IMPACTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL: PERSPECTIVA AUTOBIOGRÁFICA DA SURDEZ ORALIZADA
Palavras-chave:
Diversidades, surdas, Barreiras, InclusãoResumo
Este trabalho aborda e demonstra o impacto das práticas de extensão universitária construída como parte de uma pesquisa autobiográfica, em desenvolvimento no mestrado Acadêmico em Ensino (PPGE-Unipampa), a partir da realização do Sarau das Diversidades Surdas no 1º Festival de Cultura Surda (FECULT), promovido pelo Grupo de Pesquisas Inclusive (UNIPAMPA, campus Bagé). O Sarau, que é um dos produtos da pesquisa que investiga acessibilidade para surdos oralizados, visou destacar as barreiras de comunicação na surdez oralizada, uma forma de surdez pós-linguística, que ocorre após a aquisição da linguagem oral, indicando que a pessoa aprendeu a falar antes de perder a audição. A sociedade assume que surdos oralizados, por fazerem uso da fala, não precisam de adaptações comunicacionais. A premissa subjacente é que, apesar de sua capacidade de falar, a surdez oralizada afeta seriamente a comunicação, uma vez que falar não implica necessariamente em ouvir. Na pesquisa, em andamento, a abordagem autobiográfica proposta por Ferraroti (2014) e a análise cênica descrita por Abrahão (2004; 2014) foram as estratégias metodológicas utilizadas para revelar a trajetória pessoal e os desafios vividos por uma sujeita surda oralizada. A revisão sistemática da literatura revelou uma carência de estudos sobre surdez oralizada, com a maioria das pesquisas focando em surdos usuários de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Com base nisso, como um dos trabalhos da pesquisa em sua fase de coleta de dados, uma ação de extensão foi organizada para difundir ações em que o contexto do estudo seja compreendido não apenas como alvo de pesquisa, mas também como produtor de conhecimento. Para Almeida (2023), a coesão ensino, pesquisa e extensão é essencial para conectar a academia com a sociedade por meio de práticas extensionistas e ações que buscam atender às necessidades da comunidade. O Sarau, organizado com inscrições prévias, foi desenvolvido no campus Bagé, com trinta e cinco (35) participantes e está alinhado ao objetivo das práticas de extensão universitária. A programação do evento incluiu um varal fotográfico de biografias de pessoas surdas da comunidade local e regional, roda de conversa sobre a importância da inclusão e acessibilidade, apresentação autobiográfica de uma surda oralizada, momentos de narrativas de histórias e experiências entre os participantes e leitura de trechos de livros de autores surdos. O Sarau encerrou com um abraço coletivo para simbolizar a solidariedade da comunidade surda, que não é representada somente por surdos(as), mas também, por ouvintes envolvidos na cultura surda. O Sarau revelou que a maioria dos participantes associava a surdez exclusivamente aos(às) surdos(as) usuários(as) de LIBRAS, além de considerar esta, como a principal forma de acessibilidade para todos os(as) surdos(as), ignorando as necessidades específicas dos surdos oralizados. O evento aumentou a visibilidade das experiências de diferentes grupos surdos ao fomentar um debate mais inclusivo sobre a acessibilidade comunicacional adequada, considerando as diversidades surdas e ilustrou que a surdez oralizada é uma forma distinta de surdez, que requer abordagens e adaptações comunicacionais específicas. Apesar dos avanços nas leis de inclusão, a compreensão das necessidades dos(as) surdos(as) oralizados(as) ainda é limitada, sugerindo a necessidade de revisão das políticas de acessibilidade para garantir inclusão comunicacional específica para surdos oralizados. Enquanto fazer autobiográfico, uma roda de conversa, um diálogo, é sempre uma manifestação que se dá ao outro sobre si mesmo. Ao refletir sobre suas próprias memórias e experiências, o sujeito reconhece que sua vida está conectada com a dos outros e que a troca de experiências é fundamental para o desenvolvimento social e pessoal. Neste sentido, a extensão universitária atua como um meio para colocar essas práticas de manifestação em um contexto mais amplo e estruturado. Criar espaços para o diálogo e narrativas pessoais, contribui para a desconstrução de estereótipos e a formulação de políticas públicas mais inclusivas que reconheçam e atendam a todas as formas de surdez, incluindo a surdez oralizada. A prática de extensão universitária, por meio do Sarau das Diversidades Surdas, foi crucial para a acessibilidade comunicacional, especialmente quando examinamos a partir de uma perspectiva autobiográfica a acessibilidade comunicacional para a surdez oralizada. Assim, a extensão universitária se revela como uma ferramenta vital para aprofundar o entendimento coletivo e promover ações que garantam a acessibilidade e a equidade na comunicação, refletindo uma abordagem mais integrada e humanizada das questões de surdez e inclusão.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
IMPACTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL: PERSPECTIVA AUTOBIOGRÁFICA DA SURDEZ ORALIZADA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118677. Acesso em: 17 abr. 2026.