A INSERÇÃO DA FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE A ATUAÇÃO EM TERRITÓRIO VIVO

Autores

  • Andressa Arrial da Rosa
  • Jonathan Jardim da Silva
  • Manoella Pradella Dotta
  • Gracielle Karla Pampolim Abreu
  • Camila dos Santos Gonçalves

Palavras-chave:

Sistema, Único, Saúde, Atenção, Primária, Envelhecimento

Resumo

A fisioterapia que conhecemos hoje, começou a se desenvolver na metade do século XIX, inicialmente como uma resposta às epidemias e, mais tarde, às necessidades de reabilitação de soldados após as duas grandes guerras mundiais. Com o tempo, houve avanços nas técnicas e na profissionalização da área, incluindo a formação de associações e regulamentações profissionais. No Brasil, a fisioterapia começou a se expandir na primeira metade do século XX, focando em tratamentos para lesões e doenças neurológicas. Em 1969, a profissão foi regulamentada pelo Decreto nº 938, estabelecendo-a como uma especialidade de nível superior voltada para a reabilitação física. A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988 redirecionou a importância e a atuação da fisioterapia na saúde pública, consolidando seu papel em áreas como ortopedia, neurologia e reabilitação pós-cirúrgica. Atualmente, a fisioterapia é uma demanda crescente tanto no setor público quanto no privado, e vem ganhando cada vez mais força no campo da prevenção de agravos, promoção de saúde, e acompanhamento e tratamento de condições crônicas. Entretanto, ainda predomina na sociedade a percepção de que a profissão se restringe à recuperação de lesões e o desconhecimento das suas ofertas em Saúde Coletiva. Este trabalho tem como objetivo destacar a importância da fisioterapia na atenção primária, com ênfase nos atendimentos fisioterapêuticos fornecidos na Estratégia de Saúde da Família (ESF-16) de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. A metodologia inclui duas vivências práticas realizadas pelos estudantes de fisioterapia da Universidade Federal do Pampa em estágio supervisionado na ESF-16. A primeira vivência consistiu em visitas domiciliares para pacientes que não podem comparecer ao posto devido às condições físicas ou econômicas. A segunda vivência foi o atendimento em grupo para idosos organizado pelos estagiários, incluindo atividades dinâmicas para melhorar a condição física e promover a interação social e prevenção de quedas. Vale ressaltar que durante as atividades, os idosos foram assistidos e orientados conforme suas singularidades e necessidades. Como resultado dos exercícios e atividades promovidos pelos estagiários de fisioterapia na ESF avaliou-se significativa melhora da força e mobilidade, facilitando a prática das suas atividades diárias e melhora na qualidade de vida. Além disso, é imprescindível falar sobre o quanto a visita domiciliar permite ao fisioterapeuta o conhecimento do ambiente e das relações intrafamiliares, no qual oportuniza a abordagem e a resolução de problemas conjuntos, e compreensão dos aspectos sociais e emocionais, proporcionando uma atenção integral à comunidade. Em relação às atividades em grupo, elas proporcionaram um aumento na interação social e na motivação entre os idosos, e a melhor participação das sessões de fisioterapia. A abordagem integrada da ESF, que combina cuidados preventivos e terapias adaptadas, mostrou-se eficaz na promoção do bem-estar e na manutenção da funcionalidade dos pacientes da intervenção em grupo. A prática observada evidenciou que a atuação dos fisioterapeutas contribui para a melhoria da qualidade de vida dos idosos, não só através do cuidado físico, mas também promovendo a socialização e, consequentemente, o bem estar dessa população. Ademais, é fundamental destacar a carência de profissionais dessa categoria profissional na saúde pública no Brasil. Em Uruguaiana, observa-se que as ESFs periféricas estão progressivamente sendo deixadas em segundo plano. Isso dificulta a oferta de um atendimento digno à população, devido à falta de infraestrutura, que limita o número de atendimentos possíveis, e à escassez de equipamentos necessários para a realização dos procedimentos. Além disso, a combinação da baixa disponibilidade de fisioterapeutas com a alta demanda de pacientes em busca de cuidados contribui para a sobrecarga dos poucos serviços que contam com esse profissional. Portanto, a experiência contribuiu para a formação dos estudantes de fisioterapia através da vivência das possibilidades da inserção no campo da atenção primária em saúde.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

A INSERÇÃO DA FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE A ATUAÇÃO EM TERRITÓRIO VIVO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117750. Acesso em: 17 abr. 2026.