ACROPOSTITE EM TOUROS: RELATOS DE CASOS E SEUS DESFECHOS CLÍNICOS
Palavras-chave:
Touros, Acropostite, Edema, PostoplastiaResumo
No Brasil, a pecuária bovina de corte é, predominantemente, de criação extensiva, com um grande percentual de utilização de monta natural. Neste contexto, doenças que afetam o acasalamento têm um impacto econômico significativo, dado que o país possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, com 220 milhões de cabeças registradas em 2017, conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Entre essas doenças, a acropostite destaca-se por afetar o prepúcio dos bovinos. Fatores predisponentes como a genética, características anatômicas específicas de certas raças, traumas mecânicos, e a presença de plantas espinhosas nas pastagens, podem causar lesões no prepúcio durante o pastejo. De maneira geral, a afecção pode acometer várias raças, mas touros com prepúcio de característica mais longa, pendente e orifício prepucial mais largo, como observado em algumas raças zebuínas, são mais frequentemente observadas. A acropostite pode levar à inutilização dos touros para a reprodução, especialmente quando o tratamento é iniciado tardiamente, gerando prejuízos econômicos significativos. Sinais clínicos incluem feridas, úlceras, edemas, necroses e fibroses, com diagnóstico realizado por meio de exame clínico específico além de exames complementares. O tratamento clínico é feito em casos iniciais, enquanto nos mais avançados, a intervenção cirúrgica (postoplastia) pode ser requerida. No entanto, o prognóstico vai ser dependente do acometimento prepucial e, em lesões severas, o retorno do animal para a reprodução pode não ser possível. Este trabalho tem o intuito de relatar dois casos clínicos de touros da raça Brangus acometidos por acropostite, com ênfase no impacto do encaminhamento tardio sobre o tratamento e prognóstico. Foram atendidos dois touros no setor de Clínica e Cirurgia de Grandes Animais do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Uruguaiana. Os bovinos eram utilizados para reprodução,e, ao chegar no hospital, apresentavam aumento de volume na região prepucial. Os animais foram encaminhados ao hospital veterinário após períodos variados de evolução dos sinais clínicos, e o diagnóstico de acropostite foi confirmado por exame clínico e exames complementares. O primeiro caso envolveu um touro da raça Brangus Preto, com 4 anos, pesando 700 kg. O animal foi admitido, com aumento significativo de volume no prepúcio, dificuldade de micção e acúmulo intra-prepucial de urina. Na avaliação clínica foi constatada exteriorização de quinze centímetros de mucosa prepucial, a qual apresentava edema, úlceras, tecido necrosado e, à palpação, foi verificado diminuição drástica do lúmen da região do óstio prepucial (possibilidade de introdução de um dedo, com dificuldade) e consistência firme ao longo da extremidade até o terço medial do prepúcio (sugestivo de presença de tecido fibroso).Como exames complementares realizou-se hemograma, bioquímico e ultrassonografia do trato reprodutivo. No exame ultrassonográfico foi observado imagens sugestivas de edema, grande quantidade de fibrose e aumento de vascularização do prepúcio. O tratamento inicial incluiu ducha fria, limpeza da lesão e administração de medicamentos (Omeprazol, Meloxicam e Ceftiofur), visando involução do edema e das lesões ulcerativas, para possibilitar a execução da cirurgia. Apesar de 26 dias, não houve evidência de melhora clínica do local e não houve viabilidade de correção cirúrgica , resultando em prognóstico desfavorável para a reprodução. O segundo caso, também envolvendo um touro da raça Brangus Preto, com 4 anos e 4 meses de idade e pesando 600 kg, apresentou sinais semelhantes. O tratamento inicial foi clínico, seguido de cirurgia de postoplastia devido à resposta positiva aos cuidados preliminares. O pós-operatório incluiu uso de anti-inflamatórios, aplicação de gelo e duchas, com recuperação prolongada e leve estenose do óstio prepucial, mas sem comprometimento da exteriorização do pênis, o que permitiu o retorno às suas atividades reprodutivas. A análise dos casos evidencia a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da acropostite para minimizar os impactos negativos na produção animal. O encaminhamento tardio, observado em ambos os casos, dificultou o manejo terapêutico, interferindo diretamente com o prognóstico. Enquanto o primeiro caso resultou em um prognóstico desfavorável, sem possibilidade de correção cirúrgica, o segundo, embora com cirurgia bem-sucedida, apresentou um longo tempo de internação. Esses resultados reforçam a necessidade de intervenção rápida e eficaz em casos de acropostite, especialmente em animais reprodutores, para preservar sua função reprodutiva e reduzir prejuízos econômicos. A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para garantir a saúde e o desempenho dos animais de produção, evitando complicações e custos elevados associados ao manejo inadequado.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ACROPOSTITE EM TOUROS: RELATOS DE CASOS E SEUS DESFECHOS CLÍNICOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117617. Acesso em: 17 abr. 2026.