OS IMPACTOS DE UM PROJETO DE EXTENSÃO E SUAS REVERBERAÇÕES: JUNIPAMPA E FALA JOÃO
Palavras-chave:
Jornal, digital, colaboração, agentes, extensãoResumo
O presente trabalho teve como objetivo investigar os indícios da aprendizagem de metodologias de multiletramentos para a construção de um jornal digital na escola. Assim, estudamos o caso do Jornal Universitário do Pampa (Junipampa), criado a partir de uma oficina, pelo Laboratório de Leitura e Produção Textual (LAB). A ação apreendida no Junipampa reverberou no projeto do jornal Fala João, desenvolvido na EMEF João Severiano da Fonseca. A partir de pesquisa exploratória, analisamos, baseados no Junipampa e no Fala João, a importância de projetos de extensão na universidade e sua relação com a comunidade, bem como para a formação profissional dos universitários. Nesse sentido, podemos afirmar que a universidade é espaço para a construção de novos saberes, ao atuar com diferentes setores da sociedade, daí a importância social dos projetos de extensão, junto com o ensino e a pesquisa acadêmica. A transformação social é a tônica dos projetos de extensão, mas, para alcançá-la, não basta o contato com a comunidade; é necessário formar os universitários enquanto agentes de extensão que possam expandir suas aprendizagens para espaços não-acadêmicos em que a construção de saberes se dá de modo colaborativo com a comunidade. A universidade assim sai de seu pedestal que se criou no imaginário popular e se torna aliada a outras instituições. Refletimos sobre como um projeto de extensão nascido na universidade pode se replicar em outros, em outros ambientes e com outros públicos. Constituindo-se como uma ação do LAB, o projeto contempla diversas linguagens e o desenvolvimento de multiletramentos. Inspirado por ele, ressurge, em 2023, o Fala João, na escola João Severiano, em que leciona uma ex-bolsista e atual cocoordenadora do LAB, aqui considerada como agente de extensão. Ela faz destarte um movimento de apropriação das metodologias dos multiletramentos adotados no Junipampa e leva-os à escola. Evidencia-se, com isso, uma curricularização da extensão na escola, a partir da articulação entre as vivências extensionistas da professora e sua atuação profissional na comunidade, personalizada pela professora e pelos alunos. Estes alunos, por sua vez, produzem e articulam conhecimento e o compartilham entre seus pares, permitindo uma troca coletiva de saberes. É essa dinâmica em que um projeto de extensão na universidade reverbera em um projeto em uma escola pública que nos focamos para procurar indícios de aprendizagens construídas em uma ponta - a universidade - e implementadas em outra - a escola. Para isso, fizemos uma entrevista de grupo focal com os alunos de nossa agente de extensão, procurando verificar como eles compreendem os processos desenvolvidos no Fala João e se apropriam da metodologia dos multiletramentos, a qual inclui a compreensão do texto enquanto processo colaborativo, multimodal, multilíngue e hipermidiático. Entre os entrevistados, estão alunos que construíram o protótipo inicial do Fala João, construindo o site, e alunos que, atualmente, trabalham no projeto. Os indícios identificados incluem: (i) a noção da importância da colaboração, uma vez que eles leem juntos para revisão e decisão de publicação, discutiram juntos o design do site e da versão impressa, além de escreverem juntos; (ii) a divisão de encargos entre os participantes, em que cada um tem a sua responsabilidade principal; (iii) e forte vínculo entre instituição e comunidade, revelado a partir do fato de que, segundo relatado, pessoas das suas famílias fazem a leitura do jornal. Em vários momentos da entrevista, são explicitados os indícios de aprendizagem da metodologia, com pontos em comum entre o Junipampa e Fala João. Os resultados nos ajudam a pensar nessa rede articulada e nesse percurso, em que se constitui um ciclo extensionista. O Junipampa, anteriormente, já havia sido concebido por uma agente de extensão, a coordenadora do projeto, a partir da tese de Petrilson Pinheiro sobre um jornal escolar interdisciplinar digital. Dessa tese, sobre a implementação de um jornal escolar, origina-se um projeto de extensão na universidade (Junipampa), deste, um projeto de reconstrução de um jornal escolar (Fala João) e, deste último, possivelmente surjam novos futuros projetos, em novos ambientes, movidos pelo interesse dos alunos alcançados pela ação - novos agentes de extensão. Esse ciclo de implementação de projetos de extensão influenciados por outros justifica o nosso estudo. Ficam demonstrados os indícios de aprendizagem da metodologia de multiletramentos no processo de criação em si do jornal, na distribuição de encargos, na divulgação em hipermídia e no senso de colaboração entre os participantes. Ambos os projetos têm um forte viés de colaboração e cooperação na escrita, com o uso da linguagem por meio das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
OS IMPACTOS DE UM PROJETO DE EXTENSÃO E SUAS REVERBERAÇÕES: JUNIPAMPA E FALA JOÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118724. Acesso em: 20 abr. 2026.