EXPOSIÇÃO AMBIENTAL NA GESTAÇÃO E IMPACTO NA SAÚDE DA PROLE

Autores

  • Felipe Haniel Fernandes Derré Torres
  • Bruna Simoneto Marques
  • Daniel de Barba Kaestner
  • Barbara Angelo de Moraes
  • Paulo Henrique Oliveira Lima
  • Marilyn Nilda Esther Urrutia Pereira

Palavras-chave:

Pré-natal, Anamnese, ambiental, Saúde

Resumo

Anualmente, mais de nove milhões de mortes em todo o mundo são atribuídas a poluentes ambientais, sendo que 94% delas ocorrem em países de renda média-baixa. Nesse cenário, a gestação, conhecida como um período de maior vulnerabilidade para o feto em desenvolvimento, pode ser comprometida por fatores ambientais de forma a afetar o desenvolvimento e a saúde do feto e do bebê subsequente. As exposições durante as janelas de suscetibilidade pré-natais podem prejudicar o desenvolvimento do feto, além de determinar crescimento prejudicado e danos a órgãos vitais, aumentar o risco de doenças na infância e prejudicar a saúde ao longo da vida. Diversos estudos associaram esses desfechos fetais a exposições como fumaça de tabaco ambiental, metais pesados, poluição do ar, pesticidas, poluição da água e riscos relacionados à ocupação. É provável que a maioria das mulheres grávidas sejam expostas a múltiplos poluentes no meio ambiente. Essas exposições precoces, mesmo em pequenas quantidades, podem persistir e acumular-se, enquanto outras podem ter efeitos interativos e sinérgicos impactando na saúde fetal e provocando modificações epigenéticas que terão impactos por toda a vida. Tal estudo tem por objetivo analisar o impacto que as exposições ambientais na gestação causam na prole, bem como informar as grávidas, a comunidade e aos gestores os riscos detectados e medidas a serem realizadas. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e explicativa, do tipo transversal. As gestantes convidadas a participar do estudo estavam internadas na Santa Casa de Uruguaiana, sendo os critérios de inclusão da pesquisa: estar realizando o acompanhamento da gestação na rede pública de saúde e ter 18 anos ou mais. Os dados foram coletados por pessoas treinadas (integrantes da equipe de pesquisa), através de computador, tablet ou telefone. Os convites para participar da pesquisa são acompanhados do Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) em duas vias, uma ficando com o pesquisador e outra com a participante. A coleta de dados é feita em local privativo, com o entrevistador realizando as perguntas e preenchendo as respostas em dispositivo móvel na frente da gestante. As informações são sigilosas. Os dados obtidos serão transferidos à planilha do Package for Social Sciences (SPSS) para análise dos dados. Os dados serão tabulados e submetidos a análises formais por meio do software SPSS versão 22.0. Além de correlações, modelos de regressão foram construídos a partir das variáveis significativas nas correlações, respeitando-se os princípios da multicolinearidade. Realizou-se também uma modelagem por blocos, que possibilita, segundo Field em 2009, observar com mais detalhe como se comporta o modelo e também o tamanho do efeito de cada variável. Do período de 10 de janeiro de 2024 até 01 de setembro do mesmo ano, foram coletadas 340 respostas de puérperas visando avaliar seu contexto biopsicossocial e estimar a exposição ambiental à qual ela esteve submetida. Dentre essas respostas, alguns dados notáveis observados foram: 44,9% das mães têm o ensino médio completo, 48,1% possuem de 2-3 salários mínimos de renda familiar e 59,5% das gestações não foram planejadas. Sobre o tabagismo, 27,9% já fumaram cigarro pelo menos uma vez na vida, 87,9% acreditam que o fumo do cigarro de outras pessoas lhe causam danos, 36,5% relatam que seus médicos não orientaram sobre os perigos do fumo na gestação e ,em relação à exposição passiva ao tabagismo, 37,9% relataram estar pouco expostas, 3,2% bastante expostas e 28,8% nada expostas. Sobre o local de residência, 44,2% estão em ruas sem asfalto, 35,4% em ruas com muito tráfego de carros, 15,3% estão expostas à fumaça da queima de lixo, 13% relataram estar próximas de algum esgoto a céu aberto. Também se observou que 59,1% estão preocupadas com riscos ambientais no bairro, se destacando entre esses riscos a dengue, enchentes, lixo nas ruas, queimadas, zoonoses pelo grande número de animais de rua e poeira. Portanto, o aumento do conhecimento sobre Saúde Ambiental e a incorporação da Anamnese Ambiental Pré-natal Pediátrica no cotidiano do pré-natal da gestante permitirá sensibilizar os cuidadores sobre as condições e situações domésticas potencialmente perigosas às quais as gestantes podem estar expostas e melhorar a compreensão dos efeitos nocivos dessas condições sobre a saúde e o desenvolvimento da sua prole. Além de identificar os riscos, aplicar medidas que impeçam impactos negativos na saúde da gestante e especialmente da prole. Outros benefícios desta pesquisa serão indiretos, na medida em que se espera produzir e aumentar o conhecimento na área. A continuidade da pesquisa pela análise de dados cruzados, buscando encontrar relações de causa e efeito, será feita no momento que o questionário atingir 500 respostas válidas, visando que o estudo seja estatisticamente mais relevante e realista.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

EXPOSIÇÃO AMBIENTAL NA GESTAÇÃO E IMPACTO NA SAÚDE DA PROLE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118014. Acesso em: 13 jun. 2026.