EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: (RE)CONHECIMENTO DOS POVOS ORIGINÁRIOS SOB UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL

Autores

  • Vanielle Galiano Silveira
  • Caio Henrique Gonçalves Lopes
  • Laura Amália Miranda Costa
  • Eidiner Galiano Silveira
  • Wellington Bittencourt Dos Santos
  • Mayra da Silva Cutruneo Ceschini

Palavras-chave:

Educação, intercultural, Intervenção, pedagógica, Etnoeducação

Resumo

Os professores da Educação Básica no Brasil utilizam os livros didáticos como uma das principais ferramentas didáticas. No entanto, esses livros frequentemente apresentam conteúdos desatualizados e abordam temas importantes, como diversidade cultural e étnica, de forma superficial, sob uma perspectiva eurocêntrica, que carrega preconceitos constituídos historicamente. Um exemplo notável é a representação dos povos indígenas que, muitas vezes, é tratada de maneira genérica e ultrapassada, não refletindo a realidade vivida por essas comunidades na atualidade. Conforme a Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008, é obrigatório o ensino da história e cultura indígena na Educação Básica. Contudo, na prática, os conteúdos oferecidos ainda não atendem de forma adequada às necessidades educativas para uma educação etnocultural. Diante desse cenário, alunos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus São Gabriel, realizaram uma intervenção pedagógica para promover uma maior conscientização sobre os povos originários. A intervenção foi realizada em duas turmas do 8º ano do Ensino Fundamental na escola-campo do Programa no município e teve os seguintes objetivos: I) oferecer uma contextualização sobre a cultura indígena em sala de aula; II) realizar uma expedição de estudos a uma aldeia, com o intuito de proporcionar uma compreensão mais profunda e autêntica da realidade indígena. Para a primeira fase da intervenção, foram utilizados slides como ferramenta pedagógica para facilitar a compreensão dos temas abordados de forma dialógica. A atividade incluiu a contextualização da história dos povos indígenas no Brasil, abrangendo desde o período da colonização até os dias atuais. Foi abordada a diversidade entre os grupos indígenas e suas características culturais específicas, além de discutir aspectos variados, como religiosidade, práticas de casamento e estilos de vida. Na segunda parte da intervenção, os estudantes visitaram a Aldeia Guarani Jekupe Amba (Morada do Guardião) localizada em São Gabriel, onde foram recebidos pelos representantes da comunidade e receberam instruções sobre como se comportar em relação às crenças e tradições indígenas. Durante a visita, os estudantes tiveram a oportunidade de compreender e esclarecer dúvidas diretamente com os integrantes do grupo. Eles puderam aprender sobre diversos aspectos, como a alimentação, a organização política da aldeia e, ao mesmo tempo, desafiar preconceitos e visões estabelecidas. Foi possível notar um elevado nível de interação, respeito e envolvimento por parte dos estudantes, que demonstraram grande abertura em relação às diferenças culturais. Para finalizar a intervenção, a professora supervisora do Programa na escola-campo e titular da disciplina de Ciências, solicitou aos estudantes uma atividade de pesquisa, com posterior apresentação, para aprofundamento da temática de estudo. Os estudantes apresentaram trabalhos muito ricos sobre cultura e mitologia guarani, lideranças e personalidades indígenas, políticas públicas voltadas aos povos originários e sociedades indígenas matriarcais. O conteúdo e a postura das pesquisas apresentadas pelos estudantes trouxeram evidências de uma aprendizagem contextualizada, de viés crítico e quebrando visões estereotipadas anteriormente construídas. Com base nos dados aferidos a cada fase da intervenção, considera-se que essa experiência educativa proporcionou aos estudantes uma visão mais profunda e respeitosa das práticas e tradições das comunidades indígenas. A interação direta com os membros da Aldeia ajudou a desmistificar conceitos errôneos e fortaleceu a compreensão intercultural. A disposição dos estudantes para aprender e o respeito demonstrado durante a expedição de estudos evidenciam o impacto positivo da atividade na formação de uma consciência cultural mais empática e informada, explicitando a importância de práticas vivenciais e imersivas para promoção da educação para as relações étnico-raciais.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: (RE)CONHECIMENTO DOS POVOS ORIGINÁRIOS SOB UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117784. Acesso em: 17 abr. 2026.