A DICOTOMIA NA ABORDAGEM MIDIÁTICA DO FUTEBOL FEMININO E MASCULINO NO GLOBO ESPORTE
Palavras-chave:
Futebol, Feminino, Gênero, Jornalismo, EsportivoResumo
O presente trabalho apresenta resultados iniciais de uma pesquisa em desenvolvimento, realizada inicialmente na disciplina de Introdução ao Pensamento Científico do curso de Jornalismo da Unipampa, e tem como objetivo principal analisar a dicotomia na abordagem midiática do futebol feminino, em comparação com o futebol masculino, no telejornalismo. Pensando nisso, a pesquisa tem como objeto de análise 12 edições do programa Globo Esporte, do Grupo Globo. A justificativa para escolha do programa diz respeito à audiência, tendo em vista que, entre as TVs abertas, é um dos programas esportivos de maior audiência no Brasil. O futebol feminino no país foi marcado por preconceitos, lutas e conquistas, dificultando assim, a equidade de gênero no esporte. Um marco da desigualdade de gênero nesta prática esportiva foi o decreto-lei 3.199, de 1941, que proibia que mulheres praticassem o futebol. Depois de 38 anos, a atividade foi legalizada novamente, porém, não foi suficiente para o tratamento igualitário dos gêneros no esporte, principalmente nos meios de comunicação. Hoje em dia, o futebol feminino consegue conquistar um certo espaço na mídia, tendo maior visibilidade e aceitação, incluindo a transmissão de competições mundiais, algo que em outros períodos da história era inimaginável. Contudo, este espaço não se compara com o já alcançado pelos homens, há várias décadas, e, isto é visível, quando se assiste programas esportivos de alta relevância, como por exemplo, o programa de TV que é o objeto de análise deste trabalho. Considerando este contexto, definiu-se metodologicamente a análise de duas semanas do Globo Esporte, mais precisamente da RBS TV, afiliada da Rede Globo, exclusivamente do estado do Rio Grande do Sul. As edições do programa selecionadas foram exibidas dos dias 1º a 14º de junho de 2024, contabilizando todas as transmissões de notícias e reportagens que citavam tanto o futebol feminino, quanto o masculino, descartando aquelas que mencionavam esportes de outras modalidades ou que não se encaixavam em notícia ou reportagem. Estas semanas foram selecionadas por serem antecedentes à Copa América e às Olimpíadas de Paris e, ao mesmo tempo, estarem ocorrendo as partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino e Masculino. Em termos de resultados parciais, verificou-se que foram transmitidas neste período 40 reportagens e 36 notícias sobre o futebol masculino, em comparação com quatro reportagens e uma notícia sobre o futebol feminino, sendo todas unicamente da seleção brasileira. Além disso, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), durante as duas semanas contabilizadas, foram promovidos 25 jogos femininos do Campeonato Brasileiro de Futebol, que ocorre desde fevereiro de 2024, havendo registros de transmissão destes jogos divididos em categorias, sendo que dez deles foram pela categoria A-1, 12 pela Sub-20, dois pela A-2 e por fim, um único jogo pela A-3. Conclui-se então, que mesmo a pesquisa se concentrando em um período em que o futebol masculino não está inserido em um campeonato internacional de futebol, a modalidade recebeu 93,8% de visibilidade, enquanto que o mesmo esporte praticado pelas mulheres recebeu 6,2%, não alcançando assim, nem a metade da cobertura jornalística dada ao futebol masculino. Torna-se importante ressaltar que mesmo com os 25 jogos femininos transmitidos durante o período selecionado, não houve notícias ou reportagens sobre os times femininos do Campeonato Brasileiro, nem dos times que fazem parte do estado do Rio Grande do Sul, como o Internacional e o Grêmio, que tiveram oito jogos durante o período analisado, entre os dias 5 a 12 de junho. Em contrapartida, em 7 e 8 de junho o Globo Esporte exibiu duas reportagens sobre a chegada do jogador Thiago Silva no Fluminense e, o caso não é isolado, pois nos dias 1º e 13º de junho, o programa também expôs duas reportagens sobre a contratação, feita em maio deste ano, do técnico do Vasco, Álvaro Pacheco. Ao longo do tempo, consolidou-se um argumento de que o futebol feminino não atrai tanta audiência quanto o masculino, porém, é compreensível que o público só se interesse e comente sobre aquilo que sabe e que vê. Se o jornalismo não oferecer espaço e visibilidade para o futebol feminino, não formará audiência e menos informação irá circular para ser consumida. A análise realizada revela a diferença entre o espaço midiático oferecido aos dois gêneros no esporte pelo telejornalismo, refletindo assim, a necessidade de ampliação no espaço de cobertura sobre o futebol feminino. Além disso, a pesquisa também demonstra que o telejornalismo reproduz na sua abordagem a desigualdade de gênero presente na sociedade.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A DICOTOMIA NA ABORDAGEM MIDIÁTICA DO FUTEBOL FEMININO E MASCULINO NO GLOBO ESPORTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117711. Acesso em: 17 abr. 2026.