ENDOMETRITE BACTERIANA POR MORGANELLA SP. EM ÉGUA BRASILEIRO DE HIPISMO - RELATO DE CASO

Autores

  • Maria Lina Pinto Rodrigues Andreazza
  • Maiara Prestes Soares
  • Luiza Gonçalves Martini
  • Fabricio Desconsi Mozzaquatro

Palavras-chave:

Cultura, bacteriana, infertilidade, útero

Resumo

Endometrite é uma das principais causas da infertilidade em éguas, caracterizada como uma inflamação no endométrio, tecido que reveste a cavidade do útero, em resposta a entrada agentes estranhos como, ar, urina, microrganismos, fungos, bactérias ou até mesmo espermatozóides, podendo ser de caráter agudo ou crônico acometendo na maioria das vezes éguas multíparas e de idade avançada. Os principais sinais clínicos associados são secreção vaginal, útero aumentado e acúmulo de líquido que devem ser visualizados na ultrassonografia transretal. Os principais microrganismos identificados são oportunistas, pois acendem o canal cervical e podem ser fúngicos e bacterianos, sendo de maior incidência as bactérias Streptococcus equi, Klebsiella e Escherichia coli. Esse trabalho tem como objetivo relatar o caso de endometrite pela bactéria Morganella sp., sendo uma bactéria oportunista incomum nesses casos, e enfatizar o diagnóstico preciso como também a importância da prevenção dessa patologia uterina na espécie equina. Foi atendida em um haras em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, uma égua brasileiro de hipismo (BH), com 17 anos de idade, pesando 520 kg. O proprietário relatou que a fêmea apresentava descarga vaginal purulenta e histórico de infertilidade. A paciente foi submetida ao exame clínico ginecológico, para avaliar sua condição reprodutiva e ciclicidade. Foi realizada ultrassonografia transretal, que constatou edema e acúmulo de líquido uterino, o que confirmou a inflamação. Após foi realizada coleta de material para citologia, cultura e antibiograma. A citologia confirmou o quadro de endometrite, e na cultura bacteriana foi detectada a presença de Morganella sp. De acordo com o antibiograma foi possível isolar a bactéria e determinar um tratamento específico com base na classificação de antibióticos em que o organismo seria sensível ou resistente. Desse modo, o tratamento foi realizado no estro com lavagens uterinas com DMSO (Dimetilsulfóxido - potente antiinflamatório indicado para dor e edema), na relação 1 ; 1 para facilitar a remoção de fluido de maneira física, tratar inflamação e auxiliar na ação dos medicamentos que seriam infundidas posteriormente. Foi realizada infusão intrauterina de amicacina 2g, antibiótico indicado para combater bactérias gram negativas, diluído em solução fisiológica com bicarbonato, durante 5 dias. O tratamento se mostrou eficaz no controle e redução da endometrite, a égua respondeu bem e no próximo cio foi possível confirmar a prenhez. Diante disso, é importante destacar a infecção causada pela bactéria Morganella sp., bactéria gram negativa, oportunista, presente no ambiente e na microbiota intestinal de mamíferos, sendo incomum encontrá-la em casos de endometrite, no entanto por ter caráter oportunista pode facilmente ascender pelo canal cervical, ultrapassando as barreiras físicas do útero. Por isso, técnicas de prevenção poderiam ser utilizadas nesse caso, como por exemplo, maior fechamento de vulva para impedir a entrada de microrganismos, higienização antes e durante as inseminações, a fim de evitar a formação de um ambiente favorável para contaminação, uso de ocitocina após inseminação artificial, hormônio que estimula a contratilidade uterina fazendo com que a égua elimine fluido, agindo na limpeza do útero após IA, ou cobertura. Por fim, ressalta-se a importância do diagnóstico preciso de endometrite, e tratamento correto por meio de uma análise laboratorial com cultura e antibiograma, sendo práticas cruciais para o sucesso do tratamento.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

ENDOMETRITE BACTERIANA POR MORGANELLA SP. EM ÉGUA BRASILEIRO DE HIPISMO - RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117631. Acesso em: 17 abr. 2026.