AUTISMO: INCLUSÃO ESCOLAR ATRAVÉS DE PRÁTICAS MULTIDISCIPLINARES

Autores

  • Simone Paulo Murillo
  • Amanda Machado Barbosa
  • Liége da Silva Batista
  • Riviani da Silva Schopf
  • Márcio Tavares Costa
  • Marlise Grecco de Souza Silveira

Palavras-chave:

Espectro, autista, Educação, especial, Atendimento, educacional, especializado

Resumo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento dos indivíduos, impactando no processo educacional. Estima-se que 1 a cada 68 crianças seja diagnosticada com TEA, sendo mais comum em meninos. Com a inclusão escolar obrigatória no Brasil, muitas instituições ainda encontram desafios para atender adequadamente a esses alunos. Neste contexto, este estudo relata a experiência de uma aluna de 10 anos com TEA, nível 1 de suporte, no Ensino Fundamental. E ressalta a importância de práticas pedagógicas adaptadas e do suporte multidisciplinar para promover sua inclusão escolar. Para isso, adotou-se uma abordagem qualitativa por meio de observações e avaliações, as quais foram realizadas no contexto educacional e terapêutico. Parte das autoras deste trabalho integram a equipe multidisciplinar envolvida no caso, e detêm o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido da responsável para utilização das informações obtidas. Foram realizadas avaliações psicopedagógicas, incluindo encontros com a família e professores (Anamnese), entrevista (EOCA Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem) e testes (IAR - Instrumento de Avaliação do Repertório Básico para a Avaliação) que permitiram identificar as necessidades educacionais da aluna, bem como suas habilidades e desafios. Especificamente para EOCA, foi ofertada uma caixa com os seguintes elementos: folha A4, lápis, borracha, cola, tesoura, lápis de cor, canetas de cores variadas e revistas de histórias em quadrinhos; além de jogos de formação de palavras e de adição e subtração simples. Análise do material escolar e observação direta em sala de aula também foram parte da metodologia e permitiram uma compreensão das interações sociais da aluna e de sua adaptação ao ambiente escolar. A criança frequenta o 5º ano do Ensino Fundamental e recebe Atendimento Educacional Especializado (AEE). Por meio da anamnese constatou-se déficits na aprendizagem. Em seguida, a EOCA contribuiu para elucidar como a educanda formula hipóteses, realiza problematizações, quais os seus interesses, bem como o seu modelo de aprendizagem. Nessa dinâmica, a educanda agiu de forma naturalística ao explorar os materiais. Mostrou-se confortável e capaz de interagir e atender às solicitações. Destacou-se na atividade de desenho, onde demonstrou concentração e detalhismo, embora tenha apresentado estereotipia motora, possivelmente como forma de autorregulação. No IAR, demonstrou habilidades motoras e cognitivas básicas, mas com dificuldades em lateralidade e noções espaciais. Predominou a fase silábica-alfabética da escrita, pois construiu grafemas e fonemas da língua de uma forma particular, já tendo o conhecimento de sílabas simples. Os materiais escolares e as observações direta em sala de aula indicaram que a aluna recebe estímulos quanto a alfabetização e letramento. Bem como, apresenta bom nível de consciência fonológica, a partir do método fono-vísuo-articulatório. Embora tenha realizado algumas trocas fonêmicas, evidenciou habilidades de formação e segmentação de vocábulos, construção de frases na ordem direta (sujeito e predicado), com adequação de concordância nominal e verbal, além de interpretação de textos adaptados (informações diretas e sem figuras de linguagem). A aluna desafiou-se na escrita de pequenos textos, porém, ainda necessitava ser estimulada na fluência da leitura, uso de regras ortográficas e gramaticais. Na área lógico-matemática, as atividades desenvolvidas para seu aprendizado de cálculos - adição e subtração envolviam o suporte de material concreto, composição e decomposição de números. Desta forma, realizou cálculos de adição com reagrupamento envolvendo dezenas, porém, a subtração ainda era um processo em desenvolvimento. Em suma, com base nas observações realizadas, verifica-se a presença de déficits importantes na aprendizagem e destaca-se a necessidade de um Plano Terapêutico Singular. Pedagogicamente, o suporte de uma equipe multidisciplinar no desenvolvimento de um Plano Educacional Individual é crucial para a inclusão da aluna com TEA no ambiente escolar. Assim, este relato demonstra que a intervenção de profissionais como neuropediatra, fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional e psicopedagoga contribui para uma aprendizagem significativa e inclusiva de alunos com TEA. E reforça a importância de estratégias educacionais que valorizem a diversidade e promovam uma educação inclusiva efetiva.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

AUTISMO: INCLUSÃO ESCOLAR ATRAVÉS DE PRÁTICAS MULTIDISCIPLINARES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117699. Acesso em: 17 abr. 2026.