SENSORIAMENTO REMOTO PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA
Palavras-chave:
Sensoriamento, Remoto, Ensino, GeografiaResumo
O Programa de Inovação Educação Conectada, criado em 2017, é um exemplo de iniciativa para o apoio e a universalização do uso de novas tecnologias no contexto escolar (Brasil, 2018). Em paralelo, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), vigente no Brasil, é o documento responsável por padronizar os conteúdos a serem trabalhados em cada ano escolar. Visa, entre outros objetivos, assegurar um conjunto de aprendizagens fundamentais para os estudantes brasileiros, recorrendo a dez competências gerais para a educação básica (Brasil, 2018). Em alusão à quinta competência geral, observou-se como objetivo central: a) promover subsídios para que alunos possam compreender, utilizar e criar Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Nesse foco, ter-se-á produção do conhecimento e pensamento crítico. Especialmente no ensino de Geografia, a partir do avanço tecnológico novas técnicas e abordagens sofisticadas para o estudo do espaço geográfico e meio ambiente, as chamadas geotecnologias (Silva, V. O., Zucherato, B., & Peixoto, D. W. B. (2021). Diante disso, emergem inúmeros questionamentos sobre a aplicação das geotecnologias em sala de aula, que perpassam questões estruturais, de treinamento e de tempo de preparação das aulas pelos professores. Em consonância com Schulman, Kathrin et al. (2021) é evidenciado que o esforço provido na seleção de materiais didáticos e de aprendizagem pode dificultar a integração das geotecnologias na sala de aula, em especial dados que precisam ser obtidos por meio de plataformas para download e visualização. Pensando nas dificuldades encontradas no ensino de geografia acerca do uso de produtos de Sensoriamento Remoto em sala, é preciso refletir as adversidades de aplicação presentes no âmbito escolar. Deste modo, a pesquisa buscou identificar a relação de alunos que apresentam conhecimento sobre o sensoriamento remoto e contato com imagens de satélite na abordagem de conteúdos de Geografia, em quatros escolas municipais de Santa Maria (RS). Para contemplar o objetivo proposto, desenvolveu-se um questionário com duas perguntas dissertativas: 1) Você sabe o que é Sensoriamento Remoto (SR)?; e 2) Você já teve alguma experiência em sala de aula com SR? Se sim, em qual disciplina?. E aplicou-se em 4 turmas do 6° ano do ensino fundamental da rede pública de ensino. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os alunos deveriam ter tido contato com SR no 5° ano, conforme a habilidade (EF05GE08): Analisar transformações de paisagens nas cidades, comparando sequência de fotografias, fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas diferentes (BNCC, 2018). Nesta pesquisa 87 alunos responderam as questões, de acordo com os dados obtidos a partir da pergunta 1, foi possível identificar que 63% - correspondendo a 54 alunos - não tinham conhecimento sobre Sensoriamento Remoto. E cerca de 36% - representando 31 alunos - alegaram que conheciam o assunto. Estes mesmos alunos, aliás, vincularam o termo SR com dispositivos como satélites e câmeras digitais. E somente 1% - sendo 2 alunos não responderam à pergunta. No que concerne à segunda questão, 70% dos alunos responderam que nunca trabalharam com SR em sala de aula, correspondendo a 61 alunos. E somente 22% - representando 19 alunos- responderam que já tinham trabalhado o tema em sala de aula. Além disso, 8% dos alunos - equivalente a 7 alunos- não responderam à questão. Nota-se que boa parte dos alunos não tiveram práticas contextualizadas com o uso de imagens de satélite em sala. Entretanto, o problema não é exclusivo dessas escolas de Santa Maria. Estudo realizado na Alemanha em 2012 revelou que, 40,5% dos alunos do 1º ano do ensino médio ainda não tinham utilizado satélite imagens na escola, enquanto 22,8% usaram imagens de satélite menos de uma vez por ano (Kollar, 2012). Embora os resultados dessa pesquisa ainda sejam parciais, é possível refletir sobre o cenário atual que permeia a disseminação e o uso de SR no ensino de Geografia no ambiente escolar. Portanto, ao explorar temas que envolvem o uso de sensoriamento remoto no cenário educacional, é necessário contextualizá-los para que se compreenda as lacunas existentes e as problemáticas envolvidas, de acordo com a realidade local e estrutural de cada escola.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
SENSORIAMENTO REMOTO PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117730. Acesso em: 17 abr. 2026.