INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA MULHER AUTISTA PROTAGONISTA DE SUA JORNADA.

Autores

  • Dienuza Costa
  • Erica da Silva Borges
  • Lurian Machado da Silva
  • Alessandra Brazzutti

Palavras-chave:

inclusão, acessibilidade, educação, inclusiva

Resumo

A inclusão é uma luta histórica que nos últimos anos ganhou muita força através do movimento Nada sobre nós, sem nós, que é uma frase muito utilizada entre as pessoas com deficiência (PcD), que ganhou mais força ainda durante o processo de construção da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A deficiência é um conceito complexo, dinâmico, relacional. A luz da Convenção, a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras que impedem a participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Este conceito é reafirmado pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Estudos sobre Deficiência (Disability Studies) ressaltam que a deficiência é uma situação e não uma condição, assim sendo ela faz parte da diversidade humana. O acesso à educação é um direito básico do ser humano, mas esse acesso nem sempre existiu para PcD. A inclusão e a acessibilidade vieram para garantir o acesso a todos os níveis de educação para todas as pessoas. Incluir é criar um ambiente onde qualquer pessoa se sinta bem, seja para estudar, trabalhar ou apenas existir sem ser excluída. Acessibilidade é garantir que todos tenham acesso a produtos, serviços e espaços, sem barreiras que impeçam a participação. Juntas, inclusão e acessibilidade constroem uma sociedade mais justa e equitativa para todos, ou seja, inclusão é sobre como nos sentimos e acessibilidade é sobre como fazemos as coisas. O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência da autora como bolsista da Divisão de Educação Inclusiva e Acessibilidade (DEIA) Universidade Federal do Pampa (Unipampa) - Campus São Gabriel , que é uma mulher autista, acerca da importância do sentimento de pertencimento e protagonismo autista. Historicamente pessoas com deficiência encontram barreiras para estar em lugares nos quais elas mesmas poderiam ajudar mais, por entender como é viver em um corpo que muitas vezes não se enquadra no que a sociedade vê como alguém capaz de produzir, de estar no mercado de trabalho. O autismo é uma deficiência que geralmente é invisível pois não é uma deficiência física e sim um transtorno no neurodesenvolvimento que acaba afetando cada pessoa autista de uma maneira diferente e em níveis de necessidade de suporte diferentes. Logo, as dificuldades que uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) encontra para ingressar e se manter no ensino superior são inúmeras, iniciando na educação básica e perpassando toda a trajetória escolar. Felizmente estamos vendo nesse momento a criação de diversas Políticas Educacionais voltadas para a inclusão e acessibilidade que facilitam a permanência de pessoas com deficiência na universidade. Foi através de um desses programas que a autora principal deste trabalho conseguiu, através de algumas adaptações e principalmente, tendo suas demandas executadas dentro da universidade, recebendo o suporte necessário quando solicitado, e sentindo-se em um ambiente onde a sua deficiência é só mais uma característica dela dentro da diversidade infinita de seres humanos. Existe muita coisa para melhorar quando falamos em inclusão e acessibilidade no ensino superior, e muito mais quando falamos em pessoas autistas nesse contexto, mas devemos também, ressaltar todas as ações da Unipampa como um todo e principalmente no Campus São Gabriel, pois o protagonismo de uma mulher autista na construção da sua carreira acadêmica dentro do DEIA foi elemento principal para a permanência da mesma no curso de Ciências Biológicas Licenciatura. A inclusão de pessoas com deficiência (PcD) na educação superior, exige uma grande quantidade de esforço para garantir o acesso, a permanência e o sucesso dessas pessoas nas universidades. Mesmo com avanços proporcionados por políticas educacionais e programas que visam a acessibilidade, ainda restam muitos desafios a serem superados, principalmente no que tange à conscientização sobre as diferentes necessidades de suporte. A educação inclusiva vai além de adaptações físicas, ela abrange também questões psicossociais e pedagógicas, de modo a proporcionar um ambiente acolhedor e empático. No caso de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), pode ser necessário a implementação de métodos de ensino diferenciados, além de suporte contínuo, para lidar com as demandas acadêmicas e sociais. O papel das instituições de ensino, portanto, é crucial para promover um espaço onde a diversidade seja vista como uma riqueza e não como uma barreira, incentivando o protagonismo de pessoas autistas e com outras deficiências em sua trajetória acadêmica.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA MULHER AUTISTA PROTAGONISTA DE SUA JORNADA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117851. Acesso em: 17 abr. 2026.