MONITORIA INDÍGENA E QUILOMBOLA NA UNIPAMPA: FERRAMENTA PARA PERMANÊNCIA E PERTENCIMENTO DOS POVOS NA UNIVERSIDADE

Autores

  • Maria Alexsandra do Nascimento Silva
  • Marilia Floor Kosby

Palavras-chave:

Índigenas, universidade, Quilombolas, ações, afirmativas

Resumo

A Universidade Federal do Pampa, por meio do vestibular específico Indígena e quilombola,  tem buscado se tornar mais inclusiva e representativa da diversidade cultura existente no Brasil, assim como outras universidades públicas. Desse modo, foi possível a inserção de uma pluralidade de povos dentro da Unipampa, contudo, a permanência e adaptação no meio acadêmico desses povos é um grande problema. A criação de programas, como a Monitoria Indígena e Quilombola (MonIQ) tem um papel fundamental para para pertencimento dessas comunidades e proporciona assistência pedagógica aos discentes indígenas aldeados e quilombolas moradores de comunidades remanescentes, por meio de acompanhamento, suporte e apoio nas atividades acadêmicas (UNIPAMPA, 2024). O presente trabalho busca analisar como a monitoria específica para o acompanhamento de discentes indígenas e quilombolas impacta e contribui para o aprendizado, permanência e pertencimento dos povos na Universidade Federal do Pampa. Este trabalho adota uma abordagem qualitativa para investigar a eficácia Moniq na Unipampa. A metodologia inclui entrevistas semi-estruturadas com os povos ingressantes pelo vestibular específico, bem como com os monitores envolvidos no programa, buscando compreender as percepções sobre o impacto da monitoria na permanência e no sentimento de pertencimento dos estudantes. Os resultados obtidos com a implementação da Monitoria Indígena e Quilombola na Unipampa são positivos. A partir das entrevistas, foi possível identificar que MonIQ na Unipampa desempenha um papel fundamental na promoção da permanência desses estudantes na universidade. O programa oferece suporte acadêmico e facilita a adaptação ao ambiente universitário, contribuindo para a superação de dificuldades iniciais relacionadas ao ensino superior. Além disso, em 2023, a Comissão de Acolhida Permanente de Estudantes Indígenas e Quilombolas (CAPEIQ), reivindicou que a monitoria especifica fosse dada por outros estudantes de comunidades tradicionais. Visto que, é evidente que o monitor precisa entender a diversidade cultural, para assim entender a dificuldade do estudante e adequar-se ao modo dele aprender. Além disso, uma abordagem educacional inclusiva, deve ser construída em torno das matrizes culturais (BANIWA, 2014).  Dessa forma, espaço da monitoria se torna também um espaço de troca de saberes, onde os estudantes podem compartilhar suas experiências e fortalecer suas identidades culturais, o que é essencial para o sentimento de pertencimento na universidade. Deste modo, devido a diversidade linguística e as diferentes formas de linguagem existentes entre os povos, fica clara a Interdependência entre a língua e a cultura ou entre a língua e a sociedade (Pimental, 2009). Em resumo, a monitoria se mostra uma ferramenta eficaz para apoiar a permanência desses estudantes na universidade pública, ao mesmo tempo em que valoriza e preserva suas identidades culturais. Muitos estudantes relataram melhora em sua integração e desempenho acadêmico. Além disso, o programa contribui para criação de um ambiente mais inclusivo e sensível as questões culturais dentro da universidade. É valido ressaltar que a monitoria se mostra um ambiente acolhedor, onde é possivel valorizar e expressar suas heranças culturais. Os encontros se dão de forma online, por meio do WhatsApp e Google meet e de  presencial. Assim, o MonIQ na Unipampa se consolida como uma prática eficaz de inclusão e permanência, garantido que os povos originários possam não apenas ingressar, mas também concluir sua jornada acadêmica e retornarem para suas comunidades.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

MONITORIA INDÍGENA E QUILOMBOLA NA UNIPAMPA: FERRAMENTA PARA PERMANÊNCIA E PERTENCIMENTO DOS POVOS NA UNIVERSIDADE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117735. Acesso em: 18 abr. 2026.