DERMATITE NODULAR PIOGRANULOMATOSA SECUNDÁRIA A LEISHMANIOSE: RELATO DE CASO CLÍNICO
Palavras-chave:
dermatologia, veterinária, antropozoonose, citopatologiaResumo
A leishmaniose é uma antropozoonose que impacta diretamente a saúde pública e sua ocorrência é de notificação obrigatória. Os sinais clínicos desta enfermidade são variados, inespecíficos e se apresentam de forma sistêmica. O presente trabalho tem como objetivo apresentar um caso atípico de manifestação da Leishmaniose em um cão. Foi atendida no Hospital Universitário Veterinário (HUVet) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), na cidade de Uruguaiana/RS, uma canina, fêmea, castrada, 4 anos e pesando 27,5 kg, com queixa principal de emagrecimento, apatia, dificuldade para levantar e múltiplos nódulos pelo corpo, localizados adjacentes ao crânio e próximo à vértebra na região toracolombar, além de nódulos, nos dois antímeros, junto ao músculo glúteo superficial e na região torácica no antímero esquerdo, subcutâneo, com evolução de aproximadamente 4 meses, segundo relato do tutor. No exame físico, o animal apresentava linfonodos submandibulares e poplíteos aumentados à palpação, característica de linfadenopatia e eritema na região abdominal, compatível com dermatite de causa alérgica, porém, sem alterações no que tange aos parâmetros fisiológicos. De acordo com a anamnese e exame físico, suspeitou-se de neoplasia e leishmaniose. Foi realizada coleta de material, pelo método de citologia aspirativa por agulha fina (CAAF), dos diferentes nódulos e do linfonodo poplíteo esquerdo para posterior análise citopatológica no Laboratório de Patologia Veterinária (LPV) e foi solicitada a realização de hemograma completo no Laboratório de Análises Clínicas Veterinárias (ACVet) além de sorologia para Leishmaniose, encaminhada para análise em laboratório externo, dada a casuística da região. Como prescrição médica, indicou-se a administração de prednisolona, em doses terapêuticas para dermatite alérgica, inicialmente 1 mg/kg BID por 5 dias, e, após, gradativa diminuição da oferta para 0,8 mg/kg BID, por 4 dias, finalizando com 0,4 mg/kg a cada 48h por mais 4 dias, além da prescrição de dipirona 25 mg/kg BID por 5 dias. Aconselhou-se também o manejo tópico do animal com banhos a cada 5 dias com shampoo dermatológico Allermyl®. O resultado da citopatologia dos nódulos constatou dermatite piogranulomatosa associada a amastigotas de Leishmania além da presença de células de tecido linfóide reativos no aspirado de linfonodo poplíteo. Em relação ao hemograma realizado, este constatou eritrocitopenia associada à diminuição de hemoglobina, ou seja, o animal apresentava quadro anêmico, além de alterações bioquímicas com aumento de ureia e creatinina (valor de 3,19) caracterizada por quadro azotêmico. Sobre o exame sorológico para Leishmaniose, o resultado foi positivo, confirmando os achados citopatológicos dos aspirados. Devido à alteração nas enzimas renais associada ao positivo no teste de Leishmaniose, suspeitou-se de possível quadro de doença renal crônica. Para isso, foi solicitada a coleta de urina do animal via cistocentese para análises físicas e químicas, com aferição da relação proteína/creatinina urinária (RP/CU), que resultou em valor 1,79, que indica proteinúria. O valor da creatinina atrelado ao RP/CU permite estadiar o animal em estágio 3 no que tange a doença renal crônica. Na consulta de retorno, uma semana depois, foi possível notar a remissão total de todos os nódulos que o animal apresentava pelo corpo, além de notável melhora no eritema presente na região abdominal após administração somente de fármacos com ação anti-inflamatória. Com os resultados dos exames, foi explicado para o tutor que o animal era positivo para a doença parasitária Leishmaniose e toda a importância e poder zoonótico desta. A terapêutica escolhida foi a menos onerosa: alopurinol na dose de 10 mg/kg BID e domperidona na dose de 1 mg/kg BID, até novas recomendações, pois a literatura cita o efeito leishmaniostático desses fármacos. Também foi prescrita a administração de telmisartana na dose de 1 mg/kg BID, para controle da proteinúria, além do uso da marbofloxacina na dose de 3 mg/kg SID, levando em consideração sua ação leishmaniocida, durante 20 dias, com início após o término do tratamento recomendado inicialmente com prednisolona. A utilização de coleira repelente, Scalibor®, devendo ser trocada a cada 4 meses, também foi recomendada, assim como o manejo alimentar, com preferência por dieta renal, foi sugerido. Vale destacar a importante ação que os fármacos anti-inflamatórios tiveram sobre os diversos nódulos que o animal apresentava e a importância da testagem contra Leishmaniose de animais oriundos de áreas endêmicas mesmo em casos em que os sinais clínicos do paciente são inespecíficos.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DERMATITE NODULAR PIOGRANULOMATOSA SECUNDÁRIA A LEISHMANIOSE: RELATO DE CASO CLÍNICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117618. Acesso em: 17 abr. 2026.