RELATO DE CASO: ACHADOS DE IMAGEM EM CÃO COM ANAPLASMOSE E ERLIQUIOSE CRÔNICA
Palavras-chave:
Esplenose, erliquiose, anaplasmoseResumo
A esplenose, ou tecido esplênico ectópico, é uma condição adquirida que consiste em uma anormalidade do baço caracterizada pela implantação de fragmentos do órgão na cavidade abdominal. Pode ser decorrente de alguma ruptura da cápsula ou parênquima, principalmente, de origem traumática. Geralmente, é vista no omento e peritônio, mas pode ocorrer em qualquer serosa abdominal podendo tornar-se hematopoieticamente ativo. A erliquiose e anaplasmose são doenças infecciosas causadas pelas bactérias Ehrlichia canis e Anaplasma platys, respectivamente. Ambas são transmitidas pelo Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom comum) e são parasitas de células hematopoiéticas. O objetivo deste trabalho é relatar um caso clínico de um cão com esplenose, sem histórico de trauma, que foi diagnosticado com erliquiose e anaplasmose crônica concomitantes. Foi atendido no Hospital Veterinário do Pampa (HUVET) da Universidade Federal do Pampa, um canino macho, maltês, com 12 anos e pesando 3,5Kg. A queixa principal era que havia 15 dias que ele rejeitava ração e só comia comida caseira. Além de episódios de vômitos esporádicos, também possuía globo ocular opaco com secreção variável. No exame clínico, constatou-se um estado geral de magreza, consciência em alerta, leve desidratação, mucosa pálida, córneas ressecadas e desconforto à palpação do abdômen. Devido a inespecificidade dos sinais clínicos e a idade avançada do paciente, foi solicitado exames complementares: ultrassonografia abdominal, hemograma completo e bioquímicos. No hemograma, feito em jejum, verificou-se que o animal possuía uma anemia microcítica e normocrômica com anisocitose moderada, trombocitopenia, eosinopenia, linfopenia severa com presença de rouleaux leucocitário, linfócitos reativos, macroplaquetas e hipoproteinemia. Resultados que direcionaram a suspeita clínica para hemoparasitoses e neoplasia. No exame de ultrassonografia abdominal: a vesícula urinária possuía uma superfície de mucosa sutilmente irregular com deposição de material hiperecogênico e formador de sombreamento acústico posterior; os rins tinham contornos irregulares, ecogenicidade da cortical e da região de divertículos renais aumentadas; o baço, apresentava dimensões aumentadas, ecotextura heterogênea associado com a presença de áreas nodulares, de limites definidos, hiperecogênicas em relação ao parênquima esplênico; o fígado, tinha aumento de tamanho e de ecogenicidade dos lobos médios; o estômago, estava repleto de conteúdo mucoso e gasoso; o linfonodo hepático, estava com dimensões e ecogenicidade aumentadas; peritônio, com aumento de ecogenicidade em porção cranial do abdômen. Também, havia a presença de uma massa arredondada com limites definidos, ecogênica e cavitária, com cápsula hiperecogênica, localizada em região epigástrica esquerda, entre fígado, estômago e baço. Portanto, os achados foram sugestivos de urólitos na vesícula urinária, nefropatia, esplenomegalia associada a presença de nódulos e heterogeneidade do parênquima esplênico, hepatomegalia focal, hepatopatia, vesícula biliar com lama biliar e massa em região epigástrica direita sugestivo de neoplasia. Com este achados, o direcionamento diagnóstico foi para neoplasia e o animal foi encaminhado para cirurgia para realização de esplenectomia, excisão da massa e biópsia hepática. As amostras coletadas foram enviadas para exame histopatológico, a avaliação esplênica não foi realizada por limitações financeiras do tutor, o fígado foi diagnosticado com colangite linfoplasmocitária e neutrofílica subaguda multifocal discreta com colestase multifocal discreta. A massa em região epigástrica, no omento, foi diagnosticada como esplenose. Com isso, foi descartada a suspeita neoplásica e retomou-se as suspeitas de hemoparasitoses que foram confirmadas, por meio de teste rápido, pela presença de E. canis e A. platys. O animal foi tratado com antibioticoterapia e teve uma excelente recuperação do quadro. Apesar dos exames complementares terem direcionado a suspeita principal para neoplasia, sabe-se que a ultrassonografia possui alta sensibilidade e baixa especificidade, sendo a avaliação histopatológica fundamental para um diagnóstico final. Apesar da histologia do baço não ter sido realizada, os achados de imagem sugerem hiperplasia nodular, um diferencial importante que deve ser realizado no quadros suspeitos de neoplasia, devido às semelhanças imagiológicas entre essas patologias, e que pode ser justificada, no caso relatado, pelo quadro de hemoparasitose crônica apresentado pelo paciente. Apesar do paciente não ter histórico de trauma que justificasse a esplenose, uma cirurgia prévia para retirada de cálculos ocorreu e portanto pode justificar esta ocorrência. Conclui-se que os exames de imagem são fundamentais para o direcionamento diagnóstico, entretanto, em muitos casos outros exames complementares são necessários para um diagnóstico final e assertivo.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE CASO: ACHADOS DE IMAGEM EM CÃO COM ANAPLASMOSE E ERLIQUIOSE CRÔNICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117621. Acesso em: 17 abr. 2026.