SEMENTES DE ESPERANÇA: UMA EXPERIÊNCIA TEATRAL POÉTICA EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DE BAGÉ
Palavras-chave:
Literatura, Indígena, Preservação, Ambiental, Identidade, CulturalResumo
No contexto da educação infantil, práticas culturais e artísticas desempenham um papel essencial no desenvolvimento das crianças. Em Bagé, Rio Grande do Sul, foi realizada uma experiência inovadora com a apresentação do teatro de bonecos O Caçador que Viu o Mapinguari, adaptação da obra escrita pela indígena do povo Omágua/Kambeba do Amazonas, Márcia Kambeba, e encenado pelo grupo Sustentabilidade e Literatura da Unipampa, vinculado ao Projeto de Extensão Integração social e sustentabilidade em projetos e oficinas de aprendizagens. Kambeba, conhecida por sua atuação como ativista e professora, utiliza sua literatura para divulgar e valorizar a cultura indígena, com foco na conscientização ambiental. O livro, que contém 25 poemas narrativos sobre figuras folclorizadas de diversas culturas nativas, especialmente amazônicas, teve um capítulo, O Caçador que Viu o Mapinguari, adaptado para a apresentação. O objetivo foi entreter, educar e conectar as gerações com a rica tradição folclórica brasileira e a literatura indígena, além de promover uma reflexão crítica sobre os cuidados com o meio ambiente. A metodologia incluiu uma abordagem interdisciplinar que integrou literatura, teatro e educação. A equipe iniciou com um levantamento das necessidades e interesses da comunidade escolar, por meio de conversas com professores e a equipe diretiva, para compreender melhor o contexto cultural e a receptividade a temas folclóricos e meio ambiente. A escolha da obra foi estratégica, pois o conteúdo folclórico e sua relevância para a preservação cultural e ambiental estavam alinhados com os objetivos da atividade. A narrativa foi adaptada para o formato de teatro de bonecos, criando uma apresentação acessível e envolvente para o público infantil. O ambiente foi preparado para uma atmosfera mágica e imersiva, com bonecos coloridos e uma trilha sonora que refletia o ambiente natural descrito na história. Durante a apresentação, a história do caçador e do Mapinguari foi desenvolvida com ênfase na oralidade e nas tradições culturais, promovendo a construção da identidade cultural das crianças. A interação entre os atores e o público foi planejada para estimular a participação ativa das crianças, permitindo que se sentissem parte da narrativa. Após a apresentação, um bate-papo informal permitiu que as crianças expressassem suas opiniões e fizessem perguntas, aprofundando a compreensão dos temas abordados, como a preservação da natureza e a importância das tradições culturais. Os resultados foram positivos: as crianças demonstraram entusiasmo e curiosidade sobre o Mapinguari e as tradições folclóricas brasileiras. Pais e educadores destacaram o impacto da atividade no fortalecimento dos laços familiares e comunitários, ressaltando o papel do teatro como ferramenta para unir gerações e promover o diálogo cultural. Além disso, a experiência evidenciou a eficácia do teatro de bonecos como ferramenta educativa, proporcionando um aprendizado envolvente e estimulante para as crianças. Desenvolver um trabalho voltado à literatura indígena é de suma importância para a educação e para a preservação cultural, pois oferece uma perspectiva vital sobre a diversidade e a riqueza das tradições dos povos originários. A literatura indígena, com sua profunda ligação com a natureza e a espiritualidade, enriquece o currículo escolar e promove uma compreensão mais abrangente do mundo. Integrando esses textos no ambiente educacional, é possível desmistificar e valorizar a cultura indígena, romper com preconceitos e fortalecer a identidade cultural das crianças. Através da literatura indígena, alunos conhecem histórias, mitos e tradições frequentemente marginalizados, o que contribui para uma educação mais inclusiva e representativa. Além disso, o contato com essa literatura fomenta a consciência ambiental, refletindo a relação intrínseca entre os povos indígenas e o meio ambiente, e estimula o respeito pela biodiversidade e pela sustentabilidade. Esse tipo de educação promove não apenas o respeito pela diversidade cultural, mas também uma maior empatia e responsabilidade em relação ao cuidado como o planeta Terra. Trabalhar com a literatura indígena na escola amplia horizontes culturais e prepara as futuras gerações para serem mais conscientes e respeitosas com a diversidade cultural e ambiental que compõe o mundo. A atividade com O Caçador que Viu o Mapinguari demonstrou como a arte pode ser um meio poderoso para promover a educação, a preservação cultural e a conexão entre gerações, celebrando o folclore brasileiro e a literatura indígena na formação da identidade cultural e na conscientização ambiental.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
SEMENTES DE ESPERANÇA: UMA EXPERIÊNCIA TEATRAL POÉTICA EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DE BAGÉ. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118672. Acesso em: 17 abr. 2026.