TECENDO POSSIBILIDADES DE TRABALHO COM ASTRONOMIA ATRAVÉS DE LENDAS DOS POVOS ORIGINÁRIOS
Palavras-chave:
EJA, INDÍGENA, ASTRONOMIAResumo
No contexto do nosso Bioma Pampa temos uma pluralidade cultural, nossa cultura foi formada por muitas mãos. A Lei 11.465/08, traz a obrigatoriedade do trabalho com as culturas afro brasileira e indígena na escola, para além dessa determinação está a importância de conhecer a cultura dos povos originários que são base da ancestralidade no nosso país, aproximar e regionalizar esse trabalho é fundamental para que os estudantes se sintam próximos e representados pelo que está sendo exposto. Quando pensamos no trabalho com a cultura indígena é importante saber quais povos habitavam a região onde esse estudante está inserido e a partir disso pode-se abordar costumes, histórias e tradições que atravessam o tempo e constroem identidades de comunidades. Os povos originários sempre usaram como base para sua orientação o céu e seus elementos em todas as regiões que habitavam, incluindo o nosso Bioma Pampa, buscou-se trazer o estudo da cultura dos povos originários de maneira prática, contextualizada e partindo do estudo de lendas indígenas.É necessário que os estudantes possam entender que o Bioma Pampa é nosso lar, nosso contexto e tudo que o envolve, como a cultura e conhecimento construídos a partir dos povos ancestrais. O presente trabalho busca relatar uma experiência pedagógica desenvolvida na cidade de Uruguaiana-RS, fronteira oeste do Rio Grande do Sul, região habitada no passado por povos indígenas das tribos Guarani e Pampeanos, com alunos de uma escola pública municipal localizada no bairro União das Vilas, na modalidade Educação para jovens e adultos que é ofertada no turno da noite. O trabalho nessa modalidade deve ser pensado e adaptado para atender um público que, em sua grande maioria, é trabalhador,e após cumprir sua carga horária de trabalho vem para a escola em busca de socializar e construir novos conhecimentos e aprendizagens. O ensino para o estudante da EJA não pode ser apenas trazido da mesma maneira que se apresenta no ensino regular, é preciso ser pensado de maneira a atender as especificidades desse público, de jovens, adultos e idosos, considerando sempre suas vivências e conhecimentos que antecedem a vida escolar. Tendo como atividade desencadeadora foi feita a contação da história de Sepé Tiaraju,guerreiro indígena de origem brasileira e guarani, que segundo uma lenda originária teria uma marca em forma de estrela na testa, que brilhava guiando os soldados missioneiros nas noites de combate. Partindo dessa lenda, famosa em nossa região, inicialmente convidou-se os alunos a observarem o céu à noite (horário da aula), foram feitos questionamentos do que eles viam e o que já sabiam sobre as ciências que estudam os céus. Na sequência foi realizada uma abordagem sobre o conceito de astronomia e o uso desta ciência pelos povos originários. Foram trabalhadas as principais constelações que são usadas pelos povos indígenas para anunciar a chegada de cada uma das quatro estações do ano são elas: Homem velho(verão), Veado( outono para os guaranis), Anta do norte (primavera) e a Ema (inverno). Cada uma dessas constelações tem sua própria lenda de surgimento, a cada noite foi trabalhada uma dessas lendas e aṕos a contação da história, questionamentos orais e interpretação, a constelação foi observada através de imagens projetadas e impressas para serem coladas no caderno. Após o estudo das quatro constelações foi proposto um trabalho de motricidade fina com ênfase na constelação do Veado, que era bastante utilizada pelos povos Guaranis, habitantes da nossa região. Foram disponibilizados materiais para que os estudantes pudessem representar essa constelação com linha e tecido em forma de costura. O trabalho foi intitulado como Tecendo as constelações indígenas. Durante a realização do projeto pode se observar o quão significativo foi aproximar esse estudo da vivência e do contexto dos educandos, fazendo com que eles se vissem realmente como parte das histórias, apontando costumes dos povos originários que perduram até hoje e contribuindo com seus relatos pessoais. É muito importante que os sujeitos se sintam parte pertencente desse processo e se reconheçam e reconheçam suas ancestralidades como parte pertencente ao Bioma pampa. Abordar a temática astronomia dentro desse contexto foi significativo e despertou a curiosidade dos educandos, que demonstraram a construção do conhecimento de forma contextualizada e prazerosa.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
TECENDO POSSIBILIDADES DE TRABALHO COM ASTRONOMIA ATRAVÉS DE LENDAS DOS POVOS ORIGINÁRIOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117740. Acesso em: 17 abr. 2026.