA+ na cidade, particularmente no que se refere à relação do conhecimento acadêmico com os movimentos sociais. Na terceira sessão, foram exibidos curtas como A lenda do monstro da panela do candal, Vozes de quem trabalha na rua e Ogum, desenvolvidos por alunos do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, durante o projeto Inventar com a Diferença, de cinema, educação e direitos humanos, com a educadora audiovisual Adriana Gonçalves. Os espectadores foram alunos do 9° ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental João Severiano da Fonseca, que iniciaram um projeto para constituir um cineclube na escola, com a Professora Flávia Azambuja. Compreendemos que o público escolar deve ser cativado (Coutinho e Soutto, 2013) e que a receptividade dos professores para experimentar o cinema nas suas práticas passa por não resistir ao inesperado, deixar agir a linguagem da arte, permitir a construção e criação conjunta, confiar na presença da cultura e permitir a sua emergência no conteúdo, afastando-se do papel imaginário daquele que sabe tudo e traz a lição pronta, para uma visão progressista da formação de professores. Ensinar não se trata de transferir conhecimento, mas de criar possibilidades para sua própria produção ou construção (Freire, 2022), e o Sociedad Cineclub de Fronteira tem sido espaço formativo para todos os aprendentes. Por fim, os cineclubes não apenas tornam o cinema mais fácil de acessar, mas também desempenham um papel importante na preservação da diversidade cultural, na promoção da educação popular e no fortalecimento das comunidades, tornando-se espaços essenciais para a resistência cultural e na construção de uma sociedade mais crítica e consciente. Nesse contexto, as atividades cineclubistas têm um impacto significativo na preservação do patrimônio cultural e na promoção da cultura, oferecendo um espaço de resistência cultural, educação crítica e acesso democrático ao cinema.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

CINECLUBES, EXTENSÃO E CULTURA: DEMOCRATIZANDO O ACESSO AO CINEMA NO RIO GRANDE DO SUL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118731. Acesso em: 18 abr. 2026.