CASOS CLÍNICOS SIMULADOS: FERRAMENTA PARA MELHORA DO RACIOCÍNIO CLÍNICO E DESEMPENHO NAS AVALIAÇÕES PRÁTICAS
Palavras-chave:
fisioterapia, cardiorrespiratória, paciente, simulado, conduta, fisioterapêutica, monitoriaResumo
Para a formação do profissional da saúde o domínio de habilidades clínicas, tais como a avaliação, o raciocínio clínico e a comunicação com o paciente é de extrema importância para se alcançar um diagnóstico correto e ofertar um plano de tratamento adequado. Na formação do fisioterapeuta, é necessário o domínio de habilidades específicas da sua área de atuação, como a execução de técnicas de higiene brônquica e de expansão pulmonar. Para desenvolver tais habilidades, a experiência prática desenvolvida com crescente complexidade na grade curricular, com a exposição a situações reais, treinamento da comunicação terapeuta-paciente, assim como o raciocínio clínico e das habilidades manuais específicas em si devem ser encorajadas. Tais experiências podem ser desenvolvidas inicialmente em ambiente simulado, como uma alternativa inicial e desafiadora para os discentes treinarem suas habilidades. Esta abordagem oferece uma condição próxima à situação real, ao mesmo tempo em que contorna desvantagens de expor o aluno a pacientes reais quando não se tem experiência, não oferecendo riscos ou desconforto e permitindo que aprenda com seus próprios erros. O uso de pacientes simulados, já é empregado há décadas e é uma excelente opção para promover o aprendizado ativo, permitindo repetições das habilidades clínicas aprendidas em sala de aula, além de permitir a correção imediata pelo professor. Em virtude disso, propusemos no componente curricular de Fisioterapia Cardiorrespiratória I uma atividade de simulação prática de casos clínicos, com o objetivo de verificar se a realização da atividade com paciente simulado seria capaz de promover melhora no desempenho dos alunos quanto ao raciocínio clínico e execução das técnicas específicas aprendidas em sala de aula, comparando os resultados da atividade simulada com a avaliação prática final. Os alunos foram notificados com uma semana de antecedência sobre o simulado para que pudessem estudar as técnicas, suas indicações e contra indicações. Durante a aula prática, quatro duplas foram sorteadas para a realização da atividade, onde sortearam seus respectivos casos clínicos impressos com informações sobre o paciente, incluindo estado clínico geral, doenças associadas, acometimento principal e achados da avaliação física, como expansibilidade torácica, percussão e ausculta pulmonar. Os alunos tiveram 5 minutos para discutir o caso e definir a conduta, contemplando o posicionamento do paciente, as técnicas de higiene brônquica e de expansão pulmonar a serem aplicadas, bem como a necessidade ou não de oxigenoterapia. Organizamos a atividade com o paciente simulado como protagonista, onde um dos alunos atuou como paciente, não interferindo na execução do atendimento do outro colega. O aluno encarregado pela execução da conduta escolhida pela dupla foi responsável tanto pela comunicação com o paciente, quanto pela execução de todas as condutas acordadas entre eles. A monitora e a professora do componente curricular avaliaram comando verbal e comunicação com o paciente, a conduta escolhida pelos alunos, bem como sua execução, e definiram uma nota com a pontuação máxima de 10 pontos. Na atividade simulada, a primeira dupla não conseguiu desenvolver o raciocínio clínico adequado para o caso, não acertando o diagnóstico compatível com o caso clínico recebido, também falhando em desenvolver uma conduta adequada. A higiene brônquica foi realizada de forma incompleta, além disso, a escolha de técnica para expansão pulmonar foi inadequada, resultando na nota geral de 3,33. A segunda dupla optou por uma conduta melhor de acordo com o caso clínico recebido, entretanto, com erros na execução das técnicas, resultando na nota 5,83. Do mesmo modo, a terceira dupla escolheu condutas corretas, porém apresentou mais erros na execução das técnicas, resultando em nota 5,0. Já a quarta dupla optou por uma conduta com técnicas ineficazes para o tratamento do paciente, resultando na nota 2,5. A média das notas desses 8 alunos no simulado prático foi de 4,1, enquanto na avaliação prática final, ou seja, na avaliação formal do componente, a média dos alunos foi de 6,3, mostrando um aumento de 53,6% na média. Tais resultados indicam que esse tipo de prática pode influenciar positivamente no desenvolvimento do raciocínio clínico, planejamento e execução de um plano de tratamento, dessa forma, devem ser utilizadas com mais frequência para proporcionar mais experiência para os futuros profissionais da saúde. Apesar da melhora notável da média geral dos alunos com apenas uma atividade simulada, é necessário aperfeiçoar a metodologia em frequência de aplicação para obter melhores resultados.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
CASOS CLÍNICOS SIMULADOS: FERRAMENTA PARA MELHORA DO RACIOCÍNIO CLÍNICO E DESEMPENHO NAS AVALIAÇÕES PRÁTICAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117650. Acesso em: 19 abr. 2026.