A PARCERIA ESTRATÉGICA ENTRE BRASIL E CHINA EM TEMPOS DE IDEOLOGIAS ANTAGÔNICAS (1964-1985)
Palavras-chave:
Brasil, China, Política, ExternaResumo
A confecção do trabalho tem como objetivo analisar a parceria estratégica entre Brasil e China durante a ditadura militar brasileira, entre 1964 e 1985. Esse período é caracterizado por ideologias antagônicas, com o Brasil sob um regime anticomunista, enquanto a China era governada por um regime comunista. O foco do estudo é compreender como, apesar das divergências ideológicas, os dois países conseguiram estabelecer uma cooperação pragmática, promovendo o desenvolvimento das relações econômicas e comerciais. Além disso, busca-se esclarecer as motivações por trás dessa aproximação em meio às oscilações políticas e econômicas da época. O trabalho foi elaborado a partir de uma revisão de literatura e análise documental que permitiram identificar os fatores que influenciaram as relações entre Brasil e China durante o regime militar. Esses fatores explicam como o pragmatismo econômico prevaleceu sobre as diferenças ideológicas, permitindo o desenvolvimento das relações entre os dois países. As relações sino-brasileiras no século XX passaram por diversas fases de alinhamento e rupturas políticas. Inicialmente, a aliança entre Brasil e China durante a Segunda Guerra Mundial fomentou o crescimento dos laços entre os dois países. No entanto, a proclamação da República Popular da China em 1949 marcou uma ruptura nas relações, uma vez que o Brasil, alinhado ao bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos, se recusou a reconhecer o governo comunista chinês. Esse distanciamento persistiu durante a década de 1950, especialmente sob os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, que seguiram uma política fortemente anticomunista. Apesar do rompimento diplomático, as relações comerciais e culturais entre Brasil e China começaram a ser reestabelecidas no início dos anos 1960, principalmente durante a Política Externa Independente (PEI) do presidente Jânio Quadros. A PEI visava diversificar as relações internacionais do Brasil, estabelecendo parcerias com países de diferentes ideologias, incluindo a China. No entanto, o golpe militar de 1964 interrompeu esses avanços e intensificou o anticomunismo nas políticas externas brasileiras. Um dos momentos críticos que marcou a deterioração das relações sino-brasileiras foi a prisão de nove cidadãos chineses no Brasil em 1964, acusados injustamente de fomentar uma revolução comunista. Esse episódio gerou uma crise diplomática que levou à suspensão das relações entre os dois países até 1971. No entanto, a partir de 1974, durante o governo de Ernesto Geisel, as relações diplomáticas entre Brasil e China foram restabelecidas, impulsionadas por interesses econômicos e pelo contexto internacional, como a reaproximação entre China e Estados Unidos. As reformas econômicas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978 na China, que promoveram uma abertura ao exterior e a modernização econômica, foram fundamentais para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China. Durante o período entre 1974 e 1985, o comércio bilateral entre os dois países cresceu exponencialmente, com o Brasil exportando principalmente produtos industrializados e siderúrgicos para a China, enquanto importava petróleo chinês, o que ajudou a aliviar a crise energética brasileira. Apesar das resistências internas no Brasil, motivadas pelo anticomunismo do regime militar, o pragmatismo econômico prevaleceu, e as oportunidades de comércio com a China se mostraram cada vez mais atraentes. A partir de 1983, o governo brasileiro adotou uma postura mais flexível, utilizando mecanismos como comissões mistas para negociar contrapartidas às importações de petróleo, o que resultou em superávits comerciais a partir de 1984. A visita do presidente brasileiro João Figueiredo à China em 1984, seguida pela visita do Primeiro-Ministro chinês Zhao Ziyang ao Brasil em 1985, consolidou a parceria estratégica entre os dois países, que se aprofundou nas décadas seguintes. Essas visitas diplomáticas marcaram uma mudança de postura do Brasil, que passou a ver a China não mais como uma ameaça ideológica, mas como um parceiro estratégico no cenário internacional. Em síntese, as relações entre Brasil e China durante o período da ditadura militar foram marcadas por desafios ideológicos e econômicos, mas o pragmatismo prevaleceu, permitindo o desenvolvimento de uma cooperação benéfica para ambos os países. Mesmo com as oscilações políticas, essa parceria se mostrou essencial para o fortalecimento das relações econômicas e comerciais, estabelecendo as bases para uma cooperação estratégica que perdura até os dias atuais.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A PARCERIA ESTRATÉGICA ENTRE BRASIL E CHINA EM TEMPOS DE IDEOLOGIAS ANTAGÔNICAS (1964-1985). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118075. Acesso em: 22 maio. 2026.