BOTÂNICA EM UMA ESCOLA DE ENSINO BÁSICO DA REDE PÚBLICA: OBSERVANDO ESTRUTURAS DE BRIÓFITAS

Autores

  • Lurian Silva
  • Claudinara da Rosa do Nascimento
  • Isabel Cristina De Macedo
  • Jaqueline Miranda Pinto
  • Julio Cesar Bresolin Marinho

Palavras-chave:

Educação, ambiental, Ecologia, Intervenção, escolar, Residência, Pedagógica

Resumo

Este relato visa discorrer sobre uma intervenção de Ciências da Natureza/Biologia com alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio de uma escola estadual do município de São Gabriel, RS. Esta experiência foi possível por meio da participação no Programa de Residência Pedagógica (PRP)/edital 2022 do núcleo Ciências Biológicas Licenciatura da Unipampa - Campus São Gabriel. A intervenção foi realizada com 06 (seis) turmas, em que o tema trabalhado foi plantas criptógamas com foco no filo Bryophyta. O ensino de botânica, muitas vezes é marcado por aulas teóricas, o que pode dificultar o interesse genuíno dos alunos. Atrelado a isso, muitas escolas carecem de infra-estrutura adequada, como laboratórios e equipamentos. Como resultado da lacuna na aprendizagem de botânica, surge o termo cegueira botânica, que significa incapacidade de perceber as plantas no meio ambiente. Essa situação é agravada ainda mais pelo fato de que a sociedade está cada vez mais imersa na tecnologia, com a internet fazendo parte da vida cotidiana dos alunos. Apesar dos inúmeros benefícios, o avanço tecnológico também tem contribuído para afastar cada vez mais o ser humano da natureza. Neste contexto, esta intervenção foi planejada com o intuito de possibilitar aos alunos o reconhecimento das briófitas em seu cotidiano, contribuindo com a conscientização sobre a importância da preservação das espécies vegetais e diminuição da impercepção botânica. Inicialmente, foi aplicado um questionário contendo 6 perguntas objetivas e descritivas. O intuito era investigar se havia falta de conhecimento relacionado à plantas. Foi explicado para os alunos através de slides, utilizando recursos de imagens para instigar o conhecimento deles em relação às plantas apresentadas. Posteriormente, foi realizada a observação das estruturas macroscópicas e após as microscópicas utilizando uma lupa e um microscópio, para visualizar as plantas levadas pelos residentes. Com o auxílio de uma pinça, os alunos deveriam destacar um gametófito contendo esporófito e colocar na placa de petri, analisando na lupa o tamanho, a cor, formato e as características dos filídios, caulídios e rizóides. Em uma folha de atividade, eles registravam as estruturas observadas. Após a utilização da lupa, foi proposto a observação dos filídios e das células de briófitas no microscópio óptico. Cada grupo preparou uma lâmina de microscópio com auxílio das residentes. Nesse momento da aula a interação foi significativa, surgindo dúvidas sobre a localização das estruturas, nomes e funções. Essa relação ajudou a aproximar o conteúdo botânico, que muitas vezes é visto como algo distante da realidade dos alunos. Ao final da prática, responderam a um questionário de avaliação com 3 perguntas sobre as principais características das plantas estudadas. Quando percebem a presença das plantas no ambiente que os cerca e, que podem ser facilmente encontradas a partir de um olhar mais atento, o conteúdo torna-se mais acessível e interessante. A análise do questionário permitiu deduzir que em ambas as turmas, a maioria dos estudantes possui o costume de observar a natureza, seja diariamente, semanalmente ou mensalmente. Na turma 300, de 23 participantes, o total de 8 raramente ou nunca apreciam o ambiente ao seu redor. Já na turma 200, apenas 3 raramente realizam essa prática de contemplação. A maioria menciona não ter ouvido falar em briófitas, anteriormente à aula. São poucos os estudantes que observam os detalhes da natureza, isso corrobora a falta de aulas práticas em salas de aula nas escolas de ensino básico. Após a aula, uma das perguntas descritivas foi: A aula prática auxiliou no entendimento do conteúdo de briófitas trabalhado anteriormente? Os estudantes responderam positivamente, escrevendo: - Sim, pois havia espécies que não sabíamos da existência; - Sim, pois podemos ter mais noção do que devemos prestar atenção ao observar as diferentes plantas, e - Podemos observar detalhadamente as características das plantas. As respostas esclareceram a eficácia da aplicação da intervenção, além disso, os alunos expressaram apreço pelo uso do microscópio e manuseio com as plantas. Após a atividade, uma aluna relata ter observado musgos em um muro, isso dá ênfase ao quão importante são essas intervenções. A prática realizada no laboratório fez com que a turma tivesse contato com as plantas, resultando em uma melhor compreensão do conteúdo, saindo das aulas monótonas e tradicionais, onde é usado apenas o livro didático. O retorno dos estudantes por meio dos questionários foi relevante para avaliar os conhecimentos adquiridos durante a aula, também possibilitou a identificação de sinais de interesse dos discentes pelo ensino de botânica e pela metodologia utilizada em sala de aula.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

BOTÂNICA EM UMA ESCOLA DE ENSINO BÁSICO DA REDE PÚBLICA: OBSERVANDO ESTRUTURAS DE BRIÓFITAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117641. Acesso em: 16 abr. 2026.