A PESQUISA-AÇÃO NA FORMAÇÃO INICIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA: POSSIBILIDADES DE APRENDIZADO

Autores

  • Renata Trindade
  • Danielle Pereira Antunes
  • Mauren Lúcia Braga de Araújo

Palavras-chave:

Esporte, Escola, Educação

Resumo

Durante o período de 4 meses dedicados à observação e investigação de território na maior escola de Ensino Médio de Uruguaiana e região, desenvolvemos uma pesquisa-ação, composta por 4 etapas: 1- Fase Exploratória, 2- Fase de Planejamento, 3- Fase de Ação, 4- Fase de Avaliação. O presente trabalho tem como foco a fase 3, na qual vários pontos são dignos de destaque, porém um deles, certamente, é a compreensão da EF através da visão dos alunos. A Base Nacional Comum Curricular - Etapa do Ensino Médio, além de noções referentes à práticas esportivas, traz um viés reflexivo, abordando como fatores externos podem contribuir para um melhor aproveitamento dos fundamentos pedagógicos trabalhados previamente em outras etapas da educação básica. A escola possui dois espaços para esportes: o ginásio e a quadra aberta sendo o ginásio o mais usado pelos professores para as aulas de EF. O ginásio contém 4 tabelas de basquete, 2 fixas e 2 móveis, 2 redes de vôlei, uma oficial e outra para treinos, e traves para o futebol, incluindo também os equipamentos necessários para os jogos e outras atividades, como bolas de tênis, vôlei e futebol, cones altos, bambolês, colchonetes, chapéus e coletes. A EF possui 1 período semanal com duração de 45 minutos e os participantes observados foram estudantes das turmas 11H e 11F. Os estudantes estavam aprendendo sobre o voleibol, e o método de ensino utilizado era geralmente os estudantes dispostos em filas e repetindo os movimentos realizados durante os jogos. Notamos que poderíamos contribuir oportunizando mais dinâmicas de jogo, reconhecendo a limitação de tempo de aula como uma barreira tanto para o desenvolvimento da aula, quanto para a aprendizagem da cultura corporal por parte dos estudantes. Além do tempo limitado para a condução da aula, geralmente eram gastos alguns minutos para o deslocamentos dos estudantes de suas salas até o ginásio. Foram dialogadas opções com o professor responsável sobre os desafios da EF no Ensino Médio para o público mais jovem, e foi constatado que seria instigante adotar uma abordagem mais dinâmica. Então foi definido que seria dada continuidade ao conteúdo de vôlei, porém o período de enchentes que afetou o estado do Rio Grande do Sul exigiu reajuste de rota e optamos por trazer atividades que pudessem ser feitas sem a necessidade de espaço e equipamento profissional. A primeira readaptação foi a utilização da sala de aula como espaço de aula para EF, pois o ginásio da escola tornou-se abrigo para as famílias que perderam suas casas na enchente. A redução do espaço mobilizou atividades teóricas e assim seguiu-se por 1 mês até a melhora das condições climáticas. Durante a volta às quadras, foram relembrados os fundamentos básicos do vôlei, e desenvolveu-se atividades mais esporádicas como o: Vôlei móvel, com TNT e as olímpiadas de vôlei. Foi perceptível o conflito de interesses entre os alunos, quando abordamos atividades voltadas para o jogo e suas normas, os meninos demonstraram mais interesse e participação. Quando trazíamos atividades sem tanta influência de regras, as meninas engajaram-se mais revelando que existem diferenças na interação com a cultura corporal dentro da cultura escolar dos perfis variados que devem ser contemplados ao longo do processo formador. A EF é um componente curricular que aborda os aspectos físicos e socioculturais dos estudantes, através das manifestações da cultura corporal (CC) historicamente produzida pela humanidade mobilizando não apenas habilidades motoras, mas socioemocionais e promovendo o autoconhecimento através do desenvolvimento da consciência de si. É por isso que a EF, dentro do currículo, se encontra dentro da área das linguagens, pois é responsável por desenvolver a linguagem corporal através da abordagem pedagógica das diversas manifestações da CC. A EF foi corriqueiramente referenciada como um momento de descanso mental para os estudantes envolvidos, ou momento de fruição mais informal e menos significativo que outros componentes, como Matemática e Língua Portuguesa. Um possível caminho para promover a valorização da EF como componente curricular são aulas que promovam o diálogo com os estudantes, mediando os interesses e expectativas, com as possibilidades, trilhando o caminho pedagógico orientado pelos documentos legais, onde a EF, dentro da área das Linguagens, tem o papel de desenvolver a linguagem corporal, através da abordagem pedagógica das diversas manifestações da CC. O que permite um espaço para uma singela pergunta: O quão longe um professor pode ir, quando lhe é ofertado 1 período semanal de aula ? Talvez, um bom professor seja aquele que está disposto a analisar sua turma, identificar as necessidades e validá-las através do diálogo e da problematização, porém como promover um conhecimento qualificado com discussões relevantes, planejamento à longo prazo, aprofundamento dos conteúdos quando as políticas curriculares reduzem cada vez mais o espaço pedagógico da EF no currículo ?

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

A PESQUISA-AÇÃO NA FORMAÇÃO INICIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA: POSSIBILIDADES DE APRENDIZADO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117793. Acesso em: 17 abr. 2026.