QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DO GELO NA FRONTEIRA OESTE DO RS: RISCOS E SEGURANÇA DO CONSUMIDOR

Autores

  • Livia Antunes da Silveira
  • João Vitor Sales
  • Sophia Pimentel Morales Duran
  • Adelaide Townsend Nunes
  • Tatiana Margot Müller da Rosa
  • Cassia Regina Nespolo

Palavras-chave:

Monitoramento, microbiológico, Coliformes, Vigilância, Sanitária, Água, potável

Resumo

As doenças de veiculação hídrica, causadas por bactérias, vírus e parasitas, continuam sendo uma preocupação de saúde pública. *Escherichia coli*, *Salmonella spp.* e *Staphylococcus aureus* são microrganismos comuns em Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) e representam uma grande preocupação. Aproximadamente dois milhões de mortes anuais estão associadas à ingestão de alimentos e água contaminados, com sintomas como diarreia, vômitos e náuseas causados pela ingestão de coliformes. Durante muito tempo, o gelo tem sido amplamente utilizado na indústria alimentícia devido ao seu papel crucial na refrigeração e conservação de alimentos. Ele pode ser classificado em duas categorias: comestível, consumido diretamente, e não comestível, usado principalmente para a conservação de alimentos perecíveis como carnes e pescados. Apesar de sua importância, o gelo pode se tornar uma fonte de contaminação e doenças transmitidas por alimentos (DTAs) se produzido em condições inadequadas. Microrganismos patogênicos podem proliferar em gelo fabricado de maneira insatisfatória, o que torna essencial manter rigorosas práticas de higiene e controle de qualidade na sua produção. O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade microbiológica do gelo comercializado em um município da região Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, para identificar possíveis riscos à saúde dos consumidores. A pesquisa faz parte do projeto de monitoramento higiênico e microbiológico em estabelecimentos de saúde e serviços de alimentação. Amostras de cinco marcas de gelo foram coletadas em sacos de 3 kg, em meses consecutivos, abrangendo dois lotes de produção. As amostras foram transportadas em caixas térmicas para análise no Laboratório de Microbiologia da Universidade Federal do Pampa. Foram avaliados os parâmetros de coliformes totais e termotolerantes, incluindo *Escherichia coli*, seguindo diretrizes de potabilidade de água para consumo humano. A detecção de coliformes foi realizada pelo método do Número Mais Provável (NMP) com a técnica dos túbulos múltiplos, que estimam a densidade bacteriana. O ensaio presuntivo foi feito em Caldo Lauril Triptose, e o ensaio confirmativo usou Caldo Lactosado com Verde Brilhante e Bile a 2% para coliformes totais, e Caldo *E. coli* para coliformes termotolerantes, confirmando a presença dos microrganismos por produção de gás. Informações sobre cada embalagem, como marca, lote, data de fabricação e validade, foram anotadas e as condições de armazenamento observadas. Os resultados foram interpretados pela Tabela de Hoskins e avaliados conforme a legislação vigente. Foi observado que coliformes totais estavam presentes em 80% das marcas coletadas. A presença de *E. coli* foi encontrada em 20% das marcas na primeira coleta e em 40% na segunda. Os requisitos de qualidade definem que o gelo deve ser preparado com água que atenda ao padrão de potabilidade e, microbiologicamente, deve estar livre de *E. coli*. Algumas marcas avaliadas foram consideradas impróprias para consumo. Um estudo realizado em Belém do Pará avaliou o gelo usado na conservação de pescado e encontrou *E. coli* em 94% das amostras, indicando que o gelo não era adequado para consumo humano. Os resultados foram atribuídos a manuseio inadequado e falta de higiene, além da má qualidade da água utilizada. A presença de coliformes totais ou *E. coli* indica contaminação e inadequação para consumo. Estudos indicam que práticas anti-higiênicas, água contaminada e equipamentos mal higienizados são as principais causas de contaminação do gelo. Assegurar a qualidade do gelo é crucial para a segurança alimentar, especialmente quando consumido diretamente. A detecção de contaminação microbiológica reforça a necessidade de práticas de higiene rigorosas e controle de qualidade na fabricação e manejo do gelo. Implementar medidas adequadas e colaborar com a vigilância sanitária são passos essenciais para prevenir contaminações e proteger a saúde pública.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DO GELO NA FRONTEIRA OESTE DO RS: RISCOS E SEGURANÇA DO CONSUMIDOR. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118407. Acesso em: 24 jun. 2026.