Coleta de dados com pessoas vivendo com HIV/AIDS: Perspectivas de formação em pesquisa.

Autores

  • Bruna Arnhold
  • Jenifer Harter

Palavras-chave:

HIV, Tuberculose, Vulnerabilidade, Social, Coinfecção

Resumo

O vírus da imunodeficiência humana é classificado como um retrovírus que pode ser adquirido pelo ser humano de várias formas, sendo a mais clássica o contato sexual desprotegido, além de compartilhamento de agulhas contaminadas, aleitamento materno, transfusão sanguínea e transmissão vertical. A partir da infecção por HIV, especialmente se o paciente não faz o uso correto do tratamento, surgem problemas na imunidade, uma vez que o HIV é uma doença imunossupressora que ataca os linfócitos TCD4+, debilitando o sistema imunológico a longo prazo e, desta forma, o indivíduo pode acabar desenvolvendo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), o que aumenta, também, as chances da ocorrência de doenças oportunistas, sendo a tuberculose a principal delas. A tuberculose é causada por uma micobactéria chamada Mycobacterium Tuberculosis e se destaca por ser uma das doenças que mais faz vítimas no mundo quando se fala em países com menores índices de desenvolvimento humano, como é o caso do Brasil. A possibilidade de uma pessoa que vive com HIV/AIDS (PVHA) adoecer por tuberculose é vinte e oito vezes maior do que pessoas que não vivem com esta patologia/condição. O objetivo do estudo foi descrever a experiência de estudante de curso de graduação na inserção em projeto de pesquisa com pessoas que vivem com HIV/aids. Este estudo é um relato de experiência. A pesquisa ocorreu no Serviço de Infectologia de referência municipal e abordou as pessoas com HIV que deixaram de tomar a medicação por pelo menos 30 dias ao menos uma vez durante o tratamento. É realizada presencialmente no serviço e por meio de questionário de pesquisa, o qual contém questões de múltipla escolha e discursivas que podem ser preenchidas à caneta pelo próprio participante ou pelo estudante pesquisador. Semanalmente são dedicadas, por cada estudante pesquisador, quatro horas para a realização da pesquisa no serviço. Este, por sua vez, conta com uma equipe multidisciplinar que foi receptiva com a equipe de discentes pesquisadores, mas não incluiu na rotina da unidade a captação e abordagem de possíveis participantes. No que tange aos pacientes usuários do serviço, potenciais respondentes do questionário, percebeu-se que a grande maioria recusa-se a participar da pesquisa por questões do estigma que envolve a temática HIV/AIDS e tuberculose e tem-se a impressão que procuram ficar o menor tempo possível no setor, apressando-se para deixar o ambiente, bem como manifestam medo de participar da pesquisa e ter seus diagnósticos e dados expostos, o que é totalmente proibido pelos aspectos éticos da pesquisa. Da mesma forma, aqueles que se enquadram nos critérios de participação e aceitam participar da pesquisa, demonstram-se com certo receio acerca do próprio diagnóstico e do seu estilo de vida, já que muitos relatam que este é o motivo que os levou a contrair a patologia em questão. A participação nesta pesquisa contribuiu para a formação em pesquisa, pois foi capaz de desenvolver a habilidade de comunicação e a empatia ao se trabalhar com os pacientes e com a equipe multiprofissional que integra a unidade, além de induzir ao frequente estudo e busca por atualizações e publicações envolvendo o tema. Ademais, uma pesquisa no âmbito do Sistema Único de Saúde(SUS), faz com que este seja valorizado pelos discentes, comunidade acadêmica e pela comunidade como um todo, pois ressalta os princípios, sobretudo doutrinários, em virtude de pesquisas terem grande repercussão na qualidade de vida da população alvo a longo prazo.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

Coleta de dados com pessoas vivendo com HIV/AIDS: Perspectivas de formação em pesquisa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117660. Acesso em: 17 abr. 2026.