DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA ATRAVÉS DE SHORTS: A ASTRONOMIA INDÍGENA E AS CONTRIBUIÇÕES DAS MULHERES NA CIÊNCIA

Autores

  • Giovanna Vitoria Pavin Tordin
  • Guilherme Frederico Marranghello
  • Cecília Petinga Irala

Palavras-chave:

Astronomia, Guarani, Mulheres, Ciência, Divulgação, Shorts

Resumo

No cenário atual, é essencial promover a ciência e valorizar diferentes culturas, especialmente em um contexto onde a igualdade de gênero ainda é uma questão a ser alcançada, onde as contribuições das mulheres na ciência necessitam de maior reconhecimento, e onde as populações indígenas continuam enfrentando preconceitos. A disseminação do conhecimento científico e o respeito pelas diversas culturas são, portanto, fundamentais. A astronomia indígena brasileira e o legado de mulheres na ciência desempenham um papel crucial na promoção de uma educação mais inclusiva e representativa. Considerando este cenário apresentamos este estudo, que surgiu como parte de um projeto vinculado ao Planetário da Unipampa, com o objetivo de criar conteúdos acessíveis e dinâmicos, como vídeos curtos (shorts), que abordem esses temas de maneira atrativa para o público. A proposta envolve tanto a produção audiovisual quanto a análise do impacto desses materiais, contribuindo para o fortalecimento do ensino de ciências em diferentes contextos educativos. No total foram feitos 7 vídeos sobre a divulgação dos saberes indígenas e 12 vídeos, sendo um deles introdutório e um de encerramento, sobre as importantes contribuições que diferentes mulheres fizeram na área da astronomia. Os vídeos foram postados na plataforma TikTok, no perfil do Planetário da Unipampa, pois acreditamos ser a rede social atualmente mais acessada pelos jovens. Utilizamos essa mídia especificamente para essa finalidade, enquanto o Facebook e o Instagram são usados para postar fotos das visitas ou anúncios das sessões abertas. Além disso, fez-se uma entrevista semiestruturada, que visa analisar as possibilidades de aprendizagem e as características audiovisuais que os vídeos proporcionam. A população pesquisada foi composta por estudantes do curso de Lic. em Física, matriculados em Ensino de Astronomia, ofertada pela UNIPAMPA (Universidade Federal do Pampa) em 2024/2. A escolha dessa turma se deve ao fato de que os alunos já possuem algum conhecimento de astronomia, adquirido em uma disciplina anterior, e estão agora focados em estudar práticas pedagógicas voltadas especificamente para o ensino de astronomia. As entrevistas foram realizadas na sala de aula e tiveram duração média de 10 minutos. Os participantes foram abordados pessoalmente e convidados a participar da pesquisa. Foi obtido o consentimento informado de cada participante antes da realização das entrevistas. Portanto, a pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa, utilizando também as métricas fornecidas pelo Tiktok, até o dia 29 de agosto, e a análise das entrevistas. A coleta de dados da plataforma Tiktok observou que os vídeos com conteúdo indígena não tiveram tantas visualizações e curtidas em relação aos vídeos das mulheres na astronomia. Ainda sim, ambos os tipos de vídeos não obtiveram tanto alcance como os vídeos de astronomia postados anteriormente no perfil. O vídeo indígena mais assistido conta com 212 visualizações, o das mulheres possuem 334 e um vídeo postado anteriormente a esses sobre a Lua chegou a 664 visualizações. Também analisou-se que a maior parte do público é masculino e a menor parte sendo feminino e que maioria dos seguidores está na faixa etária entre 18 a 24 anos de idade. Ademais, observou-se que os vídeos tiveram alcance em outros países além do Brasil, como Rússia, Itália e Ucrânia. Em relação a entrevista, os participantes disseram que os vídeos podem ser utilizados para a aprendizagem, pois as informações estão dispostas com uma linguagem acessível e resumida, o que o tornou fácil de compreender. Quanto às informações audiovisuais, houveram algumas insatisfações com a narração dos vídeos, que foram feitas através de inteligência artificial, pois ela não conseguiu falar certas palavras que são acentuadas além de ter uma voz robotizada. Todavia também houveram elogios pelo seu uso devido a dublagem conter um áudio limpo e sem ruídos. Ademais, a maioria concordou que os vídeos estão com ótimas informações visuais de um minuto atualmente são ideais para capturar e manter a atenção dos usuários da plataforma. Em suma, após analisar os resultados obtidos neste estudo, pode-se concluir que houve uma diminuição de visualizações, interações e curtidas em relação a outros vídeos já postados anteriormente com conteúdos de astronomia diferentes, mas tiveram um aumento de novos espectadores e seguidores do perfil. Acreditamos que isso seja um indicador do baixo interesse dos usuários por esses temas, na astronomia atual, pois não são tão atrativos quanto assuntos como planetas, buracos negros e matéria escura, por exemplo. No que diz respeito à maior popularidade dos vídeos sobre as contribuições das mulheres na astronomia, acredita-se que as histórias dessas cientistas criam uma conexão emocional mais forte com o público, pois retratam superação e conquistas pessoais. Além disso, por serem figuras reconhecidas internacionalmente, atraem um público mais amplo e interessado.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA ATRAVÉS DE SHORTS: A ASTRONOMIA INDÍGENA E AS CONTRIBUIÇÕES DAS MULHERES NA CIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118666. Acesso em: 18 abr. 2026.