TERAPIA ADJUVANTE DE EDTA EM ÚLCERA DE CÓRNEA EM CÃO: RELATO DE CASO

Autores

  • Milena Portella Aprato
  • Helena Balk da Cruz
  • Aline de Moura Jacques
  • Rammy Vargas Campos

Palavras-chave:

Palavra-chave, Úlcera, córnea, fluoresceína, Still, Tobramicina, Gatifloxacino, EDTA

Resumo

A úlcera de córnea, também conhecida como Ceratite Ulcerativa, é uma doença ocular de grande incidência na rotina dos médicos veterinários que atendem animais de pequeno porte. Essa patologia consiste basicamente na lesão e inflamação das camadas da córnea, sendo ela responsável por manter uma barreira protetora entre o olho e o meio ambiente. As úlceras de córnea em cães podem ser classificadas como úlceras superficiais e profundas, variando de acordo com seu grau de ferimento. Diversos fatores podem causar uma úlcera de córnea, sendo o trauma a causa mais comum. Além disso, também pode ser causada por cílios ectópicos, deficiência na produção do filme lacrimal, corpos estranhos, entre outros. Microorganismos da flora normal da região ocular podem tornar-se patógenos se ocorrer dano tecidual à córnea, na sua grande maioria são bactérias gram-positivas, como Staphylococcus ssp. Os sinais clínicos podem variar de leves a graves, dependendo da profundidade e extensão da úlcera, porém, os mais comuns incluem dor ocular, lacrimejamento excessivo, vermelhidão ocular, secreção ocular, blefarospasmo, opacidade da córnea e sensibilidade à luz. Já o diagnóstico é realizado através da apresentação clínica do animal, dependendo da profundidade da úlcera é possível visualizar espontaneamente, entretanto, é necessário realizar um exame oftalmológico completo e fazer o teste com colírio de fluoresceína para a confirmação. O objetivo do presente trabalho é relatar o caso de um canino da raça Yorkshire Terrier, macho, 12 anos de idade, 3,2 kg, com úlcera de córnea profunda, atendido no Centro de Práticas Veterinárias Antônio Vivaldino Bonotto (CPV) da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Campus Santiago/RS e enfatizar seu diagnóstico e tratamento. A queixa principal foi de que o animal estava passando bastante tempo com os olhos fechados, com presença de secreção de aspecto purulento e prurido moderado. Durante o exame clínico foi realizado o teste com o colírio de fluoresceína e observado úlcera em ambos os olhos, sendo o olho direito o mais acometido já apresentando ulceração estromal (profunda) em padrão progressivo. O primeiro protocolo terapêutico estabelecido foi utilização de colar elizabetano até liberação médica, limpeza de ambos os olhos com solução fisiológica (b.i.d.), aplicação de colírio antimicrobiano (Tobramicina 3 mg/mL, 1 gota, a cada 1 hora, por 10 dias) e aplicação de colírio antiinflamatório (Still - diclofenaco sódico 0,1%, 1 gota, a cada 4 horas, por 7 dias). No retorno em 10 dias, percebeu-se progressão das ulcerações corneanas, além de falha dos cuidados terapêuticos pelos tutores, pelo não uso do colar elisabetano. Um novo protocolo terapêutico foi instituído, enfatizando o uso do colar elizabetano, permanecendo com a limpeza com solução fisiológica (b.i.d.), colírio antimicrobiano (Gatifloxacino 3mg/mL, 1 gota, a cada 1 hora, por 10 dias), além da aplicação de solução com ácido etilenodiaminotetracético (EDTA 0,35%, 1 gota, cada 1 hora, por 30 dias), com intervalo de aplicação, e dipirona sódica (500mg/mL 3 gotas, b.i.d, por 5 dias) para analgesia. Em 15 dias, foi possível observar intensa melhora no aspecto clínico da ulceração, com progressiva regressão das feridas. Para finalização do tratamento foi associado junto a solução de EDTA a prescrição de colírio lubrificante em gel (Hylo-gel 2mg/mL, b.i.d., uso contínuo) com avaliação semanal até completa cicatrização. Portanto, a úlcera de córnea é uma afecção de fácil diagnóstico, porém, possui processo cicatricial lento, além da possibilidade de recidivas e do surgimento de novas lesões durante o tratamento. Contudo, apesar de laborioso, o sucesso terapêutico é possível assim como demonstrado neste relato e, o uso do EDTA a 0,35%, demonstrou um excelente adjuvante a terapia clínica de úlceras de córnea profundas, justamente por possuir função anticolagenolítica, inibindo a produção da enzima colagenase formada pelo próprio organismo e por bactérias presentes nas lesões.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

TERAPIA ADJUVANTE DE EDTA EM ÚLCERA DE CÓRNEA EM CÃO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117630. Acesso em: 19 abr. 2026.