FRATURA DA FALANGE PROXIMAL E SUBLUXAÇÃO DA ARTICULAÇÃO INTERFALANGEANA PROXIMAL EM UMA POTRA-RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Cirurgia, Potro, SalterHarrisResumo
Fraturas do esqueleto apendicular em potros são comumente oriundas de traumas por coice, pisadas ou quedas, podendo estar associadas a luxações ou subluxações quando envolvem regiões articulares. Potros pisados pelas suas mães, geralmente sofrem fraturas de falange proximal de Salter-Harris tipo II, que ocorrem na placa de crescimento e metáfise, poupando a epífise. Já as fraturas Salter-Harris tipo IV são mais comuns em outros ossos (úmero e epífise distal do fêmur), e são caracterizadas por acometer a placa de crescimento, metáfise e epífise óssea. O objetivo do presente trabalho foi de relatar um caso de uma potra com fratura da falange proximal e subluxação da articulação interfalangeana proximal, enfatizando o diagnóstico e tratamento cirúrgico. Foi atendida uma potra com aproximadamente quatro dias, sem raça definida, com suspeita de uma fratura no membro pélvico esquerdo. No histórico foi constatado que há três dias, o animal havia sido solto com os demais animais adultos no momento da alimentação do rebanho, ocorreu um trauma no membro pélvico esquerdo. No mesmo dia foi realizada uma tala para imobilização do membro. Durante a inspeção, o animal não apoiava o membro e, à palpação, foi verificada uma subluxação na região da quartela no membro pélvico esquerdo associado ao aumento de volume sem descontinuidade da pele. O animal foi submetido ao exame radiográfico da articulação metatarso falangeana e interfalangeana proximal esquerda, onde foi visualizado uma imagem sugestiva de subluxação latero-medial da articulação interfalangeana proximal e fratura articular oblíqua em epífise distal da falange proximal com desalinhamento lateral ao eixo ósseo (fratura salter-harris tipo IV). Foi realizada a colocação de gesso sintético na região da articulação interfalangeana distal até próximo ao jarrete com o intuito de promover imobilização da região. No entanto, a região permaneceu instável e houve a necessidade de intervenção cirúrgica, com a utilização de fixadores externos, posicionados na primeira e segunda falange, e colocação de parafuso cortical para fixar o fragmento ósseo à primeira falange. No pós-operatório, na abordagem sistêmica foram utilizados antibióticos para evitar infecção, analgésicos visando conforto ao paciente e tranquilizantes para manter o animal mais calmo, principalmente devido a comportamento mais ativo do potro. Como manejo local da ferida cirúrgica, foi realizado limpeza dos fixadores com clorexidina 2% e solução fisiológica 2 vezes ao dia, e curativo com gaze e bandagem elástica, durante todo o período de internação. Os fixadores externos foram retirados no 25º dia pós cirúrgico. O monitoramento da consolidação da fratura foi feito com uso de radiografia a cada 7 dias, durante todo o período de internação do animal. A potra teve alta com aproximadamente 60 dias de pós-operatório, sem complicações e cicatrização óssea satisfatória. Segundo a literatura, fratura em potros pode ser resultado de traumas de colisões, chutes ou durante atividades extenuantes. Nesse caso, a fratura e subluxação foi causada por colisão com outros animais. As fraturas são geralmente acompanhadas de claudicação como pode ser observado no animal do presente relato, além de aumento de pulso digital e temperatura do casco. O diagnóstico de fratura é realizado por meio do exame clínico, anestesia digital e radiografia. Nesse relato de caso foi realizado o exame clínico e a radiografia, onde foi confirmado a fratura fechada da falange proximal e subluxação da articulação interfalangeana proximal. Geralmente, este tipo de fratura pode ser corrigido apenas com uso de talas e bandagens, sem a necessidade de intervenções cirúrgicas. Contudo, no presente caso, devido a continuidade da instabilidade do fragmento ósseo e articular, mesmo com utilização do gesso, houve a necessidade de intervenção cirúrgica. Se o fragmento ósseo for pequeno, a utilização de um parafuso cortical é indicada visando a fixação do mesmo para consolidação da fratura. O uso de fixadores externos é indicado por facilitar o manejo e a tomada de decisão se houver necessidade de alteração na conduta do caso e também permite a utilização do membro fraturado, dando maior conforto ao paciente e evitando atrofia muscular, o que proporciona retorno funcional do membro. O afrouxamento dos pinos pode ser uma complicação pós-operatória decorrente da necrose térmica no momento da perfuração e a reabsorção por sobrecarga na interface pino-osso. No entanto, o paciente recebeu alta, sem intercorrências. Um dos fatores que colaborou para o sucesso do tratamento foi que não houve exposição óssea, assim manutenção adequada da ferida cirúrgica sem complicações, o que foi possível pelo comportamento dócil da potra e da égua tornando viável a realização de todos os manejos adequadamente.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
FRATURA DA FALANGE PROXIMAL E SUBLUXAÇÃO DA ARTICULAÇÃO INTERFALANGEANA PROXIMAL EM UMA POTRA-RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117624. Acesso em: 16 abr. 2026.