A LUDICIDADE ALIADA À EDUCAÇÃO EM SAÚDE DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE
Palavras-chave:
Crianças, Adolescentes, Vulnerabilidade, Social, Atividades, lúdicasResumo
A realização do cuidado de crianças e adolescentes é um processo desafiador e complexo, em virtude das exigências específicas de cada fase do desenvolvimento e a uma maior exposição a diferentes tipos de vulnerabilidades. Assim, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) garante a essa população, entre outros direitos, o direito à vida, à saúde, à alimentação e à educação, bem como protege-os da existência de qualquer forma de negligência, exploração, violência e crueldade. Nesse sentido, surge o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), um espaço público de caráter acolhedor que atende pessoas em situações de vulnerabilidade social ou que tiveram algum direito violado. Observando esse cenário, o Programa de Educação Tutorial Práticas Integradas em Saúde Coletiva (PET PISC), evidenciou uma possibilidade de atuar juntamente ao CREAS para ofertar ações de educação em saúde, especialmente aquelas aliadas à atividades lúdicas, pensando na capacidade destas de envolver o público-alvo, levando aprendizagem, troca de saberes e diversão. Frente ao exposto, este estudo objetiva relatar as potencialidades da utilização da ludicidade em atividades de educação em saúde direcionadas à crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Trata-se de um relato de experiência, desenvolvido a partir de ações propostas por bolsistas do PET PISC à crianças e adolescentes que frequentam grupos no CREAS do município de Uruguaiana no Rio Grande do Sul. As atividades iniciaram em abril de 2024 e em grupos de crianças de 8 a 12 anos e o segundo de 13 a 17 anos de idade. Cada grupo frequenta quinzenalmente as atividades, sendo atendidos uma vez por semana. As ações têm duração de uma hora e envolvem dois bolsistas, pertencentes aos cursos de graduação em Enfermagem e Fisioterapia. Participaram das atividades 4 crianças e 2 adolescentes por grupo. As temáticas abordadas foram: sonhos, futuro e profissões, autoestima e cuidado, respeito às diferenças, estímulo à criatividade e ao raciocínio e emoções. Assim, a partir dos assuntos escolhidos foram preparadas atividades lúdicas com destaque para desenho e pintura, balões, vídeos, cartilhas, jogos e brincadeiras em grupo. Desse modo, ao iniciar a abordagem de cada temática, introduziu-se a ludicidade e apoiada nela, criou-se um espaço para troca de experiências e a realização da educação em saúde. Durante as atividades, o grupo de crianças apresentou maior engajamento, pois participavam ativamente dos questionamentos, brincadeiras e jogos. Ainda, ao final de cada abordagem, sempre trouxeram comentários positivos sobre as ações e como gostariam de poder vivenciar mais momentos daquele tipo juntamente às bolsistas desenvolvedoras das intervenções. Em contrapartida, o grupo de adolescentes demonstrou uma maior dificuldade de interação e aprendizagem, especialmente nos momentos exclusivos de fala. Porém, quando havia a introdução de alguma atividade lúdica, como um jogo para estimular a aprendizagem, se verificou melhores resultados, tanto na participação, quanto na compreensão da intervenção. Ademais, ao empregar atividades lúdicas em conjunto aos assuntos escolhidos, o debate ficava mais leve e era possível entregar as mensagens necessárias, especialmente em temas de difícil abordagem como sonhos, futuro e profissões e respeito às diferenças. Em vista disso, entende-se a ludicidade como uma ferramenta de extremo valor quando aliada à educação em saúde, seja para atingir o público-alvo ou para a oferta de conhecimento com uma perspectiva mais descontraída e divertida. Destarte, constata-se o valor das atividades extensionistas para os acadêmicos, na medida em que conseguem fazer uma troca de saberes e experiências com a comunidade e com outras profissões ao desenvolveram tais ações em parceria com profissionais de especialidades distintas. Por esse motivo, a Universidade deve fomentar as ações de extensão por meio do desenvolvimento de atividades lúdicas, de modo a contribuir na formação de futuros profissionais da saúde, humanizados e melhor preparados para lidar com contextos de vulnerabilidade social e situações desafiadoras.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A LUDICIDADE ALIADA À EDUCAÇÃO EM SAÚDE DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118617. Acesso em: 17 abr. 2026.