TRILHA NO BIOMA PAMPA: PRÁTICAS CORPORAIS DE AVENTURA NA NATUREZA
Palavras-chave:
Meio, Ambiente, Educação, Física, Aprendizagem, experiencialResumo
Caminhar ao ar livre em ambientes rurais pouco antropizados do Bioma Pampa, perto da cidade e da escola, torna uma aula de Educação Física mais interessante e alegre para alunos e alunas. O Bioma Pampa faz parte dos seis biomas brasileiros compreendendo em torno de 60% do território gaúcho. Realizar uma prática corporal de aventura na natureza, como uma trilha, desenvolve nos educandos o sentimento de pertencimento com esse espaço. Estudos tem indicado que usufruir tempos e espaços diferenciados e informais tem contribuído para o desenvolvimento dos envolvidos com a natureza. O olhar de Joseph Cornell, em diversas publicações, reforça que o aprendizado, em determinadas situações, pode ocorrer pela vivência e não pela assimilação de conteúdos programáticos. Esse tipo de proposta contempla a aprendizagem experiencial com o contato direto com a natureza de forma lúdica. É importante ressaltar que a disciplina de Educação Física apresenta diversas possibilidades de abordagem, como ginásticas, esportes, danças, lutas e práticas corporais de aventura urbanas e na natureza. Esse dado demonstra que a Educação Física pode utilizar a dimensão ambiental para desenvolver propostas educacionais. A partir do exposto, este trabalho visa apresentar e discutir a vivência de uma prática corporal de aventura na natureza em Educação Física por meio da realização de trilha, conforme a BNCC, dentro da seara do Bioma Pampa. O trabalho teve como cenário uma escola municipal localizada na zona rural da cidade de Uruguaiana/RS. Participaram uma média de 65 estudantes dos anos finais da Educação Básica, a partir da organização de um projeto escolar interligando Educação Ambiental e Educação Física. Para realização da jornada as turmas foram divididas em dois grupos, sendo que o primeiro grupo foi formado pelos 6º e 7º anos, e o segundo, por 8º e 9º anos. Para organização inicial foi contatado o responsável pela área a ser explorada, solicitado autorização dos responsáveis, vestimenta de roupa confortável, boné, protetor solar, água e lanche. A trilha teve início no espaço escolar e culminou a 600 metros da escola. Os estudantes foram orientados a se manterem distantes da estrada de chão no decorrer do percurso, a explorarem e observarem características do Bioma Pampa, como flora e fauna, e realizarem registros fotográficos do ambiente. Como atividade de fechamento foi solicitado a apresentação de trabalho em dupla com uso de tecnologias digitais de maneira que contemplasse: capa, localização, atividade da trilha, organização e opinião. Essa proposta deveria contemplar seus registros e percepções acerca da trilha realizada. Após a caminhada, questionamentos e observação da área como campo, árvores, cavalos, piscina, animais, etc, formou-se uma roda de conversa em forma de piquenique, no qual os estudantes, se intercalando, puderam compartilhar suas diversas observações. Como resultado observou-se o interesse dos educandos pela diversidade da flora e fauna do Bioma Pampa presente no espaço. Entre estes interesses cita-se árvores, equinos e pássaros presentes no local. Outro ponto de relação foi a observação entre o contraste do meio ambiente e construções antrópicas, como galpão, piscina, casa de madeira, estruturas no chão com ferros e cimento, o qual suscitou a questão se havia moradores no local, sendo o que funcionário responsável não morava ali. Como parte lúdica da proposta os educandos e educandas puderam andar a cavalo, sentar ao ar livre na sombra de árvores diversas, como Butiazeiro, Palmeiras e Eucaliptos, e conversar de forma leve e alegre, diferentemente do ambiente normatizado da escola. No processo pedagógico de socialização, comportamental e atitudinal, houve, além de diálogos, compartilhamento de lanches, o que proporcionou o fortalecimento das relações no grupo de forma geral. Na socialização final da atividade os educandos e educandas manifestaram a importância de terem participado da trilha e de aprender a partir da natureza, compartilhando histórias interpessoais, pela relação de diversas emoções, sem cobrança avaliativa formal do conhecimento e da execução. Conclui-se, com esse projeto piloto de realização da trilha, que além do aspecto pedagógico, destacou-se a importância de realizar atividades recreativas ambientais que transcendam os muros da escola. A proposta denota a importância de ir além das ações formais, que envolvam somente livros, cadernos e caneta, mas que despertem um olhar acentuado para esses momentos lúdicos e informais na natureza, principalmente com vivências no Bioma Pampa, desenvolvendo a aprendizagem experiencial. Indica-se como limitação, que a proposta poderia ter sido ampliada para discussões acerca de alimentação saudável, mudanças climáticas, preservação ambiental e relações interpessoais que podem emergir a partir desse tipo de atividade.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
TRILHA NO BIOMA PAMPA: PRÁTICAS CORPORAIS DE AVENTURA NA NATUREZA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117654. Acesso em: 17 abr. 2026.