A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO TRABALHO DOMÉSTICO: GÊNERO, CAPITALISMO E RESISTÊNCIA.

Autores

  • Amandha de Abreu Espindola
  • Camili Rodrigues Lyrio
  • Gianna Denis Cacciatore
  • Bruno Renan Pereira
  • Jaqueline Carvalho Quadrado

Palavras-chave:

Capitalismo, Trabalho, doméstico, Exploração, Gênero

Resumo

Na obra O patriarcado do salário, de Silvia Federici (1942), ela ressalta que o trabalho doméstico, é até hoje considerado uma habilidade natural para as mulheres, e rotulado ainda como trabalho de mulher, mas, se proferimos com veracidade, o trabalho doméstico que conhecemos pode ser dito como uma estrutura recente, datada no fim do século XIX e das primeiras décadas do século XX. Portanto, quando falamos em trabalho doméstico, não estamos tratando de um trabalho como os outros, mas sim, da manipulação mais disseminada e da violência mais sutil que o capitalismo já perpetuou contra qualquer setor da classe trabalhadora (FEDERICI, 2019, p. 42). Logo, se citarmos a importância sobre ter um salário, podemos dizer que isso significa ter um contrato social, no entanto, tratando sobre seu significado, é possível mencionar que a trabalhadora doméstica não trabalha porque gosta, muitos menos porque algo brota naturalmente dentro de si, mas sim porque tem consciência de que é a única condição sob a qual ela está autorizada a viver. (FEDERICI, 2019, p. 42). Dessarte, pode-se afirmar que, não há naturalidade nenhuma em ser dona de casa, visto que são necessários muitos anos de socialização e treinamentos diários, exercidos por uma mãe não remunerada, para que ocorra a preparação de uma mulher para desempenhar este papel, e convencê-la de que uma família com filhos e marido é o melhor que ela pode esperar da vida. Essa visão crítica de Federici evidencia como o trabalho doméstico, ao ser rotulado como uma habilidade natural feminina, reflete e reforça as desigualdades de gênero. A domesticação do trabalho, ou seja, a sua transformação em uma atividade invisível e não remunerada, faz parte de uma estratégia maior do capitalismo que explora a força de trabalho feminina sem reconhecê-la formalmente. A ausência de remuneração e reconhecimento público do trabalho doméstico é um exemplo claro de como a economia capitalista se sustenta sobre o trabalho não pago das mulheres, perpetuando um ciclo de exploração. Além disso, a manipulação ideológica que sustenta o trabalho doméstico como algo "natural" para as mulheres contribui para a perpetuação de estereótipos de gênero, nos quais as mulheres são vistas como cuidadoras e responsáveis pelo bem-estar da família, enquanto os homens são posicionados como provedores. Essa dicotomia, no entanto, ignora as complexidades e as lutas das mulheres que, ao longo da história, desafiaram essas expectativas para buscar maior autonomia e direitos. Federici nos convida a refletir sobre como o trabalho doméstico é instrumentalizado para manter as estruturas de poderes patriarcais e capitalistas, relegando as mulheres a uma posição subalterna na sociedade. Outro ponto fundamental trazido pela autora é a questão do salário e da autonomia financeira. A ausência de remuneração pelo trabalho doméstico não apenas nega às mulheres o reconhecimento de seu trabalho, mas também as prende a uma dependência econômica dos homens. Sem um salário, as mulheres são privadas de um contrato social que as reconheça como cidadãs plenas, com direitos e autonomia. O salário, nesse sentido, é mais do que uma simples compensação financeira; é um meio de inclusão social e de reconhecimento da dignidade do trabalho realizado. Por fim, a ideia de que as mulheres "naturalmente" desejam formar uma família e cuidar dos filhos é uma construção social que tem suas raízes na necessidade de reproduzir a força de trabalho dentro do sistema capitalista. Ao convencer as mulheres de que o casamento e a maternidade são seus destinos naturais, a sociedade capitalista garante a perpetuação de um sistema em que as mulheres são mantidas como uma força de trabalho invisível e não remunerada, essencial para a manutenção das estruturas econômicas e sociais vigentes. Desafiar essa construção é, portanto, uma forma de resistir à dominação capitalista e patriarcal, buscando uma sociedade mais justa e igualitária para todos. O que será apresentado aqui, tem como objetivos: analisar a sociedade e como ela pode ser impertinente com relação ao trabalho doméstico, destacar a desigualdade de gênero e as dificuldades em que as mulheres se encontram quando precisam exercer o cargo de trabalhadora doméstica. Pode-se afirmar que os resultados obtidos nesta pesquisa são inimitáveis, visto que é de conhecimento explícito a desigualdade de gênero e o fato de que o trabalho doméstico exercido pelas mulheres é descrito como algo natural e consequentemente ligado ao estereótipo feminino. Como metodologia utilizada no referido resumo, foi manuseada da revisão bibliográfica de estudos de Silvia Federici (1942) e (2019). Portanto, buscamos nas pesquisas da autora supracitada, correlatar os desdobramentos que permitam-nos compreender as peripécias da sociedade com relação às mulheres e seu trabalho visivelmente domesticado.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO TRABALHO DOMÉSTICO: GÊNERO, CAPITALISMO E RESISTÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118691. Acesso em: 17 abr. 2026.