ENSINO HÍBRIDO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: SOLUÇÃO OU ADEQUAÇÃO?
Palavras-chave:
Metodologias, Ensino, Tecnologias, Informação, Comunicação, HíbridoResumo
Desde sua fundação, no ano de 2011, o Laboratório Interdisciplinar Integrado (LABii) do Campus Itaqui e o Grupo de Ações Interdisciplinares Aplicadas da Unipampa (UNIGAIA) do CNPq têm explorado o uso de tecnologias da informação e comunicação (TIC) para apoiar o ensino presencial, adaptando metodologias do ensino à distância (EAD) para cursos presenciais de graduação. Essa abordagem permitiu dispensar os controles rigorosos típicos do EAD, graças ao contato direto entre professores e alunos. Iniciativas pioneiras na Unipampa, como a integração do Moodle e o uso de webconferências, foram impulsionadas por vários projetos ao longo dos anos. Com a pandemia de COVID-19 em 2020-2021, o LABii desempenhou um papel central no treinamento de docentes e discentes no uso de plataformas de EAD, como Google Classroom, Google Meet, documentos e planilhas compartilhadas, além de armazenamento online via Google Drive. Essa adaptação rápida foi orientada pela percepção, desenvolvida ao longo de mais de uma década, da necessidade de integrar TICs ao ensino, frente às dificuldades crescentes enfrentadas pelos acadêmicos no modelo tradicional de ensino presencial. Desta forma, este estudo apresenta um relato de experiência que abrange a evolução da metodologia de ensino do grupo dentro da Unipampa partindo do modelo exclusivamente presencial no início, passando pela integração do Moodle e webconferências em ações de extensão, passando para as atividades emergenciais de ensino remoto integral durante a pandemia e, finalmente, para a implementação do ensino híbrido após o retorno às aulas presenciais. Durante essa transição, o LABii destacou-se como um pioneiro na incorporação de novas tecnologias e metodologias, contribuindo significativamente para o ensino presencial. A implementação do Google Meet e do Google Classroom, em 2020, marcou uma mudança ao fornecer ferramentas eficazes para o ensino híbrido, aliviando a sobrecarga imposta pelo uso dos sistemas anteriores sobre os professores (e sobre os alunos) e criando um novo patamar de trabalho, mais confortável, para essa modalidade. A pandemia impulsionou a experimentação de diversas configurações de ensino: desde o professor e alunos cada um em suas casas, passando por situações em que o professor estava remoto enquanto os alunos estavam em sala de aula, até o modelo híbrido, onde o professor estava na sala de aula e os alunos tiveram a oportunidade de escolher entre a participação presencial ou remota. Avaliações dessas configurações, através de questionários e troca de experiências, evidenciaram que nenhuma metodologia de ensino se destacou significativamente em termos de qualificação do processo de aprendizagem. Contudo, o ensino híbrido demonstrou maior flexibilidade para atender às variadas necessidades dos acadêmicos, contribuindo para a manutenção e potencial aumento no número de matrículas nos cursos. O futuro do ensino híbrido aponta para uma integração cada vez mais profunda com tecnologias emergentes e é nesse contexto que a inteligência artificial (IA) surge para transformar a sala de aula em um ambiente interativo e personalizado. Ferramentas de IA podem desempenhar um papel crucial no aprimoramento da escrita acadêmica dos alunos, auxiliando-os na elaboração de trabalhos científicos com maior clareza, coesão e precisão. Além disso, a IA pode apoiar o desenvolvimento de algoritmos de programação, cada vez mais utilizados em diversas plataformas em nuvens, tais como plataformas de cálculo online e de processamento de imagens de satélite, especialmente para aplicações em monitoramento agrícola e ambiental, otimizando processos e aumentando a efetividade das atividades práticas. A personalização do ensino, apoiada pela tecnologia, abre caminho para modelos de aprendizagem baseados em competências, onde os alunos progridem ao demonstrar domínio dos tópicos, independentemente do tempo gasto em sala de aula. Esse enfoque pode ser particularmente eficiente no ensino híbrido, permitindo que os estudantes avancem no seu próprio ritmo, com o apoio contínuo de recursos digitais e do professor, o que já vem acontecendo na prática. Finalmente, a expansão do uso de tecnologias de blockchain para certificação e registro acadêmico oferece uma nova perspectiva de credibilidade e segurança nos processos educacionais. Certificados digitais e registros de aprendizagem baseados em blockchain podem simplificar a mobilidade acadêmica e profissional dos alunos, reconhecendo suas competências de maneira transparente e globalmente aceita. Conclui-se que o ensino híbrido não apenas se adapta às necessidades atuais, mas também está bem posicionado para acompanhar e incorporar futuras inovações tecnológicas, mantendo-se como um modelo educacional flexível e centrado no aluno, capaz de evoluir continuamente em resposta às demandas de um mundo em constante transformação.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ENSINO HÍBRIDO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: SOLUÇÃO OU ADEQUAÇÃO?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117847. Acesso em: 16 abr. 2026.